Vida e amor!

Gisele e Rodrigo voltam a discutir por conta de cartazes sobre aborto

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Por Mateus Gusmão

Apesar de ser uma pauta exclusiva do Congresso, o aborto voltou a ser tema de debate na Câmara de Volta Redonda. A discussão foi entre Rodrigo Furtado, que quer espalhar cartazes contra o aborto pela cidade, e Gisele Klingler, presidente da Comissão Permanente de Direitos da Mulher, contrária à proposta. Detalhe: o projeto de Furtado segue o modelo já aprovado no Rio de Janeiro e considerado inconstitucional pelo Tribunal de Justiça.

O texto prevê a colocação de cartazes em unidades de saúde, escolas, universidades e centros de assistência social, com frases como: “Aborto pode acarretar consequências como infertilidade, problemas psicológicos, infecções e até óbito”; “Você sabia que o nascituro é descartado como lixo hospitalar?”; e “Você tem direito a doar o bebê de forma sigilosa. Há apoio e solidariedade disponíveis para você. Dê uma chance à vida!”.

A nova polêmicas surgiu na sessão de terça, 26, após a aprovação, em primeira discussão, do Projeto de Lei nº 055/ 2025, do vereador Paulinho do Raio-X, que garante a implantação do acesso ao Dispositivo Intrauterino (DIU) em Volta Redonda. Paulinho agradeceu a colaboração da Comissão de Direitos da Mulher na adequação do texto antes da votação.

Foi a deixa para Furtado ressuscitar seu projeto dos cartazes. “Vejo que estão criando aí métodos contraceptivos para evitar uma  gravidez que não está prevista, para alguns indesejada. Mas todo filho é desejado porque vem de Deus, né?! E no posto de saúde tem preservativo de graça. Temos que defender a vida desde a concepção. Quem não quer ter criança, faça o DIU, use camisinha, mas não vá procurar ajuda para matar a criança…”, disparou.

Segundo Furtado, a proposta aguarda votação. “Muita gente morre tentando fazer aborto ou com ajuda de terceiros. Existem as hipóteses legais, quando a mãe corre risco de morte ou estupro, mas precisa de juiz para autorizar. Queremos votar o projeto, e tenho certeza que vamos ter apoio para Volta Redonda ser a cidade da vida e do amor”, afirmou. Gisele reagiu e cobrou que todos os projetos que envolvam políticas para mulheres sejam discutidos com as parlamentares da Casa, ela e Carla Duarte.

“Quando a gente fala de segurança e saúde da mulher, eu peço que os nobres vereadores escutem as mulheres desta Casa. Ficamos uma legislatura inteira sem representação feminina e agora somos duas. É importante ouvir as mulheres que estão nas ruas também”, destacou. Ela foi além. Lembrou que aborto é questão de saúde pública. “Nem sempre é um filho indesejado. Às vezes a mulher tem problemas de saúde, psicológicos ou foi violentada. Colocar cartazes culpabilizando e vitimizando não é política pública”, disparou, rebatendo a acusação de que seria contra a vida.

“Estamos defendendo a vida da mulher. Quem chega ao hospital público para fazer um aborto legal já carrega uma história. A mulher rica consegue abortar em clínica particular, bonitinha. A pobre depende do SUS. E merece respeito”, disse. “Colocar um cartaz em hospital dizendo que aborto é crime, sem fazer política pública para a mulher, é revitalizar e passar a mão na cabeça de estuprador”, ponderou.

Rodrigo não quis alongar a discussão, mas, como bolsonarista, atacou o Supremo Tribunal Federal. “Não podemos aceitar que o STF permita aborto com 22 semanas de gestação. O que queremos é conscientizar, valorizar a vida e mostrar que a  adoção é uma alternativa. Esse é o papel do vereador. Sou pai de duas crianças”, encerrou. Aguardem os próximos arranca-rabos..