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União tem terreno em VR que daria para abrigar a nova sede da Polícia Federal

Pollyanna Xavier

Na semana passada, o prefeito Neto anunciou a doação de um terreno, entre os bairros Casa de Pedra e Siderópolis, para a construção de uma nova sede para a Polícia Federal na cidade do aço. A doação, embora apresentada como um gesto nobre de Neto, levantou dúvidas sobre a real necessidade da cessão. É que o governo Federal, pasmem, possui quase 50 imóveis em Volta Redonda: são salas comerciais, edifícios/prédios, terrenos e glebas espalhados por vários pontos do município, inclusive em áreas centrais e até bem próximas do atual prédio da PF, no Aterrado.

Segundo a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), ligada ao Ministério da Gestão, Volta Redonda tem exatos 49 imóveis federais, localizados pelos bairros Vila, Aterrado, Jardim Paraíba, Nossa Senhora das Graças, Centro – Amaral Peixoto, Brasilândia e até no Santo Agostinho. Destes, 45 estão ocupados, seja por locação para terceiros, cessão gratuita, em processo de destinação, reservado para uso residencial ou mesmo em uso próprio por órgãos e autarquias federais, como é o caso do prédio da UFF na Vila, e do edifício do INSS, no Centro. 

Mas, além destes, há 4 imóveis – um prédio e três terrenos, para ser exato – completamente desocupados, sem destinação definida, que poderiam servir para a construção de uma nova sede da Delegacia da Polícia Federal. O prédio fica na Rua 537, no Jardim Paraíba, está a menos de um quilômetro de distância da atual sede da PF, no Aterrado, e possui 310 metros quadrados. Sim, é pequeno, e talvez não comporte a estrutura da delegacia, a menos que a construção seja vertical. É só querer… 

Entretanto, existem outros três terrenos no bairro Nossa Senhora das Graças, sendo o maior deles com 4 mil metros quadrados. Para se ter uma ideia, a área doada pela prefeitura na Casa de Pedra tem 5 mil metros quadrados. Ou seja, o terreno da União atenderia – e muito bem – as necessidades da PF. Sem contar que é bem mais central – fica a um quarteirão do Aterrado – e tem saída para duas ruas principais, o que facilitaria, e muito, a movimentação de viaturas. (ver foto).

Já em relação ao terreno que o prefeito Neto doou, ele está localizado na Rua 758, no bairro Casa de Pedra, e tem uma metragem total de 15,3 mil metros quadrados, mas apenas 5 mil serão disponibilizados para a PF. No inventário da Prefeitura de Volta Redonda (2024) ele aparece na posição 88, com área de 2.385,44 metros quadrados de regulação do Saae-VR. Outro detalhe deste terreno é que ele está no raio de 1,8 km de distância da Floresta da Cicuta – considerada Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), e onde a própria União impõe restrições ambientais para novas edificações. 

Ao anunciar a doação, o prefeito Neto não informou se vai receber alguma compensação por parte da União, afinal, a cidade é uma das menores territorialmente falando. 

Virou moda

Além da Polícia Federal, que espera ganhar um terreno para construir uma nova sede, depois de ter se instalado na atual há 21 anos, o comando da Polícia Militar também anda querendo um naco do território de Volta Redonda, para construir uma sede para o futuro Batalhão de Polícia Ambiental a partir de 2026. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, que ligou para o prefeito Neto a fim de dar a notícia e pedir que ele providenciasse um espaço para sediar o batalhão. Ele ouviu de Neto a promessa de encontrar um espaço – prédio ou terreno – para abrigar a instituição. As informações são do Diário do Vale.

Na manhã de quinta, 4, em entrevista ao programa Dário de Paula, Neto falou sobre a ideia do comando da Polícia Militar de criar um Batalhão de Polícia Ambiental na cidade do aço. E não deixou por menos. Disse que na próxima semana irá levar o coronel Menezes a três áreas do município. “Eu vou mostrar pra eles uns 3 lugares. É importante que eu consiga ceder um espaço para ele”, justificou. “O que esse coronel tem feito por Volta Redonda ninguém nunca fez”, sentenciou, sem saber que o Estado, como o aQui descobriu, possui 137 imóveis em Volta Redonda, segundo dados oficiais que constam da Relação de Imóveis Próprios Estaduais (edição de 2020). Será que nenhum poderia abrigar o Batalhão Ambiental?

Aliás, o gesto do coronel Menezes foi bastante parecido com o do delegado da Polícia Federal, Carlos Alberto da Silva Santos, que também pediu ao prefeito Neto um espaço para abrigar a nova sede da PF. Carlos Alberto justificou o pedido dizendo que o imóvel que a DPF ocupa no Aterrado é pequeno para o efetivo e para as demandas da corporação.  Detalhe: não se tem notícias de que a PF tenha aumentado o efetivo lotado em Volta Redonda.  

Questão de segurança 

Em entrevista ao aQui, o prefeito Neto explicou que foi procurado diretamente pela Polícia Federal para apoiar o projeto de ampliação da delegacia de Volta Redonda, que atende todo o Sul Fluminense. E disse que a escolha do terreno na Casa de Pedra levou em conta critérios técnicos definidos pela própria PF, como localização estratégica, acessibilidade, dimensão da área e viabilidade operacional. Neto foi além. Disse que, embora a cidade do aço tenha vários imóveis da União, inclusive sem função social, a decisão de utilizá-los, ou não, é do governo Federal. “O município, neste caso, está colaborando para viabilizar um projeto que fortalece a segurança pública de toda a região”, justificou.

Ainda de acordo com Neto, o município não vai receber nenhuma compensação pela doação do terreno. “A principal contrapartida é institucional e social: a ampliação da presença e da atuação da Polícia Federal no Sul Fluminense. Isso representa mais estrutura, mais operações, mais agilidade nas investigações e mais proteção para a população. Segurança pública é um investimento direto na qualidade de vida das pessoas. Não se trata de compensação financeira, mas de um ganho efetivo para toda a região”, avaliou.

Por fim, Neto explicou que o terreno doado já possui edificações e passou por avaliações técnicas preliminares. Isso significa que, durante a construção da nova sede da PF, caso seja identificado algum impedimento ambiental ou legal, todas as normas serão rigorosamente respeitadas. “Se houver qualquer tipo de restrição, a Prefeitura continuará apoiando a Polícia Federal de outra forma, inclusive com a indicação de um novo local. O compromisso do município é com o fortalecimento da PF, sempre dentro da legalidade e do respeito ao meio ambiente”, concluiu.