quinta-feira, novembro 5, 2026
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É crime

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Apesar de a comercialização de benefícios como ‘vale-restaurante’ e ‘vale-alimentação’ ser caracterizada como crime de estelionato e punível até mesmo com a demissão por justa causa, a prática é bastante comum entre os trabalhadores brasileiros. De acordo com um levantamento realizado em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), três em cada dez (30%) consumidores já venderam o ticket refeição que recebem de seu empregador, mesmo que ocasionalmente (15%). Para 14%, essa é uma prática frequente. Os que declararam nunca recorrer a essa prática somam 44% dos entrevistados, ao passo que 26% não recebem o benefício.

 

O levantamento demonstra que há uma série de razões para explicar esse comportamento de vender o ticket refeição, todas elas ligadas de alguma forma a necessidade de consumir ou aumentar a renda pessoal. Na avaliação dos próprios entrevistados, 29% tomam essa atitude para complementar a renda e 25% para realizar compras no dia a dia. Outros 22% o fazem para pagar contas ou dívidas e 22% poupam o dinheiro que recebem em troca.

 

“Além de ser uma prática ilícita, tanto para quem vende quanto para quem compra, trocar o ticket refeição por dinheiro é mau negócio, pois sempre existe um percentual de desconto exigido pelo comprador, o que faz com que com o consumidor perca parte do valor real do benefício. Segundo a legislação trabalhista, é um benefício que deve ser utilizado exclusivamente para alimentação em restaurantes ou fazer compras em supermercados”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

 

O mesmo estudo ainda mostra que parte considerável dos trabalhadores não exerce qualquer controle sobre o uso do vale-refeição ou vale-alimentação. Mais de um terço dos consumidores (36%) não costuma analisar os gastos que fazem com esse benefício contra 39%, que são mais cuidadosos nesse sentido.

 

Reflexo dessa falta de controle, muitos chegam ao fim do mês com o saldo do ticket refeição zerado. De acordo com o levantamento, 17% dos consumidores extra-polam com frequência o valor que recebem por mês e 21% as vezes incorrem nesse tipo de comportamento. Os que sempre gastam o valor dentro do limite estabelecido somam 39% da amostra. Em cada dez que extrapolam o valor do vale-refeição, três (30%) justificam que a quantia recebida é muito baixa se comparada ao preço médio dos restaurantes na região em que trabalham.

 

Outra constatação é que 49% dos entrevistados gastam, ainda que ocasionalmente, o valor do ticket-refeição com outras finalidades além do almoço nos dias de expediente, como café da manhã e lanches em padarias, saídas aos fins de semana, entre outros gastos relacionados ao lazer, e por isto o valor acaba antes do fim do mês.

 

O educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, explica que administrar os gastos com o ticket-refeição é importante e faz parte da boa gestão do orçamento pessoal. “O Ticket restaurante pode ser considerado uma parte da renda do trabalhador. Portanto, deve ser gerido com sabedoria, da mesma forma que se faz com o salário. É preciso estipular metas diárias de gastos, respeitar esse limite e acompanhar o saldo. Se necessário, deve-se apertar o cinto, escolher restaurantes mais baratos, evitar sobremesas, bebidas. Tudo para evitar que as despesas com alimentação ultrapassem o valor previsto no benefício e extrapolem as despesas mensais do trabalhador”.

Confira 7 dicas para economizar no vale-refeição

  1. Saiba o limite que possui no vale-refeição e controle o valor diariamente. As empresas fornecedoras desse benefício geralmente possuem aplicativos para celular. De modo fácil e rápido, pode-se conferir quanto possui de saldo e também a média de quanto gastar por refeição até a data de recebimento do próximo benefício.

 

  1. Cuidado com o hábito de usar seu ticket para pagar jantares, bares e até compras no mercado. Lembre-se que o valor é para custear seus almoços, feitos durante o expediente. Essa prática faz com que o dinheiro acabe antes do fim do mês. Se gastar com outras finalidades, terá que compensar de alguma forma, reduzindo custos nos almoços durante a semana.

 

  1. Não se iluda pelo tamanho do prato em restaurantes por quilo. Como o prato muitas vezes é maior nesse tipo de restaurante, o consumidor pode achar que tem pouca comida e acabar pegando mais e desperdiçando. Para não cair na pegadinha, coloque os alimentos apenas na região central do prato, sem utilizar as bordas.

 

  1. Sempre que possível, evite comprar bebidas e sobremesas, que costumam ser mais caras nos restaurantes. Além disso, vale evitar o cafezinho. Deixe para tomar quando retornar à empresa, onde a bebida geralmente é de graça.

 

  1. Faça um reconhecimento do terreno ao redor do seu trabalho, ou seja, caminhe para um pouco mais longe, vendo se há lugares bons e mais baratos. Especialmente nos grandes centros comerciais, os preços costumam ser mais salgados.

 

  1. Para atrair mais clientes, alguns restaurantes têm programas de fidelidade, que dão brindes ou descontos após um determinado número de refeições naquele lugar. Isso ajuda a economizar;

 

  1. Outra dica é procurar comer em horários alternativos. Alguns quilos oferecem desconto após, por exemplo, as 14 horas, quando o movimento cai bastante.

Metodologia

Foram entrevistados 805 consumidores acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro é de no máximo 3,5 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%. Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

‘Histórias de Princesas’

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Roberto Marinho

A epidemia moralizadora que envolve o Brasil colocou Volta Redonda em foco na mídia nacional e até internacional. Pior. Foi por motivos nada nobres: a proibição de um livro de contos africanos, que tem princesas negras como protagonistas. Na obra, elas são tradição ketu e representam Oxum, Oiá, Ajê Xalugá, Olocum, Oduduá e Iemanjá – todas entidades femininas das religiões afro-brasileiras. O fato ocorreu na escola mantida pelo Sesi, no Aterrado.

 

Tudo começou quando alguns pais reclamaram do que consideraram uma censura, e a direção da unidade prontamente enviou um comunicado a todos prometendo apresentar outro título para substituir o livro “Omo-Oba: Histórias de Princesas (Mazza Edições, 2009)”, escrito pela professora Kiusam de Oliveira.

 

Inconformada com a decisão, uma das mães, que também é professora e cujos filhos são negros, colocou o comunicado da escola sobre o livro nas redes sociais, e rapidamente a postagem viralizou. “Sempre que me deparo com esse tipo de ques-tionamento, o sentimento é de perplexidade. Não falo apenas pelos meus filhos negros, mas para além da necessidade imediata da visibilidade afro-descendente, precisamos formar pessoas que se sensibilizem e busquem uma sociedade mais justa”, justificou Juliana Pereira de Carvalho.

 

A postagem foi feita no domingo, 18, e até ontem, sexta, 23, conta-bilizava mais de 3,5 mil curtidas e outros 5.996 compartilhamentos. O caso tomou uma proporção tão grande que, além de jornais da capital fluminense, veículos estrangeiros que atuam no Brasil, como The Intercept e El País, fizeram extensas matérias sobre o ocorrido, destacando o papel de Juliana na história.

 

Neste meio tempo, a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que gerencia a rede Sesi) desautorizou a unidade de Volta Redonda. “A Escola Sesi de Volta Redonda cometeu um erro ao anunciar livro opcional à obra”, justificou. Além disso, a Firjan afirmou que a direção do Sesi de Volta Redonda se reuniria com os pais e ainda faria um evento para tratar da questão ‘diversidade’.

 

A autora do livro, Kiusam Oliveira, que é professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e trabalha com formação de docentes há mais de 15 anos, conversou com exclusividade com o jornal aQui, e confirmou que virá a Volta Redonda, provavelmente em abril, a convite da direção estadual do Sesi, que entrou em contato com ela para se desculpar. “Eu aceitei a retratação, afirmando que os danos são irreparáveis, desde que o Sesi me levasse para o Rio de Janeiro, onde eu pudesse estar à frente de um processo de formação para os professores da rede, contar histórias para as crianças, e conversar com os pais”, disse ela, que completou: “E isso parece que vai acontecer em abril, em um grande evento que eles já tinham programado. Estou confiando que entrarei nessa programação, conforme foi combinado na tarde de ontem (segunda, 19), por telefone”, completou.

 

Kiusam – que é Doutora em Educação, Mestre em Psicologia, especialista em temáticas étnico-raciais, contadora de histórias e professora de danças afro-brasileiras – afirmou que o trabalho dela com formação de professores gerou uma grande rede de amigos, o que ajudou na repercussão do caso. “Eu trabalho com formação de professores há 15 anos, viajando o Brasil inteiro, e nestes 15 anos fiz muitas amizades, pautadas em um respeito profundo à dignidade humana. E quando isso acontece, do fundo do coração, reverbera. E é isto que está acontecendo, reverberando”, pontuou.

 

A autora ressaltou que o livro “Omo-Oba: Histórias de Princesas” foi escolhido após “um processo de seleção intenso” feito pelo Sesi, e que a decisão de substituir o livro foi tomada unicamente pela gestora da unidade Volta Redonda. “Equivocadamente”, avaliou. “O título foi escolhido como livro paradidático (complementar, grifo nosso) para 15 escolas da rede Sesi. Portanto, o que aconteceu foi algo à parte, independente de ter sido tocado, equivocadamente, por uma das gestoras, que acabou resolvendo do jeito dela uma situação de conflito, e acabou dando no que deu”, afirmou.

 

Kiusam garante que apesar da repercussão, ninguém da unidade do Sesi de Volta Redonda a teria procurado: “O que eu acho bastante preocupante, porque era o mínimo de decência em relação a tudo isso, não é? Isso não aconteceu (faz uma longa pausa), e aí eu temo de fato pelas vidas das crianças negras na mão de profissionais que não dão conta da diversidade”, avaliou.

Kiusam disse que a tentativa de substituir o livro – que tem como objetivo colocar princesas negras como protagonistas de histórias, dando uma referência para as crianças negras nos colégios – pode, na avaliação dela, colocar em xeque a própria LDB (Lei de Diretrizes e Bases), que rege o conteúdo do currículo escolar, e tem o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas como uma das suas diretrizes (leis 10.639/03 e 11.645/08).    

 

“Nesse sentido eu fico pensando que há um caminho muito árduo, muito duro, para formação de profissionais da Educação, até porque a LDB é que acaba sendo questionada, de uma forma que ela não é em outros casos. Esse é o grande problema: nós temos uma lei que as pessoas não dão conta de aplicar em sua essência”, aponta.  

Sesi: ‘Encaminhamento equivocado’

O gerente de Educação Básica do Sesi Rio, Giovanni Lima, conversou com o aQui e reconheceu que o encaminhamento da equipe em Volta Redonda teria sido equivocado, e que o livro Omo-Oba permanecerá sendo usado na escola e em todas as outras unidades do Sesi no estado. “Antes de tudo, devemos salientar que foi um encaminhamento equivocado, no qual, na escola, após o posicionamento de alguns pais que não se sentiram à vontade com o livro adotado, foi indicado que seria dada uma sugestão de um livro opcional, que tratasse do mesmo tema. Mesmo que a situação ficasse restrita ao ambiente escolar, este não é o procedimento orientado pelo Setor de Educação Básica e a situação seria: o único livro adotado para discussão do tema, junto a todos os alunos da série, permanece o mesmo, ou seja, Omo-Oba”.

 

O gerente de Educação Básica também afirmou que o livro foi adotado nas 14 escolas do Sesi no estado, e que “a única situação diferenciada” teria sido a de Volta Redonda. “Nem deveria ter acontecido, pois nunca foi cogitada a possibilidade de mudança do livro”, afirmou Giovanni, que confirmou que toda a direção do Sesi de Volta Redonda tinha conhecimento da nota enviada aos pais.

 

“Em reunião com a equipe, deixamos de forma mais clara que este procedimento, de oferecer opção ao livro paradidático adotado, não é condizente com nosso projeto pedagógico”, disse ele, pontuando: “O livro “Omo-Oba: Histórias de Princesas” será utilizado. Nunca se cogitou sua exclusão”, garantiu.

 

Giovanni também confirmou que a autora do livro, a professora Kiusam de Oliveira, foi convidada para participar de encontro sobre diversidade e multiculturalismo que será realizado na escola. “Em breve a escola promoverá um encontro para debate sobre diversidade e multiculturalismo com toda a comunidade escolar. Fizemos contato com a professora Kiusam no mesmo dia para esclarecer o equívoco, oportunidade em que foi feito um convite informal para que ela, dependendo de sua agenda, participe de ações ligadas ao tema na escola. Ela, de forma muito gentil, se disponibilizou, o que para nós é importante”, disse ele, reafirmando que nunca foi cogitada a exclusão da obra, “pelas inúmeras possibilidades de produção de conhecimento que a obra pode determinar”, complementou.

 

Paralelo ao debate, Juliana, a mãe que tornou pública a questão, segue recebendo os cumprimentos nas redes sociais por sua coragem e iniciativa de denunciar o que julgou ser discriminação. Uma das manchetes – de um jornal estrangeiro que atua no Brasil – dá uma ideia do impacto da atitude da jovem: “Mãe negra impede censura a livro de cultura africana no Sesi”.   

 

‘Pra ontem’

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Pollyanna Xavier

A capa da edição 1088 (ver reprodução) do aQui não agradou a muita gente. O prefeito Samuca Silva, por exemplo, chiou, embora a reportagem – o despejo do Hospital Vita – não tivesse nada a ver com a sua gestão. Diretores da CSN também reclamaram do foco como se a siderúrgica fosse a única responsável pelo caos que ameaça a saúde das pessoas que vivem em Volta Redonda e ainda nas cidades vizinhas, chegando até a afetar moradores da Costa Verde. Sim, muitas pessoas de Angra dos Reis procuram atendimento com os médicos especialistas da cidade do aço.  

 

Ao invés de reclamar do jornal, deveriam se preocupar em ajudar a resolver o caso de forma bem rápida. “Pra ontem”, dizem os envolvidos. Hoje, quem vê o Hospital Vita em pleno funcionamento, apesar de toda a pendenga judicial entre o grupo e a CSN, não imagina que a engrenagem que o mantém ativo é movimentada por uma “corrente” de 19 empresas diferentes. São as terceirizadas que atuam há anos no Vita nos mais diversos tipos de serviços, desde prestadoras de serviços médicos até na limpeza da unidade.

 

A atuação destas empresas terceirizadas é tão importante que, nas negociações para a venda do Hospital Vita incluindo o imóvel do Laranjal, que pertence à CSN, seria um grande erro ignorá-las. Tem mais. A empresa que vier a se instalar no lugar do Vita pode encontrar muitas dificuldades se não mantiver os contratos já existentes.

 

Essa semana, o aQui foi atrás dos responsáveis por estas empresas terceirizadas. A intenção era saber quem eles são, o que fazem, quantos empregam, de onde são, e quanto pagam (de aluguel) ao Vita para atuarem dentro do Hospital. O resultado foi surpreendente: existem 13 empresas constituídas por médicos e seis por não médicos. Detalhe: todas são de Volta Redonda, com exceção de uma. As empresas médicas realizam dois tipos de serviços: um especializado, que são executados pelos laboratórios, banco de sangue e serviços de endoscopia; e outro de serviço médico propriamente dito, que é executado nas UTIs e Pronto Socorro. As de não médicos são as prestadoras de serviços de segurança, alimentação, nutrição, manutenção de equipamentos, manutenção civil, esterilização e lavanderia.

 

Durante a apuração, o aQui verificou que, apesar de o Grupo Vita ser o responsável pela gestão do hospital, o que se vê, na prática, é que o funcionamento geral da unidade é feito por estas 19 empresas que atuam lá dentro. “Sem elas, não existiria o hospital”, resumiu uma fonte que pediu anonimato. Segundo ela, todas as terceiras empregam uma média de 200 funcionários e a maior delas é a de nutrição, que terceiriza a alimentação dos empregados e pacientes do Vita. “A Nutrir é a maior empresa que está dentro do Vita hoje”, disse.

 

Estas empresas, lembra, repassam mensalmente ao Vita um percentual de seu faturamento ou de sua produção. Os valores são diversos, justamente porque depende de cada empresa e do serviço que ela presta. E, pasmem, o Vita não estaria repassando nenhum centavo dos valores que recebe à CSN. Ou seja, “sabia como a pendenga iria terminar”, dispara.

 

Ela vai além. Diz que as empresas, apesar de estarem no hospital executando os mais diversos tipos de serviço, não teriam sido chamadas, em nenhum momento, quando a direção da CSN decidiu encerrar as negociações com o Vita, iniciando o processo de venda ou aluguel do seu imóvel a outras redes do meio médico.  “Infelizmente, se a CSN rescindir o contrato com o Vita (o que, de fato, deve acontecer) todas elas (as 19 empresas, grifo nosso) terão que sair de cena”, contou a fonte.

 

Preocupada com o possível caos – sim, no sentido de desordem, como previu a capa do aQui –, a fonte explicou que a situação contratual das empresas terceirizadas precisa ser levada em conta na crise instalada entre o Vita e a CSN. Isto porque os contratos até podem ser rescindidos com aviso por uma das partes com até 30 dias de antecedência, caso haja um despejo. Porém, “as circunstâncias podem estimular demandas judiciais contra o Grupo Vita de São Paulo, por quebra imprevista de contrato antes do prazo de vigência”, avalia a fonte.

 

Para ela, as demandas judiciais aconteceriam, especialmente, por conta dos muitos prejuízos às empresas terceirizadas. Prejuízos trabalhistas, financeiros, operacionais e sociais.

Emergência

Ainda de acordo com a fonte, até o atendimento no setor de emergência do ainda Hospital Vita corre o risco de acabar. Ou de ficar suspenso por um período, caso a empresa que assumir o Hospital opte por não renovar o contrato com as empresas médicas que realizam o serviço de atendimento no Pronto Socorro e na UTI. “Em caso de despejo e fechamento do Hospital, o setor de Pronto Atendimento (clínico, cirúrgico, pediátrico, ginecológico-obstetrício e ortopédico) também fecha. Não haveria mais os cerca de nove mil atendimentos mensais que existem hoje”, calcula.

Centro Médico

A situação do Centro Médico do Vita, pontua a fonte, é muito semelhante a do hospital. É que o CM também corre o risco de ter seu atendimento paralisado, dependendo das negociações da CSN com as empresas interessadas em assumir o ‘negócio Vita’. No CM, o atendimento também é feito por empresas terceirizadas formadas por médicos. “O Centro Médico é parte importante na alimentação de serviços do hospital, como também do seguimento dos pacientes após atendimento no hospital. A gente espera que ele continue a funcionar”, comentou.

 

A fonte acredita que se o CM parar haverá uma correria, sem precedentes (o caos, grifo nosso), para os consultórios médicos particulares, comprometendo a qualidade no atendimento. “Em média, o Centro Médico atende 12 mil consultas por mês em 43 especialidades médicas diferentes. Caso seja fechado haverá uma demanda enorme para os consultórios com evidente estrangulamento de agendas e perda total da integração assistencial entre o Centro Médico e o Hospital”, analisou.

 

Outro detalhe importante sobre as terceiras que atuam no Hospital Vita é que em nenhuma delas, ou mesmo na equipe clínica do hospital, há a presença de executivos do Grupo Vita São Paulo. Na verdade, nunca teve. O Grupo paulista, segundo verificou o aQui, mantém apenas o nome e o contrato de concessão com a CSN, porque, na prática, toda a gestão do hospital é realizada, há anos, pela equipe executiva local. “A única questão que não envolve o Corpo Clínico é a ação judicial entre a CSN e o Vita São Paulo; de resto, é o Corpo Clínico que mantém a engrenagem”, concluiu a fonte.

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