domingo, agosto 30, 2026
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Guerra entre sindicatos

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Fim da Jaguar em Itatiaia gera incertezas

Ontem, sexta, 3, em uma postagem no Instagram, a revista Autoesporte anunciou que a Jaguar Land Rover (JLR) teria encerrado definitivamente a sua produção em Itatiaia, com base em informações que teriam sido fornecidas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense. A revista, entretanto, publicou que o fim da linha não teria sido confirmado pela marca. “Neste momento, não há confirmações a respeito de planejamentos ou iniciativas futuras”, escreveu.

Ao som do clássico da banda britânica ‘The Clash’ ‘Should I Stay or Should I Go’ – ‘Devo Ficar ou Devo Partir’, em tradução livre para o português –, a postagem gerou reação de outro sindicato. Não pelo possível encerramento das atividades da JLR, e sim pela referência da revista ao SindMetal-SF. No Instagram, o Sindireal (Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real) soltou uma nota dizendo que o sindicato mencionado na reportagem “não representa os trabalhadores da Jaguar Land Rover em Itatiaia”, prometendo “continuar acompanhando de perto a situação”. Caso haja qualquer informação oficial por parte da empresa (Jaguar), daremos ampla divulgação aos trabalhadores”, acrescentou também, não confirmando e muito menos negando o encerramento das atividades da montadora.

Enquanto isso, a possível chegada da Chery Automobile para substituir a Jaguar em Itatiaia parece cada dia mais próxima, tanto que o prefeito Kaio Márcio, como o aQui mostrou na sua última edição, chegou a postar nas redes sociais uma foto de uma reunião com executivos do grupo chinês responsável pela marca. Kaio até apagou rapidamente a postagem, mas o print da videoconferência já havia se espalhado pela internet e sido reproduzido em diversos meios de comunicação. 

Idosos 

O Detran-RJ ampliou a isenção do pagamento de taxas para renovação da Carteira Nacional de Habilitação em benefício aos cidadãos a partir dos 60 anos. Vale lembrar que os usuários com 60 anos ou mais têm a isenção do Duda também no serviço on-line, através do Posto Detran-RJ Digital. Para ter direito ao benefício, o usuário deve deixar em branco o campo do número do Duda no formulário de agendamento para a renovação da CNH, no site do Detran ou no aplicativo Posto Detran RJ Digital. 

Estacionamento (I)

Já que está preocupado em beneficiar quem tem mais de 60 anos, o Detran-RJ poderia reavaliar o que ocorre em Volta Redonda, onde todos os usuários são obrigados a gastar uma ‘nota’ de estacionamento quando vão ao posto do órgão, no Shopping Park Sul. Um leitor do aQui, com mais de 60 anos, foi até o Detran para pegar a sua CNH renovada e pagou R$ 17 de estacionamento. Detalhe: entre chegar, pegar a CNH e ir embora, levou 28 minutos, conforme tíquete enviado à redação.

Estacionamento (II)

Ao questionar a cobrança, ele foi informado que o valor cobrado corresponde ao período de 8 horas da manhã até as 3 horas da madrugada do dia seguinte. Ou seja, um absurdo, né?! “O Detran deve atender cerca de 200 pessoas por dia, o que rende uns R$ 70 mil por mês de estacionamento, considerando apenas os dias úteis”, comparou.  

Estacionamento (III)

O leitor aproveitou para dar a sugestão: “Que o Detran forneça um comprovante do período que o usuário levou para ser atendido e que pague no caixa apenas o tempo que permaneceu lá dentro”. Melhor seria não cobrarem nada de estacionamento em caso de ida ao Detran, no Park Sul. Seria mais justo, né?     

Barreira para elas

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Futebol continua sendo ‘coisa de menino’ entre os principais times da região

Walter Barros

O futebol feminino continua longe dos gramados dos principais times do Sul Fluminense. O assunto é ignorado pelo Resende, enquanto o Barra Mansa se queixa de dificuldades financeiras. O Volta Redonda é outro que fica em silêncio sobre o assunto, contrastando com o estardalhaço feito em um auditório lotado em 2023, quando o tricolor de aço anunciou a realização de peneiras só de meninas para compor as categorias de base. O que seria uma parceria ‘autossustentável’ com a New Star Soccer, empresa do ex-jogador Rozenir, e o aporte de um ‘investidor-anjo’ de Barra do Piraí não foi adiante. Levou cartão vermelho assim que começou a atuar. Enquanto isso, o prefeito Neto, que já ajudou a alavancar o Voltaço feminino no passado, não descarta entrar em campo, desde que o clube ‘saia da retranca’.

“Nós tivemos uma equipe feminina em 2016 e outra em 2021. Jogamos o Campeonato Carioca, mas não tivemos como manter, uma vez que os valores para ter uma comissão técnica e as taxas de campeonato são muito altas. Os desafios são financeiros, e também conseguir mulheres para fazer parte da comissão técnica, pois hoje ainda temos poucas profissionais no futebol de campo. No futsal até temos um pouco mais”, ressaltou o Leão, em nota.

Ex-vice-presidente do Barra Mansa, o radialista Walter Cardoso enfrentou as dificuldades para criar uma Leoa em 2016. “O time foi formado para a disputa do Campeonato Carioca e perdeu todos os jogos. Não disputou as competições de 2017 e 2018. Em 2019, uma nova equipe foi criada, com duas vitórias e duas derrotas. De lá pra cá, nenhuma equipe foi montada”, conta, acrescentando que o Barra Mansa atravessa um período de grandes desafios financeiros e revela que, “sem o apoio direto do poder público e sem um patrocinador que atualmente arque com os custos do elenco profissional, o clube tem buscado investidores para viabilizar suas atividades em 2026”.

Cardoso defende, como alternativa, “a formação de parcerias, permitindo que outra equipe represente o Barra Mansa nas competições femininas, preservando a tradição e a presença do clube na modalidade enquanto não há condições financeiras para sustentar um projeto independente”. O caminho de ‘alugar a camisa do Leão’ enquanto o dinheiro não chega é semelhante ao que o Voltaço tentou ao estruturar as categorias de base femininas três anos atrás. “Foi retirado o patrocínio, e a gente também ficou na rua da amargura”, diz Sabino Cunha, 70, ex-coordenador do Voltaço feminino.

Cunha também esteve à frente das ‘Guerreiras de Aço’, que conquistaram o Campeonato Carioca de 2009, junto ao técnico Almir Guedes, falecido em março deste ano. “Almir era um cara batalhador dentro e fora dos campos, um técnico de cobrança forte e de quem todas as meninas gostavam. O Sabino é grande no tamanho e no coração. Eles abraçaram o futebol feminino, vimos de perto o sufoco que eles passaram para manter a equipe. Só tenho a agradecer a eles pelo que fizeram por nós”, lembra Mariana Cabral, 43, professora de educação física.

A volante desembarcou no Voltaço depois de passar cinco anos no Vasco, onde chegou a jogar com a multicampeã Marta. “Nesta época, joguei no Vasco até o rompimento do ligamento cruzado no joelho esquerdo, aí parei por um tempo, até a criação do Volta Redonda, quando fui convidada a jogar, após me recuperar”, detalha. A campeã de 2009 permaneceria até o encerramento do time, no final de 2012. “Foi muita tristeza, porém, foi uma equipe que criou nome e respeito no futebol feminino, e gostaríamos de dar continuidade”, lamenta.

A ascensão e o declínio têm a ver com a participação da prefeitura, mas também com a não adesão de novos parceiros para sustentar o crescimento do projeto. “A Prefeitura com o prefeito Neto nos apoiou junto ao clube, e contratamos jogadoras de ponta. Nós tivemos aqui nove jogadoras com passagem pela seleção brasileira, trouxemos mulheres que jogavam em clubes como Milan, da Itália, Internacional, São José, Santos, Atlético Mineiro; formamos uma equipe fortíssima, que foi campeã carioca. O único título do Volta Redonda FC de campeão estadual da Ferj é das meninas, das mulheres”, dispara Sabino.

As meninas do Voltaço alcançariam outras façanhas, como a Copa Coca-Cola sub-15 de 2011, sem saber que o projeto seria ‘derrotado’, com a retirada dos investimentos da Prefeitura. Neto, no entanto, alega que o Voltaço assistia de camarote ao crescimento do futebol feminino sem novos parceiros e com a Prefeitura arcando com a maior fatia dos investimentos. “A Prefeitura contribuiu para que o projeto do futebol feminino pudesse se desenvolver e alcançar importantes resultados. Com o passar dos anos, no entanto, houve mudanças no cenário financeiro e no próprio projeto, exigindo uma readequação dos investimentos municipais”, explica.

Neto vai além. Lembra que a Prefeitura apoia competições de futebol feminino e revela que o Raulino de Oliveira estará à disposição da CBF e da Fifa para a Copa do Mundo de 2027. Neto também não descarta novas parcerias para viabilizar o ‘Voltaço de saias’, mas salienta que “qualquer iniciativa depende da apresentação de um projeto consistente, da viabilidade financeira, dos aspectos legais e da possibilidade de construção de parcerias, inclusive com a iniciativa privada”. O que Sabino garante já ter proposto para a diretoria do clube, que, segundo ele, concorda em ‘alugar a camisa e o nome do clube’, desde que haja patrocínio para custear o time, incluindo a comissão técnica.

Com o encerramento do Voltaço feminino, diversas atletas foram brilhar em outros gramados, no Brasil e no exterior. “Temos a Maitê, que até pouco tempo estava na Seleção Brasileira, joga no Internacional. A Diana, que está no Palmeiras; a Carol, que está no Barcelona; a Dani, que joga no Roma, na Itália. Nós temos a Rodriguinha, que está na Grécia”, relata Sabino.

Após outra lesão, desta vez no joelho direito, Mariana decidiu pendurar as chuteiras profissionalmente, mas disputa competições universitárias e municipais. Atualmente, ela é técnica da equipe de Vassouras de futsal, que está jogando o estadual de futsal adulto feminino. Apesar da determinação, ela reconhece que investimento para o futebol feminino é muito difícil, ainda mais para o interior: “Não ter bases aqui no interior é ruim para a menina que queira se tornar profissional. Dificulta muito até para os clubes maiores saberem que há meninas, no interior, boas de bola”.

Mãe do jovem Piettro, uma das promessas do masculino sub-15 do Resende, Mariana ainda carrega um pouco da menina que chegou a São Januário, aos 13 anos, com fome de bola e o sonho de brilhar nas quatro linhas. “Peço que as meninas não desistam nunca. São elas que vão continuar esse legado e, quem sabe, o futebol feminino, com mais uma Copa, principalmente no Brasil, tenha mais apoio e incentivo a mulheres jogando bola”.

Manipulação on-line

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Aluno criou mais de 500 imagens de alunas e professoras utilizando a IA; Renan defende ensino ético da tecnologia na rede municipal

Mateus Gusmão 

Um acaso do destino escancarou um dos grandes problemas dos tempos modernos. Bastou um computador ficar aberto na sala de informática, com o WhatsApp de um aluno logado, para revelar um caso que chocou a comunidade do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Campus Volta Redonda, localizado no Aterrado. Alunas e professoras descobriram que tiveram suas fotos manipuladas por um estudante, com auxílio da inteligência artificial, para criar imagens falsas de teor íntimo. De forma inesperada, elas souberam que haviam se tornado vítimas de uma nova modalidade de violência digital.

O caso, que provocou indignação entre estudantes, servidores e familiares, reacendeu o debate sobre os limites do uso da inteligência artificial e os riscos que ferramentas cada vez mais acessíveis representam para a privacidade, a dignidade e a segurança das pessoas. Se antes a manipulação de imagens exigia conhecimentos técnicos, hoje, aplicativos capazes de criar montagens realistas estão ao alcance de qualquer pessoa. Até de crianças. 

A investigação começou quando as imagens foram encontradas em um computador do laboratório de informática do IFRJ. O equipamento foi utilizado por um estudante de 17 anos, que não teve a identidade divulgada e teria como alvo colegas e professoras. A denúncia mobilizou a comunidade acadêmica, levou à realização de protestos e abriu uma discussão que vai além do episódio: como impedir que a inteligência artificial seja utilizada para violar direitos e transformar pessoas em vítimas de crimes digitais?

Em 2024, o vereador Renan Cury (PP) conseguiu aprovar na Câmara de Volta Redonda a Lei Municipal nº 6.446/2024, para incentivar o ensino da inteligência artificial na rede municipal, com ênfase no uso ético da tecnologia. A legislação, no entanto, nunca saiu do papel. “O que aconteceu no IFRJ de Volta Redonda é revoltante e precisa ser tratado com toda a seriedade. Se as investigações confirmarem os fatos, os responsáveis devem ser punidos com o máximo rigor previsto na lei. Ninguém pode usar a tecnologia para humilhar, constranger ou destruir a dignidade de outra pessoa”, disparou.

Segundo Renan, a inteligência artificial é uma ferramenta extraordinária, capaz de salvar vidas, melhorar a educação, impulsionar a inovação e preparar os jovens para o futuro. “Mas, nas mãos erradas, pode ser usada para cometer crimes e causar danos irreparáveis”, destacou, ressaltando que foi justamente por esse motivo que apresentou o projeto para incentivar o ensino da IA nas escolas.

“A proposta vai muito além de ensinar a usar a tecnologia. Ela busca preparar nossos estudantes para compreender as oportunidades da inteligência artificial, mas também seus limites, seus riscos e as consequências do uso indevido, combatendo práticas como a desinformação, o plágio e outras condutas que violam direitos. É pela educação que formamos cidadãos capazes de usar a tecnologia para construir, e não para destruir”, completou.

Renan também ressaltou que não deve-se demonizar a inteligência artificial, mas sim educar os internautas para seu uso responsável e combater com firmeza quem a utiliza para praticar crimes. “Minha solidariedade às vítimas e às suas famílias. Que as investigações avancem com rapidez, que os responsáveis respondam por seus atos e que esse caso sirva de alerta: a tecnologia deve ser usada para construir um futuro melhor, nunca para ferir a dignidade de ninguém”, concluiu.

Já a professora Mônica Correa, ex-diretora-geral do Colégio Estadual Rio de Janeiro, na Sessenta, afirma que casos de manipulação de imagens estão se multiplicando, o que acende um alerta para pais e educadores, principalmente porque muitos envolvem adolescentes. “Sempre que recebo uma notícia como essa, penso no papel da escola diante de um assunto tão sensível. Estamos falando de adolescentes que não têm maturidade emocional para lidar com o impacto que tudo isso pode causar na vida das vítimas e até mesmo do autor das manipulações. O assunto vai além dos muros da escola e envolve três esferas: escola, família e autoridades. O acolhimento de todos os envolvidos é fundamental”, comentou.

Segundo a professora, a escola precisa se organizar e incorporar ao projeto político-pedagógico práticas relacionadas ao tema, desde atividades cotidianas até a criação de termos de compromisso e regras nos regimentos internos, prevendo sanções pedagógicas, a fim de promover entre os alunos o entendimento de que seus atos podem gerar responsabilizações futuras. “Também é fundamental envolver as famílias em todas as atividades, reuniões e projetos, alinhando o acompanhamento familiar ao desenvolvimento escolar dos jovens”, acrescentou.

Para Mônica, a família exerce papel essencial nesses casos, já que o acesso às tecnologias costuma ser oferecido, em um primeiro momento, dentro de casa. “Quando família e escola caminham juntas, a chance de sucesso é sempre maior. Os professores podem traduzir, em linguagem adequada às diferentes disciplinas, a importância de respeitar o ser humano em sua integralidade”, destacou.

“Ainda chamo a atenção para a saúde mental dos jovens, em tempos de redes sociais tão atrativas. Muitos casos são identificados no ambiente escolar, sendo necessário suporte externo para que os alunos sejam acolhidos de forma adequada”, pontuou a professora. Ela também defende que o Poder Público implemente a educação digital de forma permanente nas escolas, fortaleça os regimentos internos e forneça aos pais informações para orientar os filhos sobre os riscos do uso inadequado da tecnologia e as possíveis responsabilizações.

Manifestação

Diante da gravidade do caso, estudantes do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) realizaram uma manifestação na segunda, 29. O ato reuniu alunos, professores e familiares em frente à unidade. Em seguida, os participantes caminharam até a Câmara de Volta Redonda. A direção do Campus Volta Redonda do IFRJ emitiu uma nota oficial na qual repudiou quaisquer atos de misoginia, violência de gênero e crimes cibernéticos que atentem contra a dignidade, a privacidade e os direitos da comunidade acadêmica.

“Reafirmamos nosso compromisso com um ambiente seguro, ético e respeitoso. Todas as denúncias serão rigorosamente apuradas, seguindo a legislação vigente e os trâmites institucionais, com os devidos encaminhamentos às autoridades competentes, quando necessário”, diz a nota. O estudante investigado permanece suspenso até a conclusão da apuração.

O Grêmio Estudantil do IFRJ também se manifestou por meio de nota, afirmando que defende uma escola segura, respeitosa e livre de qualquer forma de violência. “Não nos calaremos diante de situações que atentem contra a dignidade de estudantes. Seguiremos acompanhando este caso, cobrando transparência, responsabilidade institucional e uma apuração séria, sempre com respeito ao devido processo legal e às eventuais vítimas”, afirmou.

A entidade também destacou que luta para que nenhuma estudante tenha medo de frequentar a escola e que misoginia, assédio, cyberbullying e qualquer outra forma de violência não encontrem espaço no IFRJ. “Não aceitaremos o silêncio. Não aceitaremos a omissão. Não aceitaremos a impunidade”, concluiu.

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