Todos pelas turmas

Câmara vai promover audiência pública para debater ensino médio da Fevre

A intenção da prefeitura de Volta Redonda de acabar com 18 turmas de ensino médio das escolas da Fevre, como o aQui mostrou, continua repercutindo. Mal, é claro. E os vereadores locais decidiram promover uma audiência pública para tratar do tema e evitar, se possível, que as turmas sejam extintas. A decisão foi aprovada – por unanimidade – na sessão de terça, 10, e os parlamentares contam com a presença da secretária de Educação, professores e alunos. A data ainda será marcada. “A Fevre funciona há mais de 50 anos, e é uma injustiça acabar com o ensino médio. Todos que defendem a educação estão reivindicando a manutenção das turmas. Peço para que a mesa diretora marque a data, urgente, para que possamos fazer a audiência”, disse o vereador Walmir Vitor (PT), autor do pedido de audiência.
O presidente da Comissão Permanente de Educação, vereador Jari (PSB), apoia a ideia, mas informou que esteve – junto com os vereadores Paulo Conrado e Sidney Dinho – com a secretária de Educação, Therezinha Gonçalves, a Tetê. “A gente foi conversar sobre a importância do ensino médio da Fevre e a questão da sua extinção. Não ficamos satisfeitos em ouvir dela que o município estaria realmente terminando com o ensino médio da Fevre”, disse, conforme o aQui já havia publicado.
“Essa audiência pública vai ser importante para a gente conversar com a sociedade civil sobre o caso. Precisamos pensar com carinho e achar caminhos para a Fevre continuar prestando esse belo serviço para a população”, disse Jari, que ganhou apoio do presidente da Casa, Neném, aliado do prefeito Neto. “Eu também vou votar a favor dessa audiência. A gente espera que a secretaria de Educação reveja essa decisão”, disse.
Também membro da Comissão de Educação, Paulo Conrado foi além. Lembrou que os populares cursos técnicos da Fevre já foram extintos e que tirar o ensino médio seria mais uma perda. “É histórico o ensino médio na Fevre. Os cursos técnicos já acabaram. Então precisamos buscar caminhos, conversar, fazer comissões, ir no prefeito Neto”, completou.
Hálison Vitorino aproveitou para lembrar que ele se formou na Fevre, estudando no Colégio João XXIII, no Retiro. “A gente vê muitas pessoas querendo ir para a Fevre para cursar esses anos. O melhor caminho para se discutir esse assunto é a audiência pública, para a gente sentar com todos os atores importantes nesse assunto e conversar”, completou.
Já o vereador Betinho Albertassi defende uma solução política para o fim das 18 turmas. “A Fevre sempre foi referência no ensino médio profissionalizante. Estudar nos colégios da Fevre era o desejo de muitos pais que queriam um ensino de qualidade para os seus filhos. O momento é delicado para o município, mas entendo que, se deixar a história se perder e os alunos serem prejudicados, a conta vai chegar no futuro”, avaliou, indo além: “Temos que buscar um diálogo da secretaria de Educação junto à secretaria de Educação do governo do Estado para que toda essa história não se acabe e os alunos sejam prejudicados. A solução terá que ser política”, defende Betinho.
Competência do Estado
A justificativa oficial para o encerramento do ensino médio nas quatro escolas da Fevre (Getúlio Vargas; João XXIII; José Botelho de Athayde; Professora Delce Horta Delgado) é que o encerramento das turmas teria sido definido após uma avaliação do que seria realmente atribuição do governo Neto e do governo do Estado em relação ao ensino médio.
Therezinha Gonçalves, a Tetê, disse ao aQui que o objetivo da prefeitura é concentrar recursos dos cofres do Palácio 17 de Julho para a educação fundamental, até o 9º ano. “Diante do que é responsabilidade do Município, vimos a necessidade de ampliar a oferta (de vagas) e o período integral na educação infantil e nas nossas creches, além de fortalecer o ensino fundamental”, defende.
Na avaliação da secretária, o ensino médio da Fevre atendia apenas a uma minoria de alunos. “A gente sabe que o ensino médio oferecido pela Fevre é de excelência, mas também sabe que atendia uma minoria, em um processo que selecionava os melhores alunos do 9º ano do ensino fundamental. E esses estudantes continuarão sendo atendidos pelo Estado, dentro da responsabilidade que compete a ele”, ponderou.

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