Thiago Brum, o conselheiro tutelar mais bem votado de Volta Redonda, pediu exoneração do cargo na sexta, 19. A informação foi confirmada pela presidente do Conselho da Criança e do Adolescente, Paloma Lopes. Em carta enviada ao órgão, o agora ex-conselheiro explicou que sua decisão teria sido motivada por uma nova oportunidade de trabalho para ele. “Foi uma decisão difícil de tomar. Valorizo imensamente o trabalho realizado no Conselho e a confiança que a comunidade depositou em mim ao me eleger. Diante das circunstâncias atuais, precisei escolher entre permanecer no Conselho ou aceitar uma nova oportunidade de trabalho que oferece uma estabilidade financeira para minha família. Apesar de difícil, optei por seguir o que é melhor para os meus entes queridos”, justificou.
Vale mencionar que tanto o artigo 59 da Lei Municipal 6155 de 2023, que estabelece o funcionamento dos Conselhos Tutelares em Volta Redonda, quanto o artigo 37 da Resolução 139 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) exigem dedicação exclusiva do conselheiro empossado. Por isso, Brum teve de es- colher. “Quero deixar claro que meu compromisso em cuidar e proteger nossas crianças e adolescentes permanece inabalável, como sempre foi antes de eu ingressar no Conselho Tutelar. Mesmo após deixar o Conselho, pretendo continuar ajudando, envolvendo-me e participando ativamente, porém agora de forma voluntária, como um cidadão consciente de seus deveres e direitos”, prometeu.
O caso, entretanto, tem uma segunda versão. Há quem garanta que Thiago teria sido pressionado a pedir exoneração porque estaria acumulando dois empregos, o que seria ilegal. Ao ser empossado no Conselho, ele estaria trabalhando também na UFF (Universidade Federal Fluminense) desde 2017, como Técnico de Laboratório de Área, conforme atesta o site da transparência da instituição. “Durante uma reunião, a situação atingiu um ponto crítico, pois Thiago foi confrontado diretamente acerca de manter os dois vínculos – com a UFF e com o Conselho. A situação poderia se tornar pública, representando um sério risco para todos os envolvidos, já que configuraria omissão do colegiado e poderia parecer que estavam protegendo um amigo”, contou uma fonte, pedindo anonimato.
Ainda de acordo com a fonte, Thiago não estaria dando conta das demandas, pois sua carga horária na UFF seria de 40 horas, assim como no Conselho. Ou seja, incompatíveis com as duas funções. “Ele tinha pouca frequência nos seus dias de atendimento na sede do Conselho Tutelar. Não era presente nas reuniões de Colegiado, podendo ser
comprovado através das atas feitas nas reuniões”, contou.
O jornal tentou ouvir Thiago Brum, mas ele não retornou a mensagem. Vale lembrar que ele foi eleito com mais de 900 votos após uma campanha baseada em discurso conservador, apostando em valores cristãos. Chegou, inclusive, a receber apoio de figuras da extrema direita, como a ex- mulher de Jair Bolsonaro, Cristina Bolsonaro, o ex- candidato à prefeitura de Volta Redonda em 2020, Hermiton Moura, o ex- deputado federal Daniel Silveira e Dayse Pena, ex- secretária de Mulheres e Políticas de Idosos e Direitos Humanos no governo Samuca. Com a saída de Thiago, haverá uma pequena dança das cadeiras no Conselho Tutelar. Quem vai assumir seu lugar deverá ser Jhulieny Damasceno.

