Por Pollyanna Xavier
O cenário epidemiológico está cada vez pior em relação à dengue. O número de casos em todo o estado do Rio decuplicou em comparação com o mesmo período do ano passado e dobrou em relação à última semana. Já são 82.420 casos confirmados, 2.434 internações e 14 óbitos – seis deles no Médio Paraíba. A situação está fora de controle desde a semana passada, quando o Estado decretou emergência e passou a socorrer os municípios com insumos para a instalação de salas de hidratação e equipamentos para o trabalho de campo dos agentes sanitários.
Até quinta, 29, o Brasil havia registrado mais de 1 milhão de casos de dengue, com 214 mortes e outras 687 em investigação. O Rio de Janeiro é o quinto estado no ranking nacional, com 8% do total de casos registrados até fevereiro. O gráfico no Rio está subindo rapidamente, contrariando as projeções da Secretaria Estadual de Saúde, que esperava, sim, um aumento, porém len to e gradativo. O Ministério da Saúde já fala, inclusive , que a dengue em 2024 vai bater todos os recordes das epidemias das arboviroses enfrentadas nas últimas décadas, tanto em número de infectados quanto de óbitos, com o pico da doença esperado para o final de março.
engajamento da população , já que a maioria dá mostras de não estar aí para os riscos da epidemia, o Ministério da Saúde escolheu hoje, sábado, 2, como o Dia D de Combate à Dengue’. Todos os estados e mu- nicípios brasileiros receberam a nota técnica para aderirem ao evento, de forma incondicional e compulsória, e precisaram desenvolver atividades voltadas ao enfrentamento da doença e ao controle do mosquito transmissor. Até o fechamento desta edição, Volta Redonda ainda não tinha decidido se faria o ‘Dia D’ neste sábado. Vale lembrar que, depois de decretar situação de emergência em Saúde, a prefeitura confirmou o primeiro óbito por dengue na cidade. A vítima é uma idosa de 79 anos, portadora de meningioma, com uso de corticosteróides e anti-inflamatórios.
Além deste óbito, a prefeitura aguarda a resposta do Estado para outras sete mortes que estão em investigação. Aliás, a região responde por mais da metade dos óbitos confirmados em todo o estado. O último foi registrado em Resende, na quinta, 29, de uma idosa de 75 anos, moradora de Engenheiro Passos. Antes dele, a cidade já tinha confirmado a morte de um senhor de 87 anos, morador da Cidade Alegria. Já os outros óbitos da região são de Itatiaia (uma senhora de 98 anos, que morreu quatro dias depois de ter sido diagnosticada com dengue), de Barra do Piraí (uma senhora de 76 anos, moradora do distrito da Califórnia) e ainda um em Piraí, que, apesar de confirmado, ainda consta
como ‘em investigação’. Trata-se de uma mulher, jovem, de apenas 27 anos. Veja a tabela abaixo.
Quanto aos números de casos de dengue na cidade do aço, o diagrama de controle do Estado mostra que eles dispararam na última semana, alcançando 3.182 registros, o que representa 35% do total do Médio Paraíba. A cidade teve cerca de 100 internações desde 1o de janeiro, um óbito confirmado e sete em investigação. Para tentar frear os números, o Estado cedeu mais um carro para uso da UBV (Ultra Baixo Volume), popularmente conhecido como fumacê, que chegou na segunda, 26, e já percorreu vários bairros durante a semana.
Além do UBV, a se- cretaria de Saúde promo- veu uma capacitação sobre arboviroses na Cúria Diocesana, para conscientizar os agentes das pastorais sociais sobre as doenças causadas pelo Aedes aegypti, para que se tornem multiplicadores durante as visitas às famílias atendidas pela Diocese. E ainda ampliou para quatro o número de centros de hidratação para pacientes com suspeita ou confirmação de dengue, sendo que uma delas – a da Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) da São Geraldo – funciona 24 horas, todos os dias, de segunda a domingo.
Em Barra Mansa, o cenário da dengue também tem apresentado piora, com um óbito em investigação e 805 casos até quinta-feira à noite, dia 28. Com os números em disparada, a Secretaria de Saúde local reforçou a capacidade de atendimentos das chamadas ‘unidades sentinelas’ (Vista Alegre, Ano Bom e Boa Vista III), que funcionam das 7 às 19h para atendimento exclusivo a pacientes infectados com o arbovírus. “Nós estamos atentos ao aumento nos números de casos. Nosso município não está em estado de calamidade, como ocorre em outras cidades, mas precisamos ficar alertas”, pontuou o secretário de Saúde, Sérgio Gomes.
Itatiaia e Resende con- tinuam liderando o ranking da região em casos de dengue. Propor- cionalmente falando, Itatiaia tem mais casos do que Volta Redonda. São 1.326, com 5 óbitos em investigação e um confir- mado. Já Resende somou 4.020 registros nos dois primeiros meses de 2024, com dois óbitos confir- mados e outros quatro em investigação. A cidade foi uma das primeiras do estado a decretar situação de emergência em Saúde. Tanto Resende quanto Itatiaia são responsáveis pela estratificação de risco em perigo iminente de todo o território flumi- nense, em decorrência do aumento no número de leitos solicitados ao Estado e ainda pela taxa de incidência de casos acima do limiar endêmico entre 5 a 10 vezes. Infelizmente, é a epidemia crescendo.

