terça-feira, agosto 11, 2026
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Físico, mas nem sempre

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Banco Porto Real teve agências, mas elas desapareceram bem antes da venda ao Nubank; entenda

Pollyanna Xavier

 A compra do Banco Porto Real de Investimentos pelo Nubank reacendeu uma discussão nas redes sociais: afinal, o banco tinha ou nunca teve agências físicas? A resposta é que as duas versões estão corretas, desde que se olhe para momentos diferentes da história da instituição. Segundo apurado pelo aQui, o Banco Porto Real foi criado em 1992 e atuava como um banco comercial. Tinha agências físicas em Volta Redonda e em algumas cidades da região, como Resende e a própria Porto Real. Daí surgiu a polêmica dos leitores – alguns, inclusive, ex-correntistas ou funcionários da instituição.  

Só que o Banco Porto Real de Investimentos nunca teve agência física. E é aí que mora a confusão. As agências pertenciam ao antigo Banco Porto Real. Quando a instituição passou a operar como banco de investimento, com natureza jurídica diferenciada, elas foram fechadas. Isso aconteceu porque, de acordo com o Banco Central, esse tipo de instituição não tem a mesma função de um banco comercial e nem pode prestar serviços bancários tradicionais ao público. Sua atuação é voltada, principalmente, para operações estruturadas, mercado de capitais, administração e participação em investimentos, além da concessão de crédito direcionado à atividade produtiva. 

As agências do Banco Porto Real foram fechadas no final dos anos 90. Em Volta Redonda, por exemplo, o banco funcionava em um imóvel na Vila, na mesma calçada da Secretaria Municipal de Assistência e Prevenção às Drogas (Semapred), na Rua 16. Após o encerramento das atividades, o prédio virou um templo da Igreja Universal. Em Porto Real, a antiga agência deu lugar ao Banco do Brasil, que, anos depois, também encerrou as atividades. Atualmente, o imóvel abriga uma escola de cursos técnicos à distância.

Já em Resende, o prédio que sediou a agência na década de 1990, no Campos Elísios, hoje é ocupado por uma unidade do Magazine Luiza. Como banco de investimentos, o Porto Real está instalado em um imóvel comercial no bairro Nova Colônia, em Porto Real. Não realiza atendimento ao público e seu funcionamento é estritamente como o de uma instituição de investimento. 

Outra informação apurada pelo aQui é que o Banco Porto Real de Investimentos pertence ao segmento S4 no Banco Central. Na prática, isso significa que ele não é considerado de importância sistêmica e está enquadrado entre os bancos de menor porte dentro da segmentação prudencial adotada pelo BC. Seus créditos, por exemplo, incluem exposição total inferior a 0,1% do PIB brasileiro. Mas isso não afastou o interesse do Nubank. Muito pelo contrário. O principal ativo da instituição não era o tamanho da operação, mas a licença bancária concedida pelo Banco Central. E, mesmo enquadrado no segmento S4, o Banco Porto Real de Investimentos nunca esteve livre da fiscalização do BC, nem das exigências regulatórias aplicáveis às instituições financeiras.  

A parte boa é que, com a incorporação ao conglomerado do Nubank, a tendência é de que esse enquadramento deixe de considerar apenas o Banco Porto Real e passe a refletir a estrutura do grupo ao qual ele será integrado, conforme a organização societária aprovada pelo Banco Central. As informações foram apuradas junto ao BC. 

Relação com a Rica

Um dos pontos questionados por leitores do aQui, inclusive através de mensagens enviadas ao WhatsApp do jornal, diz respeito ao perfil do atual controlador do Banco Porto Real de Investimentos. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou a mudança do controle societário da instituição para a LPGR Participações S.A., tendo como controlador final o empresário Luiz Phillippe Gomes Rubini. O nome dele é conhecido no meio empresarial por ter sido sócio do Grupo Fictor, que chegou a negociar a compra do Banco Master e também arrendou as granjas da Rica no Sul Fluminense. Conforme já noticiado pelo aQui, as granjas foram posteriormente devolvidas ao grupo Reginaves Indústria e Comércio de Aves Ltda, proprietário da marca Rica, após o Grupo Fictor pedir recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. 

Quanto à mudança de controle do Banco Porto Real de Investimentos, ela ocorreu há cerca de um ano, antes do anúncio da venda para o Nubank. O aQui teve acesso aos documentos que comprovam a alteração societária da instituição. Até o momento, porém, não há qualquer informação pública que estabeleça relação entre o Master, o Nubank e o Banco Porto Real de Investimentos. Os fatos conhecidos e publicados nesta reportagem e na primeira matéria do aQui sobre o tema (edição n.º 1516) mostram apenas a sequência cronológica das operações societárias registrada em documentos oficiais do Banco Central.

O Nubank deverá divulgar seu próximo balanço financeiro na quinta, 13, depois do fechamento do mercado. A expectativa é de que o grupo comente a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos e apresente as estratégias para a instituição daqui para frente. A conferir.  

‘Pétalas Esparsas’

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Júlia Tardem, professora e advogada, lança seu primeiro livro

Ela tem apenas 90 anos. É professora, advogada e cidadã barra-mansense, título que recebeu em 2017. Ontem, sexta, 7, Júlia Tardem lançou o livro ‘Pétalas Esparsas’ (Editora PoeArt, 2026) durante evento realizado na Biblioteca Municipal de Barra Mansa, com direito a autógrafos para os convidados, que lotaram a casa.

A obra reúne, em nove partes, reminiscências, crônicas, poesias, contos, palestras, trovas e um acervo iconográfico produzidos ao longo de mais de sete décadas – desde os primeiros textos publicados nos anos 1970 nos jornais ‘O Líder’ e ‘O Sul Fluminense’ até escritos inéditos guardados por décadas. Fundadora do Grêmio Barramansense de Letras (Grebal), Júlia teve um conto premiado entre os dez melhores de um concurso literário em 1979 e poesia publicada na 1ª Antologia Poética dos Advogados Fluminenses, em 1988.

Nascida em Manaus em 1935, radicada em Barra Mansa desde 1959, Júlia formou gerações de alunos como professora de Língua Portuguesa, Inglesa e Literatura Americana, entre outras instituições no Colégio Estadual Baldomero Barbará, Colégio Nossa Senhora do Amparo e UBM, além de atuar em secretarias do Governo do Estado do Rio de Janeiro na área editorial. É graduada em Letras e em Direito.

“Há sonhos que amadurecem em silêncio. Durante muitos anos, guardei palavras, lembranças e poesias entre cadernos, recortes e folhas soltas. Hoje, tenho a alegria de compartilhá-las com vocês em Pétalas Esparsas”, pontuou

Salto para o céu

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Esporte radical se despede de Adelino, expoente do rope jump na região

Walter Barros

Dizem que “a gente leva da vida a vida que a gente leva”. Essa é uma das máximas que Adelino Martins parece ter tatuado na alma. Praticante de rope jump (pêndulo humano) de Limeira (SP), tratando um câncer, Adelino faleceu no último dia 28 de julho, aos 55 anos, deixando esposa e quatro filhas. Mas o legado de ‘Veinho’ permanece vivo, através dos integrantes do grupo ‘A Vida nas Cordas’ e da legião de amigos que ele fez por onde passou, incluindo o Sul Fluminense, já que Barra Mansa era um dos locais de atuação do esportista.

“Quero agradecer a todo mundo que está aqui, pra gente fazer com que esse rolê seja positivo. Nossa ideia sempre foi essa, a gente tem várias pessoas que vêm aqui com medo de altura, com síndrome do pânico, com depressão. A galera sai com a vida renovada daqui”, dizia Adelino em um vídeo que antecedia um dos seus eventos. Uma realidade que ele sentiu na pele em 2017, quando começou a praticar o esporte enquanto vivia uma depressão.

Naquele ano, Elaine Deslandes viu pelo Facebook o desabafo de Adelino sobre a doença, sem imaginar que havia encontrado o amor de sua vida. “Chamei ele no Messenger e coloquei um versículo bíblico, eu não queria paquerar, nada disso. Ele morava em Limeira, trabalhava em Campo Grande (MS). Eu fui lá conhecê-lo e começamos a namorar. Depois de quatro anos, montamos ‘A Vida nas Cordas’, e ele conquistou o sonho dele”, revela Elaine. 

Ela aproveita e descreve Adelino como alguém disposto a ajudar as pessoas, sem querer nada em troca, um líder amigo. “Vamos sentir muita falta dele, mas ele deixou um legado, que é a equipe dele, um sonho que teve. Ele amou o esporte e falou ‘vamos continuar, que a vida não para’”, diz Elaine, de forma bem emocionada.

Quem conviveu com o praticante de rope jump relata que os ensinamentos de Adelino não eram somente sobre cordas; suas palavras motivavam as pessoas a se atirarem para a vida, transcendendo os saltos das alturas. “O Adelino era o paizão da equipe. Apesar de ser o mais velho, era ele quem botava pilha nas brincadeiras e doideiras; era quem nos incentivava a viver mesmo e sentir adrenalina! Mas ensinava como funcionava, para sabermos o que estávamos fazendo. Sempre nos ensinando o que ele sabia, sobre cordas, sobre a vida mesmo. Uma coisa que ele dizia muito era para vivermos, porque morrer é só uma vez. Mas viver é todos os dias”, lembra Larissa Christina, 28 anos.

A guia de turismo de Resende conheceu Adelino em 2022, quando fez seu primeiro salto da Ponte do Glicério, em Barra Mansa. “Agradeço muito por tudo o que ele me ensinou, pelas conversas, pelo carinho e, principalmente, pela família que ele uniu. Quando tinha evento, a parte mais legal era depois dos saltos. Quando todo mundo sentava, descansava, conversava e comia muito”, acrescenta a integrante do grupo ‘A Vida nas Cordas’.

“O que fica é a saudade e a gratidão de poder ter participado dos melhores e últimos dias da vida dele. Até no domingo, dois dias antes de sua partida, estávamos reunidos na casa dele, para comemorarmos o aniversário dele. Creio que ali ele descansou, porque viu quem estava segurando sua mão”, conta Gabriela de Lima, 33. 

A moradora de Indaiatuba (SP) conta que conheceu Adelino no ano passado, quando se atirou pela primeira vez da Ponte do Esqueleto, em Limeira. O local ficou nacionalmente conhecido em junho deste ano pela morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, decorrente da falha de uma outra equipe, pela não ancoragem da corda à jovem.

Antes de conhecer Adelino, Gabi já trocava olhares com Dreikson, o DK, instrutor do grupo ‘A Vida nas Cordas’, até começar a namorá-lo. “Conheci o Adelino sem querer, na Ponte do Esqueleto. Tinha um grupo de amigos na ponte no dia e eu e o Dreikson passamos por lá. Falei numa brincadeira que eu iria me casar com o amigo dele. Hoje estamos noivos e, infelizmente, ele não estará presente em vida no nosso casamento”, lamenta. 

Gabi descreve Adelino como um pai, uma referência, um herói, “aquele que pulava na bala, acreditava em nós, que ajudou muitos a sair da depressão, a enxergar o mundo de forma diferente”, um amigo que permanece vivo dentro de sua própria existência. “Obrigada pela oportunidade de falar sobre o Veinho. Na verdade, cada um teve um pedacinho do Adelino que merecia”, emenda. 

O rope jump que fez Gabi e Dreikson se conhecerem também conferiu a Adelino o papel de ajudante de cupido. Uma história iniciada há mais de oito anos, quando outro amigo levou DK para a Ponte do Esqueleto. “Fui lá para perder o medo de altura e acabei saltando seis vezes naquele dia”, conta. No local, Dreikson conheceu Adelino, criando uma amizade que sobreviveria ao fim da equipe da qual eles faziam parte. “Ele saiu dessa equipe para montar ‘A Vida Nas Cordas’. Depois de um tempo, eu fui removido da equipe da qual fazíamos parte, eu estava desconjurado. Um sem rolê para eu colar. Ele fez um evento, me convidou e virou minha chave. A partir desse momento, minha vida mudou completamente”, acrescenta.

DK exalta Adelino como o pai que criou quatro filhas praticamente sozinho: “Ele foi um pai e uma mãe fenomenal, ensinou tudo da vida para as meninas, ele se desdobrou”, dispara. Mas Dreikson também exalta Adelino, que fez das cordas uma espécie de laço de uma grande família, que o abraçou até o salto derradeiro. Isso é o que se percebe em uma de suas últimas mensagens a Gabi: “Os remédios me destroem. Ainda bem que tenho minha família comigo, minhas filhas, Elaine e vocês. Tu não tem noção como sou grato”, escreveu. Assim, Adelino partiu, saltou para o céu, deixando saudade, ensinamentos e um pedaço dele dentro de cada um que não soltou sua mão, como as cordas que amarram e, ao mesmo tempo, libertam a vida. Vá em paz. Até um dia, Veinho.

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