Trabalho flexível

A profissão de social media é uma boa saída para mães que desejam encontrar equilíbrio entre vida pessoal e profissional

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O Dia das Mães, a ser comemorado amanhã, domingo, 8 de maio, tem como intuito homenagear mulheres fortes e corajosas, que amam, educam e criam seus filhos. Nesse sentido, a data serve também para destacar histórias de personagens femininos, que muitas vezes, com pouca ou nenhuma rede de apoio, acumulam duplas, triplas jornadas de trabalho, a fim de equilibrar a vida pessoal (principalmente cuidar o filho) e a vida profissional.
Para muitas dessas mulheres, a profissão de social media se torna a grande oportunidade de vida. Isto porque, explica a produtora de conteúdo, especialista em mídias sociais e fundadora da Like Marketing, Rejane Toigo, o profissional que atua desenvolvendo conteúdo para mídias digitais consegue unir o útil ao agradável. “Garante um modelo de trabalho flexível, que pode ser realizado em casa (e assim acomodar os afazeres domésticos) e ao mesmo tempo apresenta retorno financeiro satisfatório, que possibilita sustentar-se financeiramente sem precisar recorrer a outros trabalhos”, explica.
Não à toa, produzir conteúdo para redes sociais está em alta. De acordo com pesquisa realizada pela rede social de negócios Linkedin, apenas em 2020 a profissão apresentou um aumento de 74% em suas contratações. Inspiradas por Rejane, que, em 2010, após muitos percalços profissionais, começou a trabalhar como social media, e hoje, mãe, tornou-se uma profissional de grande sucesso, muitas mulheres resolveram também apostar na profissão e relatam aqui algumas de suas histórias de superação.
Mãe solo de um lindo casal, Yasmin (16 anos) e Pietro (6 anos), Taís Pereira atua como empreendedora digital desde 2015. Ela conta que precisou dar uma guinada em sua trajetória profissional após ser demitida na volta da licença-maternidade. Já com uma pré-adolescente em casa, se viu na obrigação de encontrar uma nova ocupação para sustentar-se, mas não qualquer uma. Precisava ser algo que lhe permitisse trabalhar de casa e ficar mais perto dos filhos. “Em meio a pesquisa e estudos, encontrei Rejane, que me deu a oportunidade de me formar como social media. Agarrei essa chance com ‘unhas e dentes’ e hoje posso me considerar bem-sucedida: tenho uma agência digital onde conecto pequenas e médias empresas a seus clientes através do marketing digital”, conta.
Antes mesmo de ter suas filhas, Helena Lima já se aventurava no empreendedorismo digital. Nos primórdios da Internet, há aproximadamente 21 anos, ela e o marido fundaram uma empresa com o objetivo de criar e hospedar sites. Mas como acontece com muitas mulheres, quando as filhas nasceram, Helena acabou se afastando dos seus afazeres profissionais.
Voltou ao trabalho apenas em 2015, quando as crianças haviam crescido um pouco, para assumir a área de desenvolvimento de projeto e comercial da agência. Tratava-se de uma atividade que conseguia exercer no home office, fundamental para continuar acompanhando o dia a dia das meninas. “O trabalho digital foi que possibilitou levá-las e buscá-las na escola, ajudar com os trabalhos e lição de casa, participar das reuniões e ser presente em momentos importantes da vida delas”, afirma.
Monica Shidô sempre sonhou viajar pelo mundo, o que fez com que se tornasse comissária de voo. Mas viajar não era seu único desejo. Ela também queria ser mãe. Quando ficou grávida, percebeu que não poderia continuar trabalhando como comissária, se quisesse se dedicar integralmente a seus filhos. Decidiu então encontrar uma ocupação profissional que lhe proporcionasse parar mais tempo em casa.
Mas a vontade de conhecer o mundo ainda permanecia e Mônica foi atrás de uma ocupação que lhe permitisse balancear seus dois maiores sonhos. Mudou diversas vezes de profissão até finalmente encontrar uma que lhe proporcionasse simultaneamente liberdade geográfica e financeira e proximidade dos filhos. A profissão encontrada foi a de social media. Aos 37 anos recomeçou. Primeiro como proprietária de loja on-line. Aos poucos migrou para consultoria, percebendo seu potencial de ajudar muitas outras mulheres empreendedoras. “Hoje, vivo em um lugar paradisíaco, posso estar com meus filhos e ajudar outras mulheres, inclusive de outros países, a realizarem os seus sonhos”, relata.
Com um trabalho de grande prestígio como diretora de arte em Madri, Espanha, Daniella Froujeullo havia acabado de parir o seu segundo filho, e enfrentava um grande dilema: ficar na Europa, dedicando-se a uma profissão que amava bastante, mas exigia muito dela ou voltar ao Brasil, após 10 anos, para dedicar-se exclusivamente à maternidade, cuidando do seu casal de filhos. Decidiu-se pela segunda opção.
No Brasil, Daniella teve a oportunidade de trabalhar em agências, mas isso seria voltar algumas casas no “jogo da vida”. Pensando prioritariamente na criação de seus filhos, dedicou-se a diversas profissões que lhe permitissem o sustento financeiro sem deixar de acompanhar suas crianças com constância. Vendeu bolos e cupcakes; fez posts para uma empresa de tecnologia; e tentou trabalhar com terapias alternativas. No final, percebeu que a solução para o seu dilema se encontrava no trabalho de social media, que travou conhecimento quando foi responsável pela criação de “artes” para uma conta de Instagram.
“Trabalhar de casa, ser muito bem remunerada, fazer meus horários (confesso que um sábado ou outro tenho trabalho), ver os filhos crescerem (bagunçarem a casa, gritarem no meio de uma apresentação), é uma opção que eu sempre busquei”, afirma Daniella.

A mãe que transformou sua solidão em solidariedade e recebeu apoio do Facebook

Uma mãe do interior de Sergipe cuidava sozinha, há mais de uma década, de seu filho com deficiência quando decidiu, em 2015, buscar meios de informação e de compartilhamento de suas experiências em torno da maternidade. Seu nome é Márcia Freire, mãe do Rodrigo, diagnosticado com uma síndrome rara, conhecida como Rubinstein-Taybi (SRT), quando tinha um ano de idade. Rapidamente, o despretensioso grupo do Facebook começou a crescer e se tornou uma das maiores comunidades das redes sociais, hoje formada por quase 3,5 milhões de pessoas: o Crianças Especiais (www.criancasespeciais.com.br), que dá apoio a famílias de crianças e adolescentes com deficiência que interagem em diversas plataformas, como site, Facebook, Instagram e WhatsApp.
“Fui surpreendida com tamanha adesão de pessoas de todo o Brasil que, assim como eu, também se sentiam muitas vezes sozinhas, e precisavam de informação e de orientação”, conta Márcia, que, em seguida, passou a compartilhar a administração do grupo com a advogada Letícia Lefevre. Elas se conheceram por meio da comunidade e o sonho de auxiliar outras famílias crescia junto com a comunidade. “O propósito é gerar inclusão social e promover a defesa dos direitos da criança e do adolescente com deficiência por meio de compartilhamento de informações, capacitação e acolhimento”, comenta Letícia.
Infelizmente, em dezembro de 2020, o Rodrigo faleceu, aos 17 anos, mas Márcia não desistiu de continuar colaborando com as famílias. “Meu filho tinha suas dificuldades trazidas pela síndrome, mas vivia bem até o início da pandemia, ele ia para a escola, eu o levava a parques e ele se divertia. Apesar da sua partida, eu senti que precisava continuar, pois assim como eu que moro no interior, em uma cidade que não tem sequer uma ONG para nos orientar, há outras tantas pessoas na mesma situação que seguem cuidando de seus filhos”, afirma Márcia, de 45 anos, e completa. “Às vezes olhamos tanto, mas tanto para as limitações que nossos filhos com deficiência possuem, que esquecemos o quanto eles têm para nos oferecer, nos ensinar”.
Ao longo dos anos, a comunidade atraiu novos integrantes de todos os estados do Brasil e também do exterior, principalmente em Portugal (87 mil), México (39 mil) e Argentina (36 mil). E este ano veio a boa notícia: o Crianças Especiais tinha sido selecionado para ser uma das 11 comunidades brasileiras escolhidas pelo Facebook para fazer parte de um programa global de aceleração, o Aceleradora de Comunidades 2021. A jornada de aceleração inclui mentoria, peer learning, conexão com o ecossistema e suporte financeiro. Como resultado da aceleração, em 2022 o Crianças Especiais lança o curso online “Tudo sobre os Direitos da Criança com Deficiência”, na plataforma de cursos Hotmart.
Sobre o Crianças Especiais
O Crianças Especiais (www.criancasespeciais.com.br) é uma comunidade de apoio para famílias de pessoas com deficiência. Hoje formada por 3,5 milhões de pessoas, ela tem o propósito de gerar inclusão social e promover a defesa dos direitos da criança e do adolescente com deficiência. O Crianças Especiais é uma das 11 comunidades brasileiras escolhidas pelo Facebook para fazer parte de um programa global de aceleração, o Aceleradora de Comunidades 2021, que recebeu 14 mil inscrições e selecionou 131 participantes.