Uma das máximas do futebol é que ‘favoritismo’ não ganha jogo. E o que o Voltaço fez no Raulino de Oliveira, no jogo contra o Anápolis, foi muito além de ignorar essa velha máxima. Transformou uma partida em que podia reencontrar o caminho das vitórias e fazer as pazes com a torcida em uma das atuações mais constrangedoras da sua história. Perder faz parte do esporte, diriam. Mas ser goleado por 4 a 1, dentro de casa, para o lanterna da Série C, é outra história.
O Anápolis, por exemplo, chegou desacreditado, carregando a cruz de estar na última colocação. Estreava até um novo treinador. Ou seja, tudo parecia perfeito para que o Volta Redonda assumisse o protagonismo e alimentasse o sonho de voltar a brigar pelo G-8.
Mas bastou a bola rolar para que os papéis se invertessem. Quem parecia desesperado era o Voltaço. Já quem demonstrava organização, confiança e, principalmente, vontade de vencer era justamente o time adversário.
Nas redes sociais, a torcida resumiu bem o sentimento depois do jogo: ‘VERGONHA’. Não apenas pelo placar elástico, mas pela postura da equipe. Faltou intensidade, faltou concentração, faltou reação e, acima de tudo, qualidade, sem relacionar a falta de vontade. Um time que entra em campo sabendo da importância do resultado não pode se desmanchar diante da primeira dificuldade.
Mais preocupante do que os quatro gols sofridos foi a sensação de que o time aceitou o resultado antes mesmo do apito final. A torcida – muito pequena, por sinal – até tentou apoiar os jogadores, mas acabou batendo palmas para o adversário, que teve determinação, coragem e compromisso. E isso dói muito mais do que qualquer goleada.
É preciso que os jogadores e a atual direção do clube entendam que a camisa do Volta Redonda carrega uma responsabilidade. Não é qualquer uma. O clube conseguiu respeito de todos justamente por ser competitivo. Quando esse espírito desaparece, surgem atuações como a de sábado: irreconhecíveis.
Ainda há muito jogo pela frente. Ainda dá tempo para reagir. Mas reação exige autocrítica. Não adianta falar em “virar a chave” ou repetir as ladainhas de sempre. O torcedor quer ver atitude dentro das quatro linhas.
Tem mais. Cá pra nós, o atual time do Voltaço é muito fraco. A classificação para a próxima fase vai ficando cada vez mais difícil. O consolo fica por conta de que o rebaixamento para a Série D, também. Pelo menos isso… Quem viver verá!
Contratações
A diretoria do Voltaço continua contratando ‘reforços’ sem que ninguém entenda os critérios que usa. Agora, acertou com o atacante Levi, de 19 anos, apontado como ‘destaque’ do Rio Branco (ES). O que causa estranheza é que, após a Copinha, o Voltaço negociou o atacante João Bom, de 20 anos, com a Chapecoense (SC) por valores não revelados. O atleta foi uma das revelações da Copa Cidade de São Paulo, sendo um dos artilheiros, marcando cinco gols em três partidas. Quando da negociação, vejam só, deram a desculpa (esfarrapada) de que o garoto não poderia ser aproveitado entre os profissionais por não estar pronto. Deveria sair para ganhar experiência. E agora contratam um reforço da mesma idade. Como dizia minha querida mãe, ‘só queria entender’. Nada mais.
Rescisão
O Voltaço vai de mal a pior até fora dos campos. É um entra e sai de jogadores… O último a sair foi o atacante colombiano Oswaldo Blanco, que teve seu contrato rescindido. O craque, de 35 anos, chegou em janeiro, e marcou quatro gols… Em 24 partidas. Chegou com fama de matador e sai da cidade do aço pela porta dos fundos.
História
Mais uma do meu amigo e radialista Paulo César Alves. Certa vez, fomos transmitir um jogo no Maracanã, pela Rádio Sul Fluminense, e caminhávamos ao lado do Estádio Célio de Barros. De repente, vimos o PC com o olhar perdido em direção à pista de atletismo. Encostei e perguntei o que havia. Com os olhos lacrimejando, nosso herói, emocionado, respondeu: “É, amigo. Aqui nesta pista eu vivi grandes momentos no atletismo brasileiro”. Surpreso, afinal não sabia que ele praticava atletismo, perguntei: “Como assim, PC? Você foi fundista?”. Na lata e sem pestanejar, ele devolveu: “Foi aqui que eu consegui bater o recorde sul-americano dos 1.500 metros e os 100 metros com barreira, obtendo índice para disputar os Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976”. Desconfiado, retruquei: “Mas você foi a Montreal?”. Escorregadio, PC mandou essa: “Não, não fui. Uma contusão no músculo lombar vertebral (?) me tirou dos jogos. É por isso que estou chorando”. Cascata pura. É mentira, Terta?
Jogos do Voltaço na Série C
No próximo dia 8, sábado, às 19h30min, pega a Inter de Limeira fora de casa. No dia 15, enfrenta o Ituano, no Raulino. Dia 22, joga contra o Floresta, na cidade do aço, e se despede da fase de classificação jogando contra o Barra (SC), no dia 29, em Itajaí.
Classificação na Série C
Em 1º, Brusque, com 27 pontos. Em 2º, o Guarani, 26, em 3º, Botafogo-SP, e em 4º, a Inter de Limeira, ambos com 25. Em 5º,o Santa Cruz, com 24. Em 6º, Paysandu, em 7º, Maringá e em 8º a Ferroviária, todos embolados, com 23 pontos. Na Zona de Rebaixamento (Z2), estão o Anápolis, em 19º, e na lanterna o Confiança, ambos com 12 pontos. O Voltaço caiu para 15ª posição, com 18 pontos. Na primeira fase classificam-se oito clubes, que disputarão as quatro vagas para a Série B. Por outro lado, este ano, somente os dois últimos colocados serão rebaixados para a Série D.
Tragédia
Os fortes ventos que sopraram na última quarta-feira, 29, no Rio de Janeiro, além de fazer estragos, fizeram várias vítimas fatais. Entre elas, Tássio, 41 anos, ex-jogador do Voltaço, na administração de Rogério Loureiro. Defendeu também as cores do Resende e Botafogo. Lamentável!
Campeão
O Santos sagrou-se campeão amador de 2026 ao derrotar o Corinthians por 2 a 1, em jogo realizado na manhã de domingo, 26, no Campo 3 do Aero Clube. Detalhe: diante de mais de 1.200 torcedores, que assistiram a uma grande partida de futebol. No jogo do Voltaço, só pra registro, não havia nem 600 torcedores presentes. Isso mostra que, ao contrário do que muitos pensam, o torcedor de Volta Redonda não abandonou o Voltaço. Ao que tudo indica, o Voltaço é que tem se distanciado da torcida.
Bola fora
Para a impiedosa e vergonhosa goleada (4 a 1) sofrida pelo Volta Redonda diante do Anápolis, em pleno Raulino de Oliveira. Onde vamos parar?
Bola dentro
Para o STJD – Superior Tribunal Justiça Desportiva, que puniu o zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, pela entrada maldosa e covarde no atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro. Vai ficar fora dos jogos até que Pec volte aos treinos, em um prazo máximo de 6 meses. Ou seja, se Pec ficar seis meses sem jogar, Victor Gabriel também ficará afastado pelo mesmo período. Punição inédita no Brasil, e tomara que seja estendida aos outros ‘botinudos’ que andam atuando no futebol brasileiro. Quem sabe eles aprendem, né?

