Sujou em Brasília

Deputados e pré-candidatos atacam CSN e querem intervenção federal no Inea

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A emissão de pó preto pelos fornos e chaminés da CSN foi alvo de uma Audiência Pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, na terça, 9. Durou pouco mais de duas horas e reuniu, remotamente, ambientalistas e pré-candidatos da cidade do aço, tendo à frente o deputado federal Glauber Braga, do Psol, o mesmo que em 2021 queria o fechamento da Usina Presidente Vargas. O debate terminou sem grandes propostas, a não ser o pedido para que o governo Federal intervenha no Inea por, supostamente, não fiscalizar a CSN. Mas deve servir para incrementar o apoio a mais um protesto contra o pó preto da UPV, marcado para o próximo dia 21, na Praça Brasil.
Na audiência de Brasília, para a qual a CSN não foi convidada, alguns representantes de coletivos que questionam a política ambiental da empresa foram convidados a falar. Dentre eles, Alexandre Fonseca, que é pré-candidato a vereador pelo Psol, e Adriana Bittencourt, pré-candidata a prefeita indicada pelo mesmo partido para compor chapa com Alexandre Habibe, do PT. Eles são fundadores do Movimento Sul Fluminense contra a Poluição. José Maria da Silva – o Zezinho do MEP – e o diretor do Instituto Nacional Arayara, Juliano Bueno de Araújo, também participaram de forma remota da audiência, sendo que Araújo comparou a cidade do aço a Cubatão, em função da poluição provocada pela Usiminas. “Será Volta Redonda uma nova Cubatão?”, indagou.
Até a presidente da Confederação das Associações de Moradores da cidade do aço, Fátima Martins, ligada ao Palácio 17 de Julho, falou e, vejam só, sugeriu que a direção da CSN, com sede em São Paulo, se mude para Volta Redonda para também conviver com os problemas do pó preto. Aproveitou e questionou a eficácia das ações realizadas pelos órgãos ambientais fiscalizadores. “Cadê os filtros eletrostáticos que prometiam a redução das partículas? A população está adoecida”, disse, sem apresentar provas.
O ex-prefeito de Pinheiral, Arimatheia de Oliveira, que virou pré- candidato a prefeito de Volta Redonda pelo PSB, lançado pelo deputado estadual Jari Oliveira, também falou na condição de diretor do Comitê de Bacias do Médio Paraíba do Sul. Em sua fala, Arimatheia chamou a atenção para o impacto da “alta carga de poluição da CSN” sobre os animais silvestres, aquáticos e domésticos, e ainda sobre a vegetação e na qualidade das águas. E, curiosamente, lamentou a falta de estudos científicos sobre as denúncias que fez. Mostrou que sua apresentação foi baseada em supostas denúncias de moradores via internet ou em notícias da mídia local.
Uma das últimas participações foi de Alexandre Fonseca, pré-candidato a vereador pelo Psol, aposentado pelo INSS e um dos fundadores do Movimento Sul Fluminense contra a Poluição. Ele participou da audiência de forma presencial, e ficou, estrategicamente, ao lado do deputado Glauber Braga. Disse, entre outras, que Volta Redonda não mede a qualidade do ar e que quem faz essa aferição é a própria CSN, que repassaria os dados coletados pelos analisadores (aparelhos instalados nas estações de medição) para o Inea. Esqueceu, é claro, que o governo do Estado, recentemente, adotou novas medidas para que o Inea possa melhorar a fiscalização em Volta Redonda.
Alexandre chegou a acusar a CSN de estar perseguindo-o na Justiça por fazer denúncias contra a empresa. “Eu estou respondendo a cinco processos”, afirmou, esquecendo que poderá sair vitorioso na Justiça caso apresente as provas que baseiam suas denúncias.
A audiência terminou com o pedido de Glauber Braga (que aparentava estar torcendo para que isso logo acontecesse) aos deputados do Rio, como Lindbergh Faria (PT) e Luiz Lima (PL), para que se unissem e cobrassem soluções às ministras do Meio Ambiente e da Saúde, Marina Silva e Nizia Teixeira, respectivamente. Por falar em Luiz Lima, o parlamentar, de oposição ao governo Federal, fez questão de lembrar, entre outras, as ligações de amizade entre o presidente Lula, o PT e o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. “O filho do Mercadante (presidente do BNDES) é sócio da CBSI”, justificou, referindo-se à empreiteira que presta serviços à CSN.
Procurada, a CSN disse que está completando o seu primeiro ciclo de reformas nas sinterizações (equipamentos responsáveis pela emissão do chamado pó preto) e que “outros ciclos de investimentos significativos serão realizados ao longo de 2024 e 2025, no que tange ao constante aprimoramento dos sistemas de despoeiramento desses equipamentos”, destacou.
Garantiu ainda seu compromisso de “acelerar ao máximo a conclusão das reformas no interior da UPV com o objetivo de concluir a solução definitiva para mitigar os impactos de suas operações, no menor prazo possível”, conforme prometido ao prefeito Neto.