Um amor de pijama

Com a chegada da pandemia, muita coisa mudou. Famílias não podem passar os finais de semana juntos e a população é orientada a sair o mínimo possível de suas casas, visto o número de casos de covid-19 no mundo todo. O que antes era corriqueiro, hoje mudou de formato. Os almoços de domingo acontecem separadamente e os contatos são por meio de chamadas de vídeos, ligações ou por mensagem em aplicativos de mídias sociais.

Nossas casas ou apartamentos se tornaram nosso escritório e neste cenário surgiu um personagem que passou a fazer parte da rotina de boa parcela da população: o pijama. Essa peça de vestuário que antes era lembrado somente no momento de dormir, hoje insiste em passar o dia nos fazendo companhia, se tornando um grande caso de amor. Tem de todas as cores, modelos e texturas. Seja ele de bolinha, listrado, colorido, com orelhinhas e estampas do animal preferido ou aqueles básicos, para os seus amores mais casuais.
Devo salientar que, se não tomarmos cuidado, esta relação passa a ser abusiva, tornando-se o único look a ser vestido por dias seguidos. Para quem está em home office é importante evitar esse costume, pois descaracteriza o momento de trabalho, ainda que todas as demandas sejam realizadas.

Algumas sugestões para se afastar desse relacionamento conturbado com o pijama é acordar mais cedo, fazer uma atividade física, alongar-se, tomar um bom banho, passar aquele perfume preferido, vestir uma roupa adequada para o seu trabalho, aquela maquiagem profissional e iniciar a sua jornada. Essas atitudes despertam maior interesse pelo trabalho, pois ativam o “modo produção”. Também evitam aquelas correrias quando o nosso “chefe” convoca uma reunião emergencial e a correria está instaurada.

É importante sentir-se produtivo criando um ambiente corporativo. Isso auxilia para que nosso cérebro não confunda os momentos de lazer e descanso com os momentos de compromisso com o trabalho. O lazer é uma necessidade do ser humano por combater o stress mental e psicológico, o que é tão importante quanto manter uma boa saúde física.

Os tempos são difíceis, porém com calma, cuidado e equilíbrio emocional essa fase pode ser encarada de forma mais amena e a tempestade de emoções e preocupações vai embora junto com esse vírus que transformou comportamentos, atitudes e sentimentos, até com o nosso pijama.
Carlos Alberto Holdefer é professor dos cursos de bacharelado e licenciatura em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.

Deixe uma resposta