Por Mateus Gusmão
A atuação do VR Parking, empresa que administra o sistema rotativo de Volta Redonda, anda irritando dez entre dez volta-redondenses. Os motivos são os mais diversos, desde a falta de monitores nas ruas, parquímetros estragados, até multas e advertências indevidas. Pior. Agora, a concessionária está penalizando idosos e deficientes físicos que ultrapassam o limite de duas horas nas vagas comuns – ou três horas nas vagas exclusivas. A multa pode chegar a R$ 95,00.
Como o aQui revelou na edição 1456, os motoristas estão sendo surpreendidos com uma norma imposta pela empresa que explora o sistema de estacionamento rotativo: idosos e deficientes só podem ficar estacionados por duas horas em qualquer vaga controlada do VR Parking. Em vagas destinadas exclusivamente para esse público, o tempo máximo
é de três horas. E quem deixar o carro estacionado por mais tempo será multado. Como não poderia deixar de ser, as reclamações chegaram à Câmara de Vereadores. E os parlamentares – inclusive da base aliada do prefeito Neto – se mostram pra lá de irritados com a empresa. Tem mais. Ameaçam criar uma lei municipal para cancelar o contrato do VR Parking com o Palácio 17 de Julho. A discussão aconteceu durante a sessão
de segunda, 16.
Tudo começou com a aprovação de um requerimento de informação – um documento com questionamentos ao município – sobre os procedimentos de renovação e utilização da credencial de estacionamento dos idosos e deficientes. O documento foi proposto pelo vereador Raone Ferreira, de oposição ao governo Neto. Todos os parlamentares aprovaram o requerimento. Coube ao vereador Rodrigo Furtado, que agora é aliado de Neto, atacar diretamente a empresa VR Parking. “Muitas pessoas estão nos perguntando sobre o tempo que podem ficar estacionadas. A gente sabe que a vaga, sendo utilizada pelo idoso, tem um prazo.
Mas nas vagas que são exclusivas não tem esse prazo. O problema é que fazem poucas vagas”, destacou. “Agora, eles querem limitar os idosos a ficarem estacionados apenas duas horas. Essa lei até existe (ver box), mas podemos derrubar”, completou. Tem mais. Furtado garante que, caso as reclamações sobre o tempo de estacionamento dos idosos persistam, os parlamentares poderão buscar alternativas. “A concessionária vem aqui, explora essa questão do estacionamento rotativo, arrecada muito, e não tem contrapartida”, pontuou, indignado. Já na terça, 17, Rodrigo Furtado entrou com um Projeto de Lei pondo fim ao limite de duas horas para estacionamento de idosos e deficientes em todas as vagas do VR Parking. O projeto não tem previsão para ser votado.
Ainda na sessão de segunda, 16, Renan Cury, da base aliada a Neto, aproveitou para disparar cobras e lagartos contra o VR Parking. “Eu voltei a receber muitas reclamações. Agora tem pessoas que estão recebendo multas em casa, do Detran, por estacionamento irregular, mesmo pagando o VR Parking. Assim fica difícil”, afirmou, ressaltando que
pessoas de fora da cidade do aço não sabem que existe o sistema de estacionamento rotativo. “Eles não têm uma placa informando, uma publicidade, nada”, afirmou.
Renan também citou a questão de o VR Parking limitar o tempo máximo de duas horas para idosos e deficientes estacionarem em vagas não exclusivas. “É brincadeira o que essa empresa está fazendo em Volta Redonda. A questão dos idosos é apenas mais uma das palhaçadas, entre tantas outras, que o VR Parking está fazendo”, falou o parlamentar. “É uma indústria da multa”, sentenciou. O vereador Sidney Dinho propôs uma solução para a polêmica sobre estacionamento rotativo. “Vamos criar um projeto de lei revogando a
legislação que criou o estacionamento rotativo.
Assim, o governo municipal terá que arcar com esse problema”, exclamou o parlamentar, revelando que recebe diariamente em seu gabinete críticas ao sistema. “Essa Casa tem que tomar uma posição nesse caso e fazer um PL revogando o estacionamento rotativo”,
disse. O presidente da Câmara, Edson Quinto, corroborou a ideia de Dinho. “Alguma coisa temos que fazer. Do jeito que está, não pode ficar”, comentou, para logo ser interrompido por Dinho.
“Quer saber? Nos próximos dias eu mesmo vou apresentar esse projeto revogando a lei do
estacionamento rotativo. Quem quiser assinar junto comigo pode assinar”, ameaçou. Conforme ‘prometido’, Dinho deu sequência a sua guerra contra o VR Parking e já assinou o projeto de lei revogando a legislação que criou o sistema de estacionamento rotativo da cidade. A proposta foi protocolada na Mesa Diretora e Dinho agora tenta conquistar 14 assinaturas ao PL para que o mesmo possa ser votado na próxima segunda, 23, ou terça, 24.
Lei em vigor
Enquanto os parlamentares estão na ameaça – se vão partir para a prática, é outra história –, o VR Parking poderá seguir fazendo, digamos, maldade com idosos e deficientes. É que a empresa, vejam só, está amparada pela legislação municipal vigente. É que a Lei 5.721, do então vereador Pastor Washington Uchôa – hoje secretário de Pessoa com Deficiência – trata justamente da permissão para idosos e deficientes estacionarem em qualquer vaga caso não haja disponibilidade de vagas destinadas exclusivamente para esse público. A lei de Uchôa, entretanto, garante que idosos e PCDs têm apenas duas horas para permanecer nas vagas.
Ainda segundo a legislação, os motoristas deverão deixar visível no interior do veículo a identificação – Cartão de Gratuidade. E o agente do VR Parking tem de ser informado pelo idoso ou deficiente do horário de ocupação da vaga. Vale destacar que, conforme divulgado pelo aQui, o VR Parking arrecadou, segundo dados do Porta da Transparência, de janeiro
a abril deste ano, R$ 1,1 milhão. Já em 2024, foram R$ 3,5 milhões. E, em 2023, R$ 4,5 milhões.
Reclamações
Desde a divulgação da reportagem do aQui, publicada há duas semanas, a redação tem recebido diversos relatos de idosos e motoristas reclamando do VR Parking. Alexandre Cunha, por exemplo, enviou um e-mail ao jornal contando que já recebeu duas notificações. “Já recebi duas advertências em tom ameaçador da VR Parking. Perguntei qual é o motivo pelo qual temos que renovar a credencial, já que a que tenho não tem prazo de validade. Segundo um dos atendentes, um dos motivos é que, após o
falecimento do idoso, seus parentes continuam usando o cartão”, destaco Alexandre.
O leitor Luiz Antônio Arantes cobra uma ação dos parlamentares voltaredondenses. “Para exigir o cumprimento da lei e fiscalizá-la, elegemos VEREADORES. Vão ficar calados?”, questionou. Já Margharet Bhering levantou a questão das faltas de vagas destinadas aos idosos. “Um absurdo! Quem consegue nestes locais movimentados vaga preferencial de idoso?”, disse. Vitor Oliveira completou. “Está desse jeito porque os representantes do povo aceitaram isso”, acrescentou.
Edson Ferreira também já foi notificado duas vezes. “É verdade. Já marcaram duas vezes no meu carro. (sou) deficiente auditivo, em vaga especial, colocaram marcação de duas horas”, disse. Bruno Abronzzo ainda levantou uma outra questão. “E esse dinheiro não é investido na cidade. Engraçado que você tem que pagar para estacionar na RUA, se não pagar leva multa. E se alguém roubar ou depredar seu carro, a prefeitura vai te ressarcir?!”, questionou. A resposta, Bruno, é não!

