Por Mateus Gusmão
Foi um grande susto, que poderia ter se tornado uma tragédia de proporções inimagináveis. Assim se pode definir o saldo do acidente ocorrido na manhã de quarta, 12, na Boa Vista, na região Leste de Barra Mansa. Um ônibus da Viação Agulhas Negras que passava pela Rua João Xavier Itaboraí perdeu o freio e bateu em outro veículo da mesma empresa, além de atingir uma van que levava crianças para a escola. Atingiu ainda dois outros carros. Ao todo, 40 pessoas precisaram de algum tipo de atendimento médico. Sorte é que ninguém morreu ou ficou gravemente ferido.
As vítimas foram levadas para os hospitais Santa Maria e Santa Casa, em Barra Mansa, e para unidades de saúde também em Volta Redonda. Outras pessoas que tiveram ferimentos leves foram atendidas no local e liberadas. Detalhe: os dois ônibus envolvidos no acidente foram apreendidos pela Secretaria de Ordem Pública de Barra Mansa, pois estariam com o licenciamento irregular, e foram levados para o Parque da Cidade, no Centro. O episódio pode ter sido a pá de cal na operação da Agulhas Negras. A empresa, que anda mal das pernas há anos, vem perdendo espaço nas últimas décadas. E passou a ser alvo de críticas de políticos e usuários. “Pode ter certeza absoluta que é uma questão de honra tirar a Agulhas Negras da Região Leste”, disparou o prefeito Luiz Furlani ao tomar conhecimento do acidente em Barra Mansa. Ele estava em Brasília, onde cumpria agenda política.
“Nessa manhã eu fui surpreendido com várias mensagens e vídeos desse acidente causado pela Agulhas Negras, na Região Leste, em frente à Igreja Metodista Wesleyana. Esse acidente envolveu vários veículos. Desde o dia 2 de janeiro eu tenho trabalhado muito para tirar essa empresa de circulação”, destacou Furlani, ressaltando que a partir do momento que assumiu a prefeitura de Barra Mansa vem cobrando soluções do Departamento de Transporte Rodoviário do Rio (Detro) para que uma nova empresa assuma as linhas da Agulhas Negras.
Furlani destacou que teria o compromisso do presidente do Detro, Leonardo Matias, de que uma nova empresa assumiria o serviço. “Essa (a troca de empresa) é uma demanda antiga da população da Região Leste. A operação dessa empresa está levando risco à população de nossa cidade. Junto ao Detro e ao Governo do Estado estamos atuando, o presidente do Detro me deu a palavra de que em 30 dias vai tirar essa empresa de circulação. Sigo acompanhando e vou cobrar isso”, completou Furlani.
Na quinta, 13, um dia depois do acidente na Boa Vista, o ex-prefeito Rodrigo Drable esteve no Detro para cobrar providências em nome de Furlani. Drable estava acompanhado pelo secretário de Ordem Público, major Daniel Abreu. “O presidente do Detro nos disse que depois do acidente vai haver uma medida drástica contra essa empresa e que haverá uma intervenção em suas linhas, para que não ocorra uma situação grave, mais gravedo que já tivemos. Estou aqui a pedido do Furlani para acompanhar. A Agulhas Negras tem nos colocado em risco todas as cidades em que opera”, completou, também em vídeo divulgado pelas redes sociais.
Leonardo Matias, o presidente do Detro, na gravação feita por Drable, confirmou a intervenção nas linhas. “A gente recebeu muitas denúncias. Estávamos com um Processo de Termo de Ajuste de Gestão aberto e agora transformamos em um Processo de Intervenção. Na próxima segunda, 17, já teremos uma reunião com outras empresas para que, no mais tardar até quinta, 20, a gente possa realizar a intervenção e mudar essa empresa que está gerando tantos transtornos para a população”, completou Leonardo, sem revelar quais empresas estariam interessadas em assumir o lugar da Agulhas Negras.
Segundo uma fonte do aQui, a ideia do Detro é convidar as empresas que operam na região Sul Fluminense a assumir as linhas da Agulhas Negras. Serão chamadas para a reunião as viações Elite, Cidade do Aço, Resendense, Falcão e Aparecida. Caso nenhuma empresa se interesse pelo serviço, uma empresa de transporte de passageiros de outra cidade poderá ser convidada a assumir a operação da Agulhas Negras. Coincidência ou não, um dia antes do acidente na Região Leste, o deputado estadual Jari Oliveira (PSB) também esteve no Detro cobrando uma solução para o transporte intermunicipal.
“Essa é uma pauta antiga, não é de hoje que a Agulhas Negras está prestando um serviço ruim. Cobramos uma solução rápida, e o presidente do Detro se comprometeu a realizar essa intervenção nas linhas. Levei junto comigo uma representante dos moradores da Região Leste para que ela pudesse pessoalmente falar sobre o transporte. Do jeito que está, não pode ficar”, disse Jari ao aQui, cobrando uma intervenção imediata nas linhas.
Licitação ainda em 2025
A previsão é que ocorra ainda este ano – se tudo der certo – a licitação de todas as linhas intermunicipais do estado. O Detro, inclusive, publicou em Diário Oficial no final de janeiro um documento que formalizou a necessidade e a viabilidade da concessão dos serviços de transporte público coletivo intermunicipal por ônibus. O documento marca mais uma etapa de tramitação do processo de licitação no departamento e abre espaço para o envio de sua minuta aos órgãos de controle estaduais, como o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e a Procuradoria- Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ).
Quase todas as 1100 atuais linhas intermunicipais fluminenses serão afetadas pela licitação. O objetivo é que os serviços deixem de funcionar em regime de permissão e passem a operar sob regime de concessão. Com isso, as empresas passarão a cumprir regras mais rígidas e claras de qualidade, tornando a fiscalização mais eficaz, além de aprimorar os serviços para a população e aumentar a segurança jurídica.
O modelo proposto prevê a divisão do sistema em 12 diferentes lotes operacionais atendidos por veículos refrigerados, mantendo a divisão atual das redes metropolitanas e redes do interior. Uma das novidades da licitação será a que visa melhorar a qualidade do serviço. Toda a frota de coletivos deverá manter uma idade média de cinco anos nas linhas urbanas e de seis anos nas rodoviárias, sendo 20% da frota obrigatoriamente constituída por ônibus novos. Os veículos também deverão possuir computador de bordo e sistemas de monitoramento por imagem e GPS, por motivos de segurança e fiscalização.

