‘Tá preocupante!’

Casos disparam e novos óbitos são registrados

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Pollyanna Xavier

O último sequenciamento genômico, realizado pela secretaria de Estado de Saúde do Rio no dia 21 de janeiro, em 8.152 amostras enviadas pelos municípios fluminenses, mostrou que a Ômicron é a responsável pelo aumento exponencial dos casos de Covid nas primeiras semanas de janeiro. A informação vai na contramão do resultado do último sequenciamento, feito no dia 14 de janeiro, e divulgado pelo aQui, que indicou Gama e Delta como as cepas dominantes. Segundo a SES-RJ, a divergência está na demora da liberação de resultados e no fato de as amostras analisadas terem sido coletadas em dezembro – quando a Ômicron ainda não estava circulando. A divulgação pelo painel SES não é clara quanto a isto, o que induz qualquer leitor ao erro.
No novo sequenciamento, com amostras coletadas em janeiro, a Ômicron é a única responsável pela explosão de casos positivos da Covid em todo o estado. A disparada dos números fez com que prefeitos revisitassem seus decretos e voltassem a proibir eventos com aglomeração e exigissem o passaporte da vacina para o ingresso em academias, bares, restaurantes e clubes. É o caso de Barra do Piraí, que emitiu na terça, 25, uma nova normativa municipal com medidas de combate à Covid. Em Volta Redonda e Barra Mansa, apesar de os prefeitos ainda não editarem novos decretos, a movimentação para a abertura de novos leitos e a compra de mais testes rápidos já estão acontecendo.
Volta Redonda, por exemplo, anunciou na quinta, 27, que reabriu 10 leitos no Hospital do Retiro para atender exclusivamente pacientes com Covid. “Esses leitos haviam sido revertidos para o tratamento de outras doenças quando houve uma baixa no atendimento por coronavírus. No entanto, sempre estiveram à disposição da Rede para um possível agravamento da pandemia”, informou a secretaria de Saúde. Além destes, a prefeitura solicitou ao Estado a reativação do contrato com a rede privada, para que os leitos do SUS sejam cedidos à Covid, e ainda a abertura de mais vagas no Hospital Regional.
Segundo uma fonte do aQui que trabalha no Regional, até a última quinta-feira, 27, 50 leitos de UTI e 40 de enfermaria estavam ocupados. Os números indicam uma taxa de ocupação de 27,7% para leitos de Terapia Intensiva e 62,5% para os de enfermaria clínica. “Temos altas e admissões frequentes”, resumiu a fonte. Já a taxa total de ocupação de leitos em todos os hospitais públicos da cidade do aço atingiu 91% para leitos clínicos e 71% de UTI. “A grande maioria dos internados é de pessoas não vacinadas ou com o esquema de vacinação incompleto (…) É fundamental que pessoas que não tenham tomado reforço o façam; teremos vacinas disponíveis nas unidades de saúde, inclusive aos finais de semana”, informou o coordenador de Vigilância em Saúde, Carlos Vasconcellos.
Óbitos
Volta Redonda iniciou a primeira semana de janeiro registrando quatro mortes pela variante Ômicron. Na semana seguinte, tanto o sistema da SES-RJ quanto os boletins da prefeitura não citam a ocorrência de mortes pela nova variante. Em compensação, na terceira semana de janeiro, embora o aQui tenha noticiado a ocorrência de sete mortes, a prefeitura negou e manteve a posição de que o município não registrava óbitos pela Covid desde o dia 12 de janeiro.
No sábado, 22, porém, a secretaria de Saúde admitiu as mortes; confirmou que, na verdade, foram oito registros na semana, de idosos acima de 67 anos, portadores de doenças crônicas e outras comorbidades, alguns com o esquema vacinal completo e outros apenas com uma ou duas doses da vacina. Dentre eles, uma paciente não idosa, com 48 anos, apresentando isquemia mesentérica pós-apendicectomia, sem as três doses da vacina. Nesta última semana – de 24 de janeiro até o dia 28 –, segundo levantamento do aQui, ocorreram mais sete mortes pela Ômicron.
Apesar dos registros negativos, o número de óbitos por Covid em Volta Redonda vem caindo consideravelmente, graças ao avanço da vacinação. Do dia 1° até ontem, dia 28, foram 19 mortes pela Ômicron. Na comparação com janeiro de 2021, quando ocorreram 112 mortos por Covid, houve uma queda de 83% nas mortes. Os casos de 2022 mostram que os óbitos ocorreram em pacientes com comorbidades severas, portadores de doenças crônicas e, na maioria dos registros, com um esquema vacinal incompleto. A grande preocupação da prefeitura diante dos novos óbitos é justamente o fato de que, mesmo com a oferta alta de vacina, as pessoas estão negligenciando a importância da imunização.
Em release divulgado essa semana, a prefeitura informou que as doses da vacina para adultos continuam disponíveis nas unidades de saúde e, excepcionalmente neste final de semana – hoje e amanhã (dias 28 e 29/01) –, a população poderá receber a dose de reforço nos shoppings Sider e Park Sul, das 10 às 20 horas, e em quatro unidades de saúde: Conforto, Jardim Paraíba, Retiro 2 e Santo Agostinho, das 8h às 16h. “Vacinem-se!” apelou Carlos Vasconcellos.

Vacina Pediátrica
Criança de 4 anos está internada em estado grave no Hospital Regional.
A procura pela vacina pediátrica em Volta Redonda infelizmente está abaixo do esperado. Até ontem, sexta, 28, a prefeitura tinha aplicado 1.200 doses em crianças (com comorbidade) com idade entre 9 e 11 anos. A desinformação é a principal causa da rejeição ao imunizante. O problema não é só na cidade do aço, outros municípios da região têm registrado o fenômeno. Segundo a SES-RJ, só em janeiro foram 11.135 crianças infectadas em todo o estado, contra 5.235 em 2020 e 2021. A estatística é mais triste porque, deste total, 17 estão internadas em leitos de UTI. Uma dessas crianças é de Volta Redonda, tem apenas quatro anos e está internada em estado grave no Hospital Regional.
A criança – uma menina – foi transferida para a unidade do Roma com falta de ar e até ontem, 28, estava entubada. Segundo o aQui apurou, ela tem asma (única comorbidade) e o seu quadro inspira muitos cuidados. Na região, os municípios têm observado um aumento no número de crianças infectadas e a campanha pró-vacinação pediátrica tem se intensificado; mesmo assim, muitos pais e responsáveis estão resistentes. Essa semana, o Estado distribuiu aos municípios fluminenses 168.720 mil doses da CoronaVac para o uso em crianças e adolescentes, mas até mesmo as doses da Pfizer, que são da remessa anterior, ainda não foram completamente aplicadas por falta de procura.
Volta Redonda recebeu 10 mil doses da CoronaVac infantil e deverá usar 5 mil agora e guardar a outra metade para a segunda aplicação, e 1.200 doses da Pfizer. Ontem, 28, a prefeitura abriu a imunização para crianças de 8 anos na unidade de Saúde do bairro Rústico (9 às 16 horas) e em cinco escolas diferentes: Colégio João XXIII, no Retiro; CIEP Wandir de Carvalho, no Siderlândia; Colégio Professora Delce Horta Delgado, no Aterrado; Escola Professor Jaime de Souza Martins, no Santo Agostinho e no Colégio Prof.ª Mariana Aparecida Vieira Bressan, na Santa Cruz.
Em nota técnica (n.°28/2021), a Fiocruz confirmou a segurança das vacinas pediátricas e garantiu que “os eventos adversos pós vacinais são raros nas avaliações conduzidas e menos frequentes que o risco de complicações e óbitos pela Covid-19”. A nota informa ainda que a “liberação da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos, aprovada pela Anvisa, busca proteger as crianças que passam a ter uma maior probabilidade de serem infectadas pelo SARS CoV-2, principalmente com o avanço da vacinação em adultos, no Brasil e em vários países do mundo”. A publicação, embasada em estudos e critérios científicos, pode ser lida no site da Fiocruz, no endereço: https://portal.fiocruz.br/noticia/covid-19-nota-tecnica-traz-evidencias-sobre-importancia-de-vacinar-criancas
A Ômicron em Barra Mansa
A situação em Barra Mansa é menos crítica do que em Volta Redonda, mas a prefeitura de lá tem presenciado um aumento significativo no número de infectados. Segundo painel da SES-RJ, foram 5 óbitos pela Ômicron desde o dia 1° de janeiro e 1.698 casos confirmados da nova variante. “De sábado para domingo nós tivemos um aumento de contaminação positiva na ordem de 0,95%, isso dá algo em torno de 225 pessoas por dia que tem testado positivo”, analisou o prefeito Rodrigo Drable, em live realizada no último final de semana.
Segundo ele, a taxa de ocupação hospitalar é menor que 50%, sendo sete pessoas em leitos de UTI e nove em leitos clínicos. Os dados, porém, não coincidem com os informados pela SES-RJ, que registrou 12 ocupações clínicas até o dia 26 de janeiro. Ainda de acordo com a SES-RJ, Barra Mansa possui, declarados, 14 leitos de UTI para Covid e 21 de enfermaria. Com isto, as taxas de ocupação estão em 50% para UTI e 57% para leito clínico. “Infelizmente, os números têm crescido muito e a expectativa é de que nas próximas três semanas tenhamos o pico”, alertou o prefeito.
Para enfrentar esse pico, que de fato está previsto para acontecer nas próximas semanas, a prefeitura de Barra Mansa tem avançado na imunização de adultos e crianças. O último boletim do município indicava 39.421 pessoas com o esquema vacinal completo, 124.485 com a segunda dose e pelo menos 655 crianças já imunizadas.