A zorra continua

Mateus Gusmão

O leitor do aQui está cansado de ler que a Praça da Colina virou palco para os jovens se encontrarem nos finais de semana devidamente abastecidos por ‘isoporzinhos’, que se encarregam de vender, até o sol raiar, todo tipo de droga – principalmente, bebidas alcoólicas -, o que resulta em som alto, baderna, brigas e até sexo nas ruas de acesso à pracinha. A prefeitura de Volta Redonda, após muita reclamação, resolveu agir. E a Guarda Municipal criou um plano para evitar ou conter a zorra (baderna) no ponto mais boêmio da cidade, passando a cercar com cones as ruas de acesso para carros e motos.
O problema é que a medida tem conseguido desagradar moradores, comerciantes, gregos e troianos. Detalhe: impedir o acesso dos carros e motos não evita que os isoporzinhos permaneçam nas madrugadas de sexta para sábado. Pior. Os jovens agora têm até mais espaço, já que as ruas ficam vazias de carros (como mostra a foto). Aos sábados e domingos, dias em que os isoporzinhos não aparecem, a pracinha também está sendo cercada por volta das 14 horas.
Helena Ferreira, moradora da Rua Marcelo Monteiro Cesar (‘rua dos prédios’), reclama da estratégia da GM. “Eles cercaram a praça, mas as pessoas continuam vindo para a Colina. A minha rua está ficando cheia de carros. Na última semana, às 3 horas da madrugada, tinha um carro de som parado na rua, com muita gente em volta. Eu vivo com minha mãe de 86 anos. Isso é horrível”, completou. “Parece que cercaram a praça para que essas pessoas, em plena pandemia, possam se aglomerar e fazer baderna com mais liberdade”, avaliou.
Helena informou ao aQui que já fez até uma denúncia no site do Ministério Público sobre as aglomerações na Colina. “Quando houve dois assassinatos na praça, o MP agiu e fechou o local. Aí funcionou. Parece que estão esperando acontecer uma tragédia para agir”, comentou, ressaltando que sente falta de ver a Polícia Militar agindo. “A gente só vê a Guarda Municipal e, mesmo assim, só fechando a rua. Tá servindo para nada essa medida. A gente não vê os agentes andando entre as pessoas, nada. Só cercam a rua”, disse, afirmando que no final de semana os moradores também não podem passar de carro pela praça.
O empresário Rodrigo Mendonça, dono de um dos mais tradicionais bares da cidade, disse que o fechamento da praça tem atrapalhado os comerciantes. “As pessoas gostam de passar pela praça, olhar o movimento, escolher onde ficar. Nos finais de semana, caiu o movimento por conta disso”, comentou, ressaltando que nas sextas-feiras a estratégia da Guarda Municipal não está funcionando. “Eles proíbem o acesso de carro, mas as pessoas chegam a pé à praça. Não está adiantando. A bagunça continua e a culpa não é dos bares”, destacou Rodrigo.
Outro dono de bar, que pediu para não se identificar, informou que o seu faturamento aos sábados e domingos caiu cerca de 50%. “Não faz sentido fechar a praça nos finais de semana. No dia que tem o isoporzinho (sexta-feira), até vai. Mas no sábado e no domingo à tarde não dá resultado. As pessoas pararam de vir para Colina. As famílias que gostam de almoçar na praça não estão vindo mais. Não há motivo para deixar tudo fechado”, destacou.
O mesmo empresário disse que já foram feitas sugestões para a Guarda Municipal e prefeitura. Uma delas foi a de utilizar como base fixa da GM a Casa do Baralho, um espaço público utilizado por moradores para jogar carteado. “Se os guardas ficarem ali, naquela base, já começam a inibir. Quando as pessoas chegarem com caixinha de som, bebida, ou forem usar uma droga, já vão saber que a guarda está ali. Aquela Casa do Baralho fica fechada à noite, pode ser usada”, destacou, ressaltando que o secretário de Fazendo, Erick Higino, ficou de avaliar a possibilidade.
Nota da redação: O aQui procurou, através da assessoria de imprensa, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Sul Fluminense para que o órgão pudesse falar sobre o tema. Até o fechamento da edição, não houve retorno.

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