Em entrevista exclusiva ao aQui, o deputado estadual licenciado Gustavo Tutuca, atualmente secretário estadual de Turismo, abordou a ‘guerra do Rio’, que deixou centenas de vítimas, entre elas, quatro policiais. “Um episódio muito triste”, avaliou. Ele aproveitou para frisar que o episódio ocorreu a quilômetros de distância das áreas turísticas do Rio de Janeiro, o que, segundo ele, pode minimizar os possíveis efeitos negativos no turismo estrangeiro para as festas de fim de ano no estado.
aQui: Como o senhor avalia a ‘guerra do Rio’, que culminou com a morte de 121 pessoas – entre elas, quatro policiais? Gustavo Tutuca: A situação da segurança
pública no Rio de Janeiro é extremamente complexa e exige ações integradas, com inteligência, presença do Estado e apoio efetivo do Governo Federal. Como deputado estadual, acredito que o combate ao crime precisa ser firme, mas sempre pautado pela responsabilidade, pela legalidade e pela proteção da população.
A perda de vidas de policiais e de pessoas inocentes é sempre uma tragédia e deve ser tratada com o máximo de respeito. Cada vida perdida representa uma ferida que precisa nos motivar a buscar soluções mais eficazes, humanas e permanentes para a segurança pública. O caminho passa por fortalecer as instituições, investir em prevenção, inteligência e garantir condições reais de trabalho às forças de segurança. E isso o governador Cláudio Castro tem feito.
aQui: O senhor acha que a repercussão no exterior pode afetar a vinda de turistas estrangeiros para o Rio de Janeiro no verão, alta temporada?
Tutuca: O noticiário internacional sempre impacta a imagem de um destino, principalmente quando envolve episódios como esse. É um episódio triste, trágico, mas é importante contextualizar que os confrontos ocorreram a quilômetros de distância das áreas turísticas do Rio. O perfil ‘Rio para argentinos’, no Instagram, que conta com mais de 320 mil seguidores, explicou muito bem isso.
aQui: A Setur tem estratégias para evitar que o turismo internacional seja afetado? Tutuca: Vamos seguir trabalhando muito na promoção do estado, com presença em feiras nacionais e internacionais, campanhas segmentadas e ações diretas com operadores de turismo, agências de viagem, companhias aéreas e todo o trade turístico. Nosso papel é garantir que o Rio de Janeiro siga sendo visto, no Brasil e no exterior, como um destino preparado para receber bem, seja a lazer, a trabalho ou em grandes eventos.
aQui: E quanto aos turistas brasileiros que procuram a cidade maravilhosa, especialmente para os festejos de fim de ano? Tutuca: As reservas para o Réveillon e o verão seguem em alta. A rede hoteleira está otimista, os grandes eventos estão confirmados e os municípios vêm se preparando para receber visitantes do Brasil inteiro com segurança e estrutura. Nosso papel, como Estado, é seguir ao lado do setor, promovendo o destino, apoiando a cadeia produtiva e garantindo que o turismo funcione. Porque quando o turismo acontece, ele gera emprego, movimenta a economia e melhora a vida de quem vive aqui.
aQui: Este ano o governo do Estado focou bastante no turismo do interior do Rio de Janeiro. O senhor acredita que haverá um aumento na taxa de ocupação das cidades menores por conta da crise de segurança na capital?
Tutuca: A interiorização do turismo fluminense é uma estratégia que vem sendo construída desde 2021. Não é uma reação a crises, mas uma política estruturada de valorização das vocações regionais. Já observamos há tempos um aumento consistente na procura por cidades do interior, que oferecem natureza, gastronomia, tranquilidade e experiências diversificadas. O interior do Rio está cada vez mais estruturado e preparado para receber bem, e o turista já percebe isso.
aQui: Como deputado estadual, que solução o senhor apontaria para resolver o problema da falta de segurança no Rio de Janeiro?
Tutuca: Segurança pública não se resolve com uma medida única ou isolada, ainda mais no Rio. É preciso haver uma ação integrada entre Estado, o Governo Federal e os municípios, principalmente no que diz respeito aos serviços pú-blicos e à ordem urbana. Mas também é fundamental rever a legislação penal. Não adianta a polícia fazer o seu trabalho, se arriscar, prender, e seis meses depois o criminoso estar de volta às ruas. A sociedade não suporta mais esse ciclo. Leis mais duras, que garantam punição efetiva para o crime organizado e para a violência armada, são urgentes. Isso não é ideologia, é para proteger vidas e restabelecer a autoridade do Estado.

