Esquerda espera pelo ‘sim’ de Jari para enfrentar Neto
Por Vinícius de Oliveira
Enquanto a direita prepara seus soldados para concorrer com Neto em 2024, agregando nomes como os dos eternos Baltazar ,Nelsinho , Granato e Maurinho, a esquerda de Volta Redonda continua à procura de um nome forte para também enfrentar – e derrotar – Neto. É que o deputado estadual Jari de Oliveira (PSB), que seria o mais indicado para a dura batalha, não dá sinais de que a mosca azul o mordeu. “Ele sabe que não dá para vencer o prefeito Neto. Se vier agora, vai queimar cartucho”, dispara o vereador Neném, amigo pessoal do chefe do Executivo, que conhece bem o ex-colega de Parlamento.
Mas engana-se quem pensa que Jari está parado. O deputado sempre aproveita a agenda em Volta Redonda, onde esteve nos últimos dias por conta do projeto ‘Deputado na sua Cidade’, para articular com as lideranças políticas locais, propondo alianças e garantindo apoio a possíveis candidatos para as eleições de vereador. Se é para formar uma grande base eleitoral para si próprio, ele não confirma, mas também não nega.
Um dos seus assessores mais próximos, o ex-prefeito de Pinheiral, José Arimathea – que pode sair candidato a vereador tanto na sua ex-cidade quanto em Volta Redonda, em ambas com apoio de Jari –, afirmou que o PSB não teme a fama de político invencível que se mantém sobre o prefeito Neto. “Em eleição não existe isso de que ‘ninguém ganha de’, tudo tem seu tempo histórico, e o processo democrático existe para dar oportunidade a todos; no entanto, a presença do prefeito no pleito, com a natural força de quem está no governo, certamente é um grande adversário e tem vasta experiência política com cinco mandatos, mas também representa uma gestão que hoje não tem boa avaliação da população, e essa população sabe que pode ter novas ideias e novos caminhos para o futuro da cidade”, avalia Arimathea, que passou a morar em Volta Redonda, assim como fez o deputado estadual Tutuca e o ex- prefeito de Rio Claro, Didácio Penna.
O PT, que busca renascer na cidade do aço, aproveitando o poder do presidente Lula, sonha disputar de igual para igual as eleições de 2024. A intenção da liderança petista é marcar território e, quem sabe, lançar e encabeçar uma frente de esquerda. “Sabemos que Jari é um nome forte na região. Tem mandato de deputado, mas o PT é um partido grande, respeitado, tem o presidente da República e percentual de votos”, comentou Zeomar Tessaro, presidente do partido.
Contudo, ter Lula ao lado pode não ser suficiente para que o PT dê as cartas em uma cidade operária como Volta Redonda, que deu a maioria dos votos para Bolsonaro nas eleições presidenciais. No sábado, 3, o partido realizou uma plenária com a presença dos medalhões do partido, como Zeomar, Cida Diogo, Walmir Vitor, e até a deputada estadual Elika Takimoto, para receber novos petistas, mas o número de presentes frustrou integrantes da executiva, pois foi bem aquém do esperado. “Tirar o Neto não será fácil, precisaremos de unidade. Queremos unir os partidos, fazer uma pesquisa de intenções de voto para saber qual seria a melhor opção”, ponderou Zeomar, garantindo que no próximo dia 30 haverá uma reunião suprapartidária na sede do Sindicato da Construção Civil para discutir o tema.
Sem nomes fortes no PT capazes de fazer jus à popularidade de Jari, o vereador Walmir Vitor defende moderação nas discussões e acredita que somente com a união, a esquerda poderá fazer frente a Neto. “Eu defendo a união da esquerda, precisamos nos fortalecer e nos tornar competitivos. Para isso, é preciso uma discussão sem vaidades”, disparou, salientando que duas forças políticas se formam em torno da disputa do ano que vem. “Tem o grupo do Neto, obviamente, e um outro grupo vem se formando em torno do PL, com nomes fortes. Eu defendo que a esquerda unida seja essa terceira força”, torce o petista, reforçando a ideia da frente ampla.
Apesar das intenções, os petistas não avisaram aos demais militantes de esquerda a intenção de criar uma frente ampla. O Psol, por exemplo, fechado com o PCB, afirma não ter sido consultado. “Não fomos procurados oficialmente por outros partidos para tratar da frente ampla. O que ouvimos até o momento foram conversas informais. Mas estamos dispostos ao diálogo. Inclusive já estamos nos organizando para discutir essas bilateralidades”, comentou Adriana Bitencourt, presidente do diretório municipal. Juliana Carvalho, candidata da esquerda mais votada nas últimas eleições, é tida como o nome mais provável para concorrer novamente pelo Psol. “Ainda não temos um nome definido, mas o Psol tem a intenção, no momento, de lançar candidatura própria e, se o grupo entender que serei a melhor escolha, estarei à disposição”, completou Juliana.
Integrantes do PV também ficaram surpresos com a história de uma possível frente ampla de esquerda. “Não tem nenhuma materialidade. Seria excelente se existisse uma frente como a que se formou em Barra Mansa, onde todos se juntaram em prol de um projeto comum. Se existe essa possibilidade aqui em Volta Redonda, ainda é muito embrionário”, explicou Rodrigo Brandão, um dos líderes do PV local, se referindo ao manifesto contra Rodrigo Drable assinado por mais de 100 pessoas, incluindo Thiago Valério (PSB), Peterson (Psol), Inês Pandeló (PT), entre outros.

