terça-feira, maio 24, 2022

Zorra total

Rodovia do Contorno vira depósito de lixo a céu aberto

A Rodovia do Contorno é uma fonte inesgotável de problemas, que começaram há mais de 20 anos quando ela foi lançada pelo ex-prefeito Paulo Baltazar. As trapalhadas nas obras não foram só dele, passaram por Neto, Gotardo, Samuca e novamente Neto, com direito a mudanças de projeto, problemas ambientais, picuinhas políticas e até uma briga pela paternidade dos quebra-molas que a via acaba de receber por determinação judicial. E quando todos achavam que ela ia sair do noticiário, eis que o aQui acaba de flagrar a existência de vários pontos de descarte irregular de lixo às margens da rodovia. Tem de tudo: móveis velhos, pneus, entulho de obras, e o sempre presente lixo orgânico, ensacado ou não. A maioria, justamente no trecho entre o Jardim Mariana, primeiro con-domínio instalado ao longo do percurso que passa por Volta Redonda, e a saída para a vizinha Pinheiral.
A probabilidade é de que tudo piore, já que a população tem a tendência – e a falta de educação, além da falta de fiscalização – de despejar seus dejetos e quinquilharias onde bem entende, como aconteceu na criação de mais um lixão em uma rua ao lado do Hospital da Unimed, na Rodovia dos Metalúrgicos. A mesma receita parece estar sendo seguida no caso da Rodovia do Contorno.
O aQui até procurou a prefeitura de Volta Redonda, que respondeu em nota que o problema da criação de futuros lixões na rodovia seria do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). “A SMI (secretaria municipal de Infraestrutura) recolhe todo e qualquer material disposto inadequadamente nas vias municipais. A Rodovia do Contorno está sob a tutela do Dnit”, respondeu a administração municipal em nota enviada ao jornal.
O Dnit também foi procurado via e-mail, mas, para variar, não respondeu ao questionamento feito pelo jornal há mais de 15 dias. Já o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) limitou-se a dizer que iria “oficiar a prefeitura de Volta Redonda para que realize uma fiscalização no local”. Afirmou ainda que estaria “realizando vistorias nos empreendimentos do entorno”, o que, pelo histórico do órgão, pouca gente acredita.
Mais lixo
Há algumas semanas, o aQui denunciou o descarte irregular de lixo no antigo aterro sanitário de Volta Redonda. O local só tem autorização para receber resíduos inertes – como entulho de obras ou restos de poda –, mas, sem controle, todo tipo de detrito continua sendo jogado no lixão. O aterro foi desativado em 2012, após um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) ter sido fechado entre a prefeitura de Volta Redonda e o Ministério Público Federal (MPF). Entre outros pontos, o TAC exigia que o chorume gerado pelo lixo enterrado há décadas no local fosse tratado. Mas não só o despejo irregular continuou acontecendo como o chorume continua surgindo, contaminando as águas do Córrego Brandão, que passa ao lado do lixão desativado. Sem contar que a área é de proteção ambiental, por causa da vizinha Floresta da Cicuta.
O aQui esperou durante três semanas por uma resposta do superintendente regional do Inea no Sul Fluminense, o ex-vereador Washington Granato, sobre quais providências estariam sendo tomadas pelo órgão estadual. Granato ignorou as mensagens e ligações da reportagem, e o jornal decidiu procurar a assessoria de imprensa do Inea no Rio de Janeiro. Na resposta, o órgão afirmou que a fiscalização no antigo lixão deveria ser feita pela prefeitura de Volta Redonda, “conforme preconiza a Lei Complementar nº 140/2011”.
Tem mais. O órgão ambiental afirmou que fez uma vistoria no local, um dia depois do contato feito pelo aQui (quarta, dia 6, grifo nosso), e que os agentes teriam verificado na vistoria que “o acesso ao maciço de resíduo e o descarregamento de caminhões” estariam sendo “monitorados por funcionários da administração municipal de Volta Redonda”. E prometeu que iria enviar ofício à prefeitura para realizar uma fiscalização no local. O que não ocorreu.
A administração municipal respondeu ainda que a secretaria de Infraestrutura teria sido licenciada pela secretaria municipal de Meio Ambiente para operar o aterro de resíduos da construção civil. Segundo a prefeitura, os donos das empresas de caçambas também estariam sendo orientados para que o entulho não seja misturado com lixo comum.
“Algumas vezes as pessoas encaminham resíduos da construção civil, misturados com lixo comum. Os proprietários de empresas de locação de caçamba têm sido constantemente orientados para proceder de maneira correta. Em várias oportunidades essas caçambas dormiam carregadas na porta do aterro e nelas eram dispostos outros resíduos diversos”, afirmou a prefeitura em nota, dizendo ainda que estaria “notificando e até multando quem desrespeita as orientações corretas”.
Animais
Outro problema na Rodovia do Contorno está ligado aos animais que vivem nas áreas ao entorno da pista e que, como mostra a foto, estão morrendo atropelados devido à falta de sinalização adequada. Moradores do Alphaville-VR, por exemplo, estão usando as redes sociais para pedir que as autoridades promovam campanhas de conscientização sobre a presença dos animais ao longo da rodovia.

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