sexta-feira, maio 8, 2026
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Um bom negócio

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Vinicius de Oliveira

Pode até parecer exagero, mas a impressão que se tem é que existe uma farmácia em cada esquina de Volta Redonda e que a população está mais doente do que nunca. Não é bem assim. “É o único comércio que cresce na cidade do aço”, dispara um dos empresários do setor. Ele tem razão. Nos bairros periféricos e nos grandes centros como Vila, Amaral Peixoto e Retiro, elas estão por toda parte. Só na Avenida Amaral Peixoto, por exemplo, existem mais de 10 farmácias, quase uma em frente à outra. No Aterrado, três grandes unidades foram inauguradas no ano passado.

 

E agora em fevereiro, logo depois do Carnaval, a Rede Economize promete inaugurar mais uma loja de grande porte no coração de Volta Redonda, mais precisamente na Rua 33, que se destaca por concentrar hospitais, clínicas e consultórios médicos. Segundo o empresário Hugo Tavares, a nova farmácia, situada quase em frente à filial de outra grande rede (ver foto), recentemente inaugurada, tem capacidade para atender cerca de 10 mil pessoas por mês. “O cliente contará com quatro vagas para estacionar, estoque variado de medicamentos e perfumaria e pessoal capacitado para atendimento personalizado”, contou Hugo, empolgado, avisando que a nova unidade abrirá as portas (19 de fevereiro) com um grande atrativo para o público. “Todos os remédios estarão com 25% de desconto, no mínimo”, anuncia. 

 

A empolgação de Hugo tem razão de ser. Segundo ele, o mercado farmacêutico apresentou até 2016 um crescimento constante. “A população, nos últimos anos, teve acesso facilitado a tratamentos e as pessoas começaram a buscar uma forma de vida mais saudável. Estão mais cientes da importância de cuidar da própria saúde”, comentou o empresário, salientando que programas do governo Federal contribuíram para a estabilidade do setor farmacêutico. “Subsídios do tipo ‘Farmácia Popular’ garantem oferta de medicamentos de graça ou bem mais baratos para a população, facilitando sua ida às farmácias. Desde que a Drogaria Economize, por exemplo, aderiu ao programa, o número de atendimentos aumentou em praticamente 100%. Tudo isso fez com que o ritmo de crescimento do setor se mantivesse estável”, explicou.

 

Frente a este cenário de bonanças, pode-se dizer que a indústria farmacêutica tem sido, nos últimos anos, um ponto fora da curva em relação ao conjunto da indústria brasileira, que vem apresentando dados negativos desde 2014. Mas não quer dizer que a crise não ameace as vendas de remédios. Segundo Hugo, mesmo sem o registro de prejuízos, 2017 foi um ano difícil até para os empresários do setor. “É claro que a gente sente a crise também, mas nas farmácias ela chega por último. Acontece que remédios são artigos de primeira necessidade. Em tempos de crise, o cidadão corta, a princípio, gastos com carro, casa, vestuário etc, mas as pessoas não podem deixar de se medicar nem de praticar sua higiene. Podemos dizer que no ano passado houve uma estagnação. Não crescemos, mas também não retroagimos”, analisou o dono da Economize.

 

Ainda de acordo com Hugo, as previsões para 2018 são positivas, mas tudo vai depender do governador Luiz Fernando Pezão conseguir tirar o Rio de Janeiro do buraco e se os prefeitos manterão os municípios estáveis. “Falta de pagamento dos aposentados ou atrasos de salários, além do aumento de desemprego, prejudicam o setor farmacêutico como outro qualquer. Caso a situação calamitosa do Rio não se resolva, talvez este ano não registremos crescimento alto. Mas a perspectiva é de estabilidade das contas públicas”, projetou.

 

Quem também faz projeções positivas acerca do setor de medicamentos é Jerônimo dos Santos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Volta Redonda (Sicomércio-VR). Segundo o empresário, a tendência é de crescimento, já que a população brasileira está mais velha e com maior expectativa de vida. “As pessoas estão buscando qualidade de vida e se conscientizando da necessidade de buscar tratamentos para diversas doenças, principalmente, com a prevenção. Com certeza, estamos otimistas. Acreditamos que o setor vai continuar crescendo nessa média entre 3% e 4%”, avaliou.

 

Jerônimo frisou ainda que o número infindável de farmácias espalhadas por Volta Redonda e Barra Mansa só tende a favorecer a vida do consumidor. “Embora a crise econômica seja um fator que inspire cuidados por parte de todos, remédios são itens essenciais, quando a pessoa adoece ou quando ela quer se prevenir. Hoje, entretanto, as pessoas pesquisam mais e, com um mercado mais diversificado, essa concorrência com várias empresas atuantes, elas acabam se beneficiando de descontos e conseguindo um preço melhor”, pontua Jerônimo.

 

De acordo com os dados de cadastro de associados da Ascoferj (Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro), o estado do Rio de Janeiro conta com 5.500 farmácias e drogarias. Já o Sul Fluminense conta com 400 estabelecimentos. Desses, cerca de 120 pertencem às grandes redes, 50 são de médio porte e o restante, cerca de 230, são “independentes”.

Negócio milionário

Em novembro de 2017, segundo a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), entidade que reúne 146 empresas distribuidoras de medicamentos e produtos de higiene pessoal e cosméticos, houve crescimento de 10,8% nas vendas de medicamentos e não medicamentos (HPC) em comparação com o mesmo período de 2016. As vendas totalizaram R$ 440,3 milhões, contra R$ 397,5 milhões do ano passado. Em unidades, o aumento foi de 6%, totalizando 82,2 milhões. Os dados foram apurados pela IQVIA, empresa que é fruto da fusão entre IMS Health e Quintiles, a pedido da Abradilan.

 

De janeiro a novembro de 2017, no canal de distribuição, os associados da Abradilan totalizaram R$ 4,8 bilhões em vendas, 9,2% mais do que os R$ 4,4 bilhões registrados anteriormente em 2016. Foram comercializadas pela Abradilan 926,4 milhões de unidades de medicamentos e não medicamentos no período, um aumento de 5,5% em relação a 2016, quando foram distribuídas 878 milhões de unidades pelo mercado.

 

Segundo o presidente da Abradilan, Juliano Vinhal, esses resultados mostram o crescimento do setor e a importância dos distribuidores da Abradilan, presentes em 95% dos municípios brasileiros, em 23 Estados. No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas Abradilan chegaram a 1 bilhão de unidades comercializadas em todo o país, totalizando um aumento de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2016, que teve a marca de 955 milhões de unidades. Já em valores, as vendas atingiram a marca de R$ 5,2 bilhões, um aumento de 9,4% em relação a 2016, quando chegou a R$ 4,7 bilhões.

Eram turistas em viagem

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O secretário de Saúde de Volta Redonda, Alfredo Peixoto, teve uma tarefa difícil na manhã de ontem, sexta, 2, durante entrevista coletiva: anunciar, oficialmente, o registro de dois casos de febre amarela em moradores de Volta Redonda. A dificuldade se justificava: não podia criar pânico e uma nova correria aos postos de Saúde da cidade do aço. Ele se saiu bem.  

“Não há motivo para alarme ou pânico. Não há registro da circulação do vírus em Volta Redonda. Os dois casos foram de febre amarela silvestre (presente em áreas rurais e de mata)”, disse Alfredo, informando que em ambos os casos – dois homens de 16 e 41 anos – a contaminação se deu em viagens que eles faziam para áreas consideradas de risco. “Um deles (o de 41 anos, grifo nosso) fez uma viagem recente para Rio Preto (MG) e, provavelmente, foi contaminado lá. O outro caso ainda estamos estudando  para saber o local mais provável da contaminação”.   

“Os pacientes foram atendidos na rede pública, passam bem e já teriam retomado as suas atividades normais”, completou Alfredo Peixoto, que deu a entrevista coletiva ao lado do secretário de Comunicação, Adriano Lizarelli, e da coordenadora do Setor de Epidemiologia, Milene Souza.

O secretário ressaltou que os resultados da campanha de vacinação em Volta Redonda estão sendo satisfatórios e avaliou que a decisão da prefeitura de antecipar a ação, em relação à campanha estadual e a nacional, foi acertada. “Conversamos com o prefeito Samuca sobre a antecipação da campanha, e agora vemos que tomamos a decisão certa. Desde o ano passado –  início da campanha – já vacinamos 171,7 mil pessoas, sendo 131,2 mil só em 2018. Nossa meta é vacinar 225 mil pessoas”, salientou.

O secretário, entretanto, destaca que não é preciso uma “corrida aos postos de saúde”, já que Volta Redonda tem garantido estoque necessário para vacinar a todos os voltarredondenses. Só lamenta que um grupo de jovens –  de 15 a 24 anos – não esteja atendendo ao chamamento. O que lhe causa uma certa preocupação. “Este público – adolescentes e jovens – precisa se vacinar, pois viaja no Carnaval, e estamos próximos de diversas áreas de risco”, pontuou. “Não há motivo para pânico ou desespero, mas é preciso é que todos se vacinem o quanto antes”, avaliou.
Balanço

Apesar do susto com os dois casos notificados na cidade do aço, e a proximidade com Valença – onde já foram registrados 14 casos, com quatro óbitos –, as secretarias de Saúde de Volta Redonda e Barra Mansa conseguiram a proeza de atrair a população aos postos de vacinação. De janeiro até ontem, sexta, mais de 220 mil pessoas já tinham sido vacinadas contra a doença nas duas cidades. Em Volta Redonda foram mais de 131 mil pessoas, e em Barra Mansa outras 92 mil. Resultado: as duas secretarias de Saúde estão próximas de bater a meta de vacinação.  

Como a vacina em dose única – aplicada em todas as cidades da região – protege contra a doença por toda a vida, é bem provável que em um futuro próximo não se ouça mais falar de vítimas da febre amarela, pelo menos no Sul Fluminense. Mas quem quer viajar no Carnaval precisa estar atento aos locais considerados de risco – zonas rurais e áreas de mata. É que a vacina leva pelo menos 10 dias para que o organismo consiga produzir os anticorpos necessários. Assim, se você ainda não foi vacinado, é bom desistir de viajar para as regiões rurais e com mata de São Paulo, Minas Gerais e até do estado do Rio, próximas ao Sul Fluminense, que recebem muitos turistas no Carnaval. Se já foi vacinado, tenha uma boa viagem e aproveite o Carnaval.

Acordo de paz’

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Vinicius de Oliveira

Um acordo de paz foi selado entre os posseiros da ocupação Dom Waldyr, que ocupam um terreno de 10 mil metros quadrados no Belmonte, e a prefeitura de Volta Redonda. Após meses travando uma exaustiva queda de braços, os dois lados conseguiram chegar a um acordo. Com aval do prefeito Samuca, que deu uma solução para o impasse por telefone, o secretário de Ação Comunitária, Maycon Abrantes, garantiu aos sem teto que ninguém será retirado à força do acampamento desde que cada família se submeta a um cadastramento no Palácio 17 de Julho.

 

O consenso se deu a partir de um inflamado embate entre os posseiros e Maycon – um teste de força para o vice-prefeito. Munido de cartazes, um grupo de 30 integrantes da Ocupação Dom Waldyr chegou a colocar Maycon contra a parede, exigindo respostas da prefeitura sobre políticas de habitação, que ele não podia dar. “Eu aprendi com meu pai que quando as despesas são muitas e não temos dinheiro para tudo, temos de priorizar. Vejo que o prefeito não está priorizando o que realmente importa. Gastou R$ 400 mil com a reforma da piscina na Ilha São João, mas não é capaz de investir em moradia para nós. Ter um lugar para se refrescar é muito bom, mas ter um teto para voltar no final do dia é melhor ainda”, desafiou uma integrante do movimento.

 

Ela também questionou o aluguel do prédio onde hoje funciona o Hospital do Idoso, na Vila. “É claro que os idosos são importantes, mas e as pessoas que estão na rua, sem lugar para morar? Tinha mesmo necessidade de gastar tanto dinheiro construindo um hospital só para idosos, com tantos hospitais em Volta Redonda? O próprio Hospital Regional poderia atender os casos que serão levados ao Hospital do Idoso. Esse governo não tem prioridades”, reclamou a posseira, esquecendo-se que o Hospital Regional é de responsabilidade do governo do Estado. 

 

Escorregando nas palavras, Maycon tentou justificar a política do governo. Disse que o valor empreendido na reforma do Parque Aquático não seria suficiente para dar conta de resolver o déficit habitacional de Volta Redonda. E argumentou que a prioridade seria a Saúde. “Estamos, sim, priorizando os investimentos. O governo está cuidando da Saúde. Por isso a construção do Hospital do Idoso. Até mesmo a reforma das piscinas da Ilha reflete na Saúde”, ponderou.

 

Sem muito avanço no diálogo até então, os posseiros denunciaram truculência na ação da Polícia Militar, Guarda Municipal e de indivíduos que se identificaram como representantes do Conselho Tutelar. “Estavam armados (quando foram ao acampamento). A PM tinha até fuzil. Ameaçaram crianças e mães com bebês no colo. Fizeram ameaças. Se não nos cadastrássemos, prometeram levar as crianças para o Conselho Tutelar”, relembrou outra integrante da ocupação, explicando que temiam o tal cadastro pois pensavam que através dele poderiam ser processados nominalmente.

 

Mas, de acordo com o vice-prefeito, o cadastro tem outra finalidade. “Precisamos identificar quem é realmente de Volta Redonda. Quem realmente não tem renda e está lá (no acampamento) por que precisa. O cadastro não será feito para prejudicar ninguém nem usar contra eles próprios. É questão de organização”, garantiu Maycon.

 

Samuca, acionado via celular, se comprometeu a não insistir na reintegração de posse. Caso o atual dono da terra – o governo do Estado – insista em remover as famílias, o prefeito, segundo May-con, encontraria um meio de realocá-los. Em nota oficial, a prefeitura explicou que o “intuito do governo é cadastrar todas as famílias no programa habitacional do município junto à secretaria de Ação Comunitária (Smac) e Companhia de Habitação de Volta Redonda (Cohab)”.

 

Os termos do acordo entre a prefeitura e os posseiros foram ratificados durante reunião que aconteceu na quarta, 31, na sede da OAB-VR. Mediada pelo presidente da OAB, Alex Martins, os integrantes da ocupação Dom Waldyr se comprometeram a, entre outras, permitir o acesso das equipes do Furban, da Defesa Civil, Cohab e Smac ou qualquer outro órgão público com a finalidade de identificar as condições de infraestrutura do local.

 

A prefeitura, por sua vez, garantiu que, tão logo o cadastro seja feito, buscará solução específica para atender às demandas do movimento. A proposta do governo, conforme adiantou o procurador-geral do município, Augusto César Nogueira, é encontrar um local que seja destinado às famílias da ocupação onde poderão construir suas residências, em regime de cooperativa, seguindo, claro, um projeto aprovado pelo Furban que garanta as características de um loteamento. “Em paralelo, as famílias devidamente cadastradas receberão o aluguel social”, explicou Augusto.

 

Ao aQui, Hafid Omar, um dos líderes do movimento, explicou que os ocupantes seguirão à risca o que foi combinado com a prefeitura de Volta Redonda na esperança de que as autoridades façam a parte delas. “Nós sempre buscamos o diálogo. Sabíamos que o Poder Público buscaria um critério para assentar essas famílias. O que estava dificultando as negociações foi a forma truculenta que os órgãos públicos chegaram ao assentamento, sem apresentar documentos oficiais. Apenas fazendo ameaças”, ponderou.

Como tudo começou

A prefeitura, ainda nas mãos do ex-prefeito Neto, doou ao governo do Estado o terreno localizado no Belmonte, palco de toda a história. A contrapartida seria a construção de uma vila destinada a idosos carentes. A parceria também envolvia o governo Federal, que financiaria as moradias, por meio do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’. Porém, desde a doação, apenas 10 casas foram construídas. Mesmo assim, de forma inacabada. “A intenção inicial era construir um condomínio para a terceira idade, que se chamaria Vila da Melhor Idade, só que o abandono foi tomando conta ao longo dos anos. Nosso papel, no atual governo, é de achar soluções para o quadro atual”, afirmou Maycon, elogiando a forma pacífica como o processo está sendo conduzido.

Contudo, dado o fim do projeto, o terreno permaneceu ocioso e, aos poucos, foi tomado pelo mato. Foi então que, em abril do ano passado, um grupo de sem tetos, oriundos do movimento criado em 2004 ‘Minha Casa, Minha Luta’, ocupou o local. Cerca de 50 famílias (o número oficial não foi divulgado) que compõem o grupo autointitulado ‘Ocupação Dom Waldyr’, em referência ao líder católico D. Waldyr Calheiros, que se popularizou na região pela ajuda aos pobres, pularam as cercas e muros e fixaram residência. Vivem desde então sem água encanada e rede de esgoto. Contam apenas com um ponto de luz improvisado.

De dentro da ocupação, os posseiros se organizaram. Chegaram a divulgar na internet um manifesto justificando a ocupação. “Em uma cidade que teve 33% de suas terras vendidas na privatização da CSN, o problema principal não poderia ser outro: espaço para morar. Nos bairros há muita gente em estado de extrema necessidade, sem casa. Hoje há muitos apartamentos vazios e empreendimentos completamente abandonados, como o ocupado por nós. Queremos casa, queremos essa terra para nós, mas queremos também ajudar todos os sem casas a terem os seus direitos a moradia e dignidade garantida”, escreveram.

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