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Celebração de uma missa causou polêmica na UFF/VR

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Por Pollyanna Xavier

O campus da Universidade Federal Fluminense, no Aterrado, foi palco de uma polêmica. Tudo por conta da suposta celebração de uma missa, que seria feita pelo padre Lucas Krauss, na terça, 26. A realização do evento não teria agradado ao Centro Acadêmico de Psicologia Tatiana Ramminger (Capta-UFF), que soltou uma nota de repúdio nas redes sociais. Na publicação, o Capta considerou o episódio “grave e inaceitável” por entender que a celebração de uma missa na universidade iria ferir o princípio constitucional da laicidade do Estado. “A UFF é um espaço público, laico e plural que não pode ser usado como extensão de igrejas ou espaços de culto”, dizia a nota.

A publicação, disponível na página do Capta- UFF no Instagram, diz ainda que “a situação se torna mais revoltante” pelo fato de que, há um tempo, no mesmo espaço, o Mestre Geraldinho teria sido “expulso de forma violenta” enquanto ministrava uma roda de jongo di volta – uma expressão cultural da cidade do aço. “É irônico e inaceitável que manifestações culturais e tradicionais, que fazem parte da identidade local, sejam reprimidas, enquanto uma missa (expressão religiosa vinculada a uma instituição de poder) chegue a ser cogitada dentro da universidade”, escreveu o Capta-UFF.

A nota de repúdio conclui citando a Constituição Federal e o fato de ela estabelecer o Estado laico. “Permitir uma missa nas dependências da UFF fere o princípio da laicidade e representa um perigoso favorecimento religioso em um espaço que deve ser dedicado ao ensino, à pesquisa, à extensão e à diversidade cultural”, teoriza. Apesar da nota e da polêmica em torno da missa, o evento, segundo o Capta-UFF, teria sido celebrado. Em e-mail ao jornal, o Centro Acadêmico informou que a própria direção da universidade teria permitido a missa, vetando apenas a “oficialização de culto religioso dentro da instituição”.

Polêmica

Na terça, 26, dia da suposta celebração da missa, o aQui reportou a notícia, em cima da nota de repúdio do Capta- UFF. A publicação causou polêmica nas redes, gerou discussões inclusive interessantes, e o próprio Capta enviou uma mensagem ao jornal para contestar algumas informações. A reportagem  tentou falar com a direção do Centro Acadêmico, até para entender melhor os fatos e saber o porquê de uma nota de repúdio, mas, até o fechamento desta edição, não houve qualquer resposta aos questiona- mentos do repórter.

Ao aQui, uma estudante do campus Aterrado garantiu que a missa não teria sido realizada, e que teria ocorrido apenas um momento, autorizado pela direção da UFF, para que os presentes pudessem rezar um terço. Disse também que o Capta teria pedido à direção da universidade que cancelasse a missa, sob ameaças de protestos e manifestações, o que poderia causar desconforto ao padre. “O Capta diz que a nota representa a maioria dos discentes, mas isso é uma mentira (…) a maioria achou a nota deplorável”, escreveu a universitária.

O aQui também tentou falar com a direção da UFF, campus Aterrado, através de dois números de telefone. Mas nenhum dos dois completou a ligação. O espaço do jornal permanece aberto para que a direção se manifeste sobre a polêmica envolvendo a celebração da missa no campus e ainda que comente se o posicionamento do Capta representa a política da universidade.