Apertando o cerco

Lei Seca’ vai aumentar número de blitzes no Sul Fluminense; VR lidera flagras na região

0
430

Por Mateus Gusmão

“Se beber, não dirija”. Todos já devem estar cansados de ouvir ou ver a frase em algum lugar. Seja em bares, TV, cinemas, rádios, em campanhas do Poder Público. Ou apenas de alguém mais experiente ou que já tenha sofrido um acidente, fatal ou não, e que tenha deixado sequelas. O problema é que muitos seguem ignorando o sábio conselho. Prova é que, em 2022, a ‘Operação Lei Seca’ bateu recorde do número de motoristas flagrados dirigindo sob o efeito do álcool. Foram 33.350 condutores – os populares ‘bebuns’. A maior marca anterior era de 2012.
E, como não poderia deixar de ser, o Sul Fluminense se destacou – de forma negativa, é bom que se diga – ao analisar-se os números divulgados. Volta Redonda, por exemplo, foi a oitava cidade de todo o estado com a maior porcentagem de alcoolemia encontrada nas operações da ‘Lei Seca’. Segundo dados obtidos com exclusividade pelo aQui, 22,40% dos motoristas voltaredondenses parados por agentes da ‘Lei Seca’ estavam dirigindo sob efeitos do álcool. Ou seja, a cidade do aço foi líder no Sul Fluminense, seguida por Resende – em segundo, com 18,80% dos motoristas flagrados pelo bafômetro – e Barra Mansa, em terceiro, com 17%.
O aumento dos flagrantes terá consequências: a ‘Operação Lei Seca’ vai aumentar o número de blitzes durante o ano em todas as cidades da região. “As ações da Lei Seca são planejadas de acordo com o número de motoristas, a curva de incidência de acidentes de trânsito e a taxa de alcoolemia. Em 2022, já realizamos um aumento significativo nas fiscalizações na capital e no interior, e pretendemos reforçar ainda mais as nossas operações nas regiões que apresentaram um índice acima do que classificamos como admissíveis”, disse em nota ao aQui o subsecretário estadual de Governo, Júlio Canelinha. Segundo Canelinha, as cidades do Médio Paraíba estão dentro das áreas que terão mais fiscalizações em 2023. “Monitoramos a situação em vários municípios neste começo de ano e notamos que o interior está com um índice grande de motoristas flagrados dirigindo sob o efeito do álcool ou que se recusam a fazer o teste do bafômetro”, completou, ressaltando que ainda vai intensificar pelo interior as ações educativas da ‘Lei Seca’, onde os agentes PCDs – todos vítimas de acidentes de trânsito – levam campanhas de esclarecimentos e conscientização a escolas, empresas e à população em áreas de grande concentração de pessoas.

“Notamos que o interior está com um índice grande de motoristas flagrados dirigindo sob o efeito do álcool”, subsecretário estadual de Governo, Júlio Canelinha.

Pandemia agravou quadro
A Covid-19 pode ter contribuído para o aumento de motoristas dirigindo sob efeito de
álcool no estado do Rio. Pelo menos é o que acredita o coordenador operacional da ‘Lei Seca’, Arthur Barbosa. Segundo ele, o resultado recorde de flagrantes reflete tanto a ampliação da quantidade de equipes atuando na ‘Lei Seca’ quanto o aumento no hábito de consumo de álcool durante a pandemia. “Nós tivemos
a abertura de todos os eventos pós-pandemia e a população veio com esse hábito de beber muito durante a pandemia, e não respeitou a regra principal, que é ‘se beber, não dirija’. Além disso, nós aumentamos a nossa equipe de fiscalização de 15 para 30 equipes, ou seja, dobramos o nosso efetivo, e isso veio a trazer maior capilaridade, maior fiscalização pela cidade”, justificou.
Arthur Barbosa também ressalta que no ano passado a operação investiu em ações educativas para conscientizar os jovens do perigo da combinação bebida e direção. “A nossa equipe de educação está percorrendo todos os municípios do estado, nas escolas primeiramente estaduais, fazendo uma campanha educativa com o público-alvo, os alunos do ensino médio, conscientizando de forma dura, para que esses alunos não venham a cometer os mesmos erros que os nossos adultos estão cometendo hoje”, disse.

Guarda Municipal de Volta Redonda vai atuar com bafômetro
E é bom que os volta-redondenses que gostam de tomar umas e depois sair dirigindo fiquem mais atentos. É que a Guarda Municipal passará a utilizar um etilômetro (bafômetro, grifo nosso) em suas operações. Como o aQui revelou na edição passada, a GM concluiu, em 19 de janeiro, a compra do equipamento para usar nas suas operações pela cidade. Pagou exatos R$ 17.637,77. Atualmente, em caso de acidentes de trânsito ou blitz, quando os agentes suspeitam de que um motorista está dirigindo embriagado, a GM tem que levar o suspeito até Barra do Piraí.
“Os recursos (bafômetro e bocais descartáveis) solicitados serão utilizados de acordo com os seguintes objetivos: manter as ações de fiscalização de trânsito, evitando a necessidade do deslocamento dos agentes da Guarda Municipal até a base da PRF, localizado em Dorândia, distrito de Barra do Piraí, para a aferição do teor alcoólico de condutores de veículos automotores, abordados ou envolvidos em acidente de trânsito”, explicou o comando da GM.
Pelo edital de compra, com o etilômetro será possível apoiar as ações de fiscalização de trânsito, suprindo o déficit das áreas operacionais da Guarda Municipal. “E possibilitar o apoio adequado a ações conjuntas com outras forças de segurança pública, como PMERJ, Polícia civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, quando solicitado. E proporcionar aos Guardas Municipais condições adequadas no exercício de suas funções”, detalha o documento.