Vinicius de Oliveira
Diz o ditado que “o mal do esperto é achar que todo mundo é tolo”. O prefeito de Barra do Piraí, Mário Esteves, caiu numa dessas. Ele, que desistiu de se candidatar à Câmara para não ter de renunciar ao cargo, resolveu colocar o pai para concorrer em seu lugar. E, para emplacar a candidatura do paizão, passou peroba na cara e ousou emprestar o próprio nome para ampliar as chances de sua vitória, desafiando a inteligência dos eleitores. Em vez de Jorge Esteves, lançou J.Mário Esteves. Exatamente assim: com a letra ‘J’ bem juntinha da palavra ‘Mário’.
O detalhe é que o pai do prefeito nunca foi “Mário”, nem é conhecido na cidade por esse nome, o que justificaria uma possível aceitação do registro. Mas Mário Esteves pagou para ver. Desde que a campanha foi liberada, em 16 de agosto, seus cabos eleitorais passaram a distribuir santinhos e publicar nas redes sociais, com a estratégia estampada. É claro que a Justiça Eleitoral, acionada pela vereadora Kátia Mikki, cortou as asinhas do mandatário de Barra do Piraí.
No Brasil, ‘emprestar’ o nome para membros da própria família não é novidade. Desde o clã Sarney no Maranhão, passando pelos Magalhães na Bahia, até as famílias Garotinho e Bolsonaro, no Rio, usam o sobrenome para se perpetuar na política. Em Volta Redonda, a tática é adotada. Munir, ex-secretário de Assistência Social, abandonou o sobrenome ‘Francisco’ e passou a usar na campanha o famoso ‘Neto’. É uma estratégia antiga, que costuma dar certo. Só que, em Barra do Piraí, o prefeito inverteu a lógica e chamou a atenção.
Às vésperas das eleições, Kátia Mikki – que resiste como oposição ao prefeito – conseguiu que o juiz da 93ª Zona Eleitoral, Diego Ziemiecki, ordenasse a retirada de todo material escrito com “J.Mário Esteves” das ruas e das redes. “Notifique-se o candidato, com urgência, para que se abstenha de utilizar quaisquer materiais (…). o candidato ainda deverá se abster de divulgar/veicular propaganda eleitoral nos veículos de rádio, televisão e internet, mensagens instantâneas e WhatsApp com o nome J.Mário Esteves”, sentenciou.
A estratégia do nome também foi proibida para comícios, carreatas e passeatas. Quem tiver colado adesivos em carros vai ter que retirá-los. Caso não obedeçam, Jorge Esteves poderá ser multado em R$ 5 mil por cada descumprimento, sendo enquadrado por desobediência. E agora, o patriarca da próspera família Esteves tem que usar o próprio nome.
O juiz determinou ainda que até o próximo dia 3 de outubro, ou seja, um dia depois do primeiro turno das eleições, a seguinte mensagem permaneça fixada na linha do tempo das redes sociais de JMario, ops, Jorge Esteves: “Por ordem da decisão proferida pela 93a Zona Eleitoral, nos autos informa que o senhor Jorge Esteves é o candidato a deputado Federal (…) O senhor Mário Esteves, prefeito de Barra do Piraí, não é candidato a qualquer cargo eletivo nesta eleição”.



