terça-feira, maio 5, 2026
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Tudo novo

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Parquimetros VR (4)

Roberto Marinho

Uma das bombas anunciadas pelo aQui – são várias, e não apenas uma – foi detonada na tarde de quinta, 9, e envolve o novo estacionamento rotativo de Volta Redonda. Que deixará de ser explorado pelo Palácio 17 de Julho, passando a ser administrado por uma empresa, que vai nascer já com nome escolhido: VR Parking. Para que ganhe vida, precisará do aval dos vereadores e para isso, em breve, o prefeito Samuca Silva deverá encaminhar uma mensagem à Câmara para que ela seja apreciada, aprovada e possa entrar em vigor a partir de janeiro de 2018.

A expectativa do governo Samuca é aposentar de uma tacada só todos os parquímetros – franceses, que se frise – existentes. “Eles foram fabricados há mais de 20 anos, estão obsoletos”, justifica a assessoria do prefeito, garantindo que eles serão substituídos por um sistema totalmente digital, com direito a uso de um aplicativo próprio.

Tem mais e é o que interessa na prática. Diferente de hoje, o preço será fracionado, com a possibilidade de o motorista poder pagar para usar apenas 30 minutos, sem ter que pagar por uma hora inteira. Os preços – sem reajuste desde 2012, frisa o governo – vão mudar, é claro. Irão de R$ 1,50 (ruas transversais) a R$ 2,50 (ruas centrais da Vila, Centro e Aterrado). As motos pagarão R$ 1 em qualquer local. Detalhe importante: pelo aplicativo o usuário poderá renovar, online, o seu tempo de permanência na vaga, sem precisar ir até ao carro para ‘trocar o tíquete’.

E se o motorista for multado por estacionar sem pagar ou por ter ‘estourado’ o tempo, em até 24 horas ele poderá acessar o site do VR Parking ou procurar um dos pontos de venda para pagar o valor correspondente ao tempo de estacionamento que usou, livrando-se da multa. “É o fim da fábrica de multas”, prevê Samuca. “Só será multado quem quiser”, completa Maurício Batista, autor da opção de se permitir ao motorista pagar pela vaga que usou de forma irregular para não ser multado.

Outras novidades incluem a demarcação das vagas, que serão numeradas. Elas também serão aumentadas, passando de 1,7 mil para algo bem próximo de cinco mil vagas – 4.768, com variação de 10% para mais ou para menos, conforme informações da prefeitura.

Para aumentar o número de vagas e a rotatividade, com mais gente usando a mesma vaga, o VR Parking terá que cobrar o estacionamento em lugares onde ele hoje é de graça – nas ruas transversais da Vila, por exemplo. Mas isso não deve ser um grande problema para quem roda por horas em busca de uma mísera vaga, queimando gasolina, perdendo tempo e paciência.

De acordo com o que o aQui apurou, o governo Samuca prevê a implantação gradativa das novas vagas, com a instalação na primeira fase de aproximadamente 4,5 mil vagas tarifadas no Aterrado, Vila, Centro, Retiro e Santo Agostinho. A segunda fase vai englobar os bairros Ponte Alta e 207, para se chegar às cinco mil vagas previstas.

O projeto vai dividir a cidade em zonas, com tarifas diferentes para cada área. A Zona Azul englobará as ruas centrais da Vila, Centro e Aterrado (R$ 2,50 a hora); na Zona Verde ficarão as ruas centrais do Retiro, Niterói, Ponte Alta, 207 e Santo Agostinho (R$ 2,00 a hora), e a Zona Laranja serão as ruas secundárias de todas as áreas citadas (R$ 1,50 a hora).

A fiscalização será feita pelos agentes do VR Parking, que acionarão a Guarda Municipal em caso de irregularidade. Apesar da atuação dos agentes, a prefeitura destaca que a responsabilidade por qualquer notificação ou autuação será exclusiva dos agentes da Guarda Municipal.

Em termos de percentuais do faturamento, a prefeitura terá direito, nos primeiros anos, de no mínimo 20% do valor arrecadado pela concessionária, passando para 25% nos anos seguintes. De acordo com o Palácio 17 de Julho, do total arrecadado, um percentual será repassado a instituições sociais sem fins lucrativos e o restante à GM, entre outras, para manutenção das atividades administrativas.

Segundo a prefeitura, o novo sistema, praticamente 100% digital, vai abolir diversos custos da operação atual, como a manutenção dos parquímetros, o recolhimento diário das moedas, a impressão de tickets, as perdas com vandalismo, entre outros. E o VR Parking deverá criar 50 empregos diretos. Quem ficar com saudade dos velhos amigos franceses vestidos de laranja pode tentar comprá-los em um leilão que deve ser feito pelo atual governo. Au revoir!
Idosos

O VR Parking tem tudo para cair no gosto dos motoristas de Volta Redonda. Menos para dois segmentos. Os que trabalham nas áreas comerciais e os idosos. No primeiro caso, trata-se daqueles que saem cedo de casa para conseguir uma vaga de estacionamento em ruas próximas do local de trabalho, como nas ruas transversais da Vila, que passarão a fazer parte da área do VR Parking.
Com relação aos idosos, uma boa e uma má notícia: a boa é que a prefeitura de Volta Redonda pretende triplicar o número de vagas gratuitas destinadas a eles. A má é que a partir da implantação do novo sistema, eles terão isenção apenas nas vagas demarcadas. Não poderão mais estacionar onde quiserem. É uma pena!

Banho de sangue

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crimePaolla Gilson

A onda de crimes que atinge o estado do Rio chegou a Barra Mansa. Na noite de terça, 31, dois estudantes do curso de Psicologia foram baleados e um deles morreu quando deixavam o Centro Universitário de Barra Mansa. As investigações indicam que teriam sido vítimas de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. Caio Cesar Alves, 22, não resistiu aos ferimentos e faleceu na Santa Casa. Breno Cane-da, 19, por sua vez, passou por uma cirurgia e está internado no CTI, em estado instável. 

 

Os universitários foram abordados em um local conhecido como “Buraco Quente”, de acesso ao UBM, no Centro. Testemunhas relataram que os dois teriam sido ‘ameaçados’ por um homem que saiu de um Gol cinza, já recuperado, e teriam sido atingidos por tiros quando tentavam fugir. Uma terceira vítima de assalto prestou queixa na 90ª Delegacia de Polícia e confirmou ter sido roubada no mesmo local, instantes antes.

 

A notícia gerou uma grande repercussão, principalmente entre os estudantes do UBM. De acordo com alguns, que preferiram não se identificar, essa não foi a primeira vez em que situações deste tipo ocorreram nas proximidades do campus. Em outubro de 2016, um jovem teria sido baleado na mão durante uma tentativa de assalto. Aliás, casos de assalto são frequentes entre os universitários, que geralmente são abordados ao deixar a universidade, no turno da noite.

 

Crimes como esse, entretanto, já assustam moradores de cidades vizinhas há bastante tempo. Em Volta Redonda, por exemplo, já foram contabilizados 46 casos de homicídio em 2017, conforme dados da Funerária Municipal. Em agosto e setembro, foram sete ocorrências em cada mês. E de acordo com o que foi publicado pelos jornais diários, conforme levantamento feito pelo aQui, em outubro já foram registrados outros cinco casos de homicídio. A maioria, homens.    

 

Os casos mais recentes aconteceram no Açude I e na Minerlândia, em dias seguidos. O primeiro foi no domingo, 29, quando Tiago Pires Teixeira foi assassinado com pelo menos cinco tiros em um escadão da Viela Boa Vista. O segundo ocorreu na segunda, 30, e a vítima fatal foi o jovem Luís Roberto dos Santos, 24 anos, negro. Os responsáveis pelos dois crimes ainda não foram identificados.

 

Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, realizada na terça, 30, para avaliar a criação de um Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens (PL 2438/15), representantes do governo e de organizações sociais destacaram que a população tem sido afetada pelo genocídio dos negros no Brasil. O deputado Reginaldo Lopes, autor do pedido para a audiência, defendeu mudanças na estrutura geral da segurança pública no país. “Nós queremos uma política de Estado no enfrentamento da violência, em especial no enfrentamento de homicídios de jovens negros e pobres. O Brasil vive uma guerra civil declarada contra esses jovens”, declarou.

‘Mui amigo’

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Por essa ninguém esperava! O ministro Torquato Jardim, em entrevista ao blog de Josias, saiu atirando por todos os lados e atingiu o governador Luiz Fernando Pezão. As balas ricochetearam e atingiram ainda todos os comandantes da Polícia Militar. E foram parar na Assembleia Legislativa. Na façanha, Torquato não deixou por menos. Disse – sem apresentar provas – que os comandantes da PM são sócios do crime organizado no estado do Rio e que o governador e o secretário de segurança do estado, Roberto Sá, não teriam controle sobre a Polícia Militar. No mesmo dia, Pezão soltou uma Nota Oficial a respeito da polêmica gerada pelo ministro da Justiça do governo Temer. “O governador Luiz Fernando Pezão afirma que o governo do estado e o comando da Polícia Militar não negociam com criminosos, ressaltando que ‘o comandante da PM, coronel Wolney Dias, é um profissional íntegro’. O governador destaca ainda que o ministro da Justiça, Torquato Jardim, nunca o procurou para tratar do assunto abordado pelo ministro na entrevista concedida ao UOL. Pezão frisa também que as escolhas de comandos de batalhões e delegacias fluminenses são decisões técnicas e que jamais recebeu pedidos de deputados para tais cargos”. 

 

Em Brasília, a Comissão de Segurança Pública da Alerj enviou uma representação à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pedindo apuração das declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, sobre a segurança pública do estado. Em entrevistas à imprensa, ele criticou as forças estaduais, afirmando, entre outras coisas, que o comando de batalhões da Polícia Militar é definido por “acerto com deputado estadual e o crime organizado.” Detalhe: fez as acusações sem apresentar qualquer prova. Nem divulgou o nome do parlamentar que, segundo ele, seria um dos chefes da quadrilha.

 

Presidente da comissão, a deputada Martha Rocha, que já foi delegada da Polícia Civil, classificou a afirmação do ministro da Justiça do governo Temer como leviana e irresponsável. “Essa comissão não vai se calar diante da declaração do ministro. Temos que ser incisivos e interpelar o ministro. O mínimo que podemos exigir é que ele esclareça com nomes, datas e fatos do que disse”, declarou. Além da PGR, serão enviados ofícios pedindo esclarecimentos ao próprio Ministério da Justiça e à Câmara dos Deputados, pedindo posicionamento do legislativo federal.

 

O presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), também se manifestou, lembrando que não há qualquer interferência na segurança estadual há mais de uma década. “A declaração é de quem não tem nenhum conhecimento, de quem é irresponsável e de quem age com má fé. Há onze anos, só interferiu na área de segurança do Rio de Janeiro o doutor Beltrame e o doutor Roberto Sá”, destacou.

Reações em plenário

O assunto também foi tema de discursos durante a sessão plenária de terça, 31. O deputado Flávio Bolsonaro (PSC) disse que recebeu ligações de policiais reclamando das declarações. “Os oficiais estão revoltados com esta leviandade do ministro. ‘Estou perdendo gente todo dia do meu efetivo e ainda tenho que ler isso?’, me disse um deles”, declarou Bolsonaro. “Ou o ministro prova o que disse, ou pede para sair do cargo”, finalizou.

Para o deputado Luiz Paulo (PSDB), a obrigação do ministro é garantir as investigações e a atuação das forças sob sua responsabilidade. “Se ele tem desconfianças, que investigue. Mas não diga de forma que atinge a todos, sem exceção. Isso não é comportamento de um Ministro da Justiça”, afirmou.

 

O deputado Paulo Ramos (PSol) afirmou que o ministro é irresponsável, e cobrou respostas. “Sendo ele ministro da Justiça, a primeira obrigação seria mandar apurar. Na medida em que ele faz essas declarações, já há a obrigatoriedade de chamá-lo a responsabilidade”, declarou.

 

A deputada Enfermeira Rejane (PC do B) disse que a entrevista causou revolta. “Uma pessoa que está num cargo público não pode simplesmente deixar no ar esse tipo de declaração tão grave”, destacou ela.

 

Exoneração

Outros deputados cobraram uma posição mais enérgica do Executivo estadual sobre a questão. O governador Luiz Fernando Pezão se manifestou por meio de nota, negando interferências na segurança estadual. Para o deputado Comte Bittencourt (PPS), seria necessário um pronunciamento público. “O mínimo que poderia acontecer era ele pedir exoneração ou ser demitido. O governador deveria fazer uma cobrança ao presidente da República”, defendeu.

 

Para o deputado Silas Bento (PSDB), a declaração só prejudica a segurança no Rio. “Esse ministro não pode ficar à frente de uma pasta tão importante como essa. É necessário que seja exonerado”, cobrou.

O deputado Wanderson Nogueira (PSol) cobrou mais ações efetivas das forças federais. “Não dá para discutir essas declarações infelizes sem dizer que o Governo Federal é o maior responsável pela entrada de armamentos no País”, lembrou.

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