terça-feira, agosto 16, 2022

Sem perdão

Por Vinícius de Oliveira

Todo barramansense sabe que, desde sua posse em janeiro de 2017, o prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable costuma, tal qual o presidente Jair Bolsonaro, se manifestar oficialmente pelas redes sociais. Em sua última postagem de 2018, não deixou por menos e agradeceu a Deus “por todas as graças e livramentos. Pelas oportunidades e aprendizados. Pelas vitórias, mas também pelas dificuldades”, e pediu à população mais compaixão e capacidade de perdoar. O recadinho não foi bem recebido, principalmente pelos servidores públicos que reclamam de atrasos constantes e erros nos salários. Por conta disso, não houve perdão.

 

Segundo denúncia feita pelo Sindicato dos Profissionais de Educação de Barra Mansa (Sepe – BM), até terça, 8, vários funcionários da administração pública estavam sem receber seus salários. Pior: os que receberam teriam se surpreendido ao verificar a conta e se deparar com valores irrisórios. “Alguns receberam R$ 40”, disparou a direção colegiada do Sepe – BM, dando conta que até o 13º salário teria sido afetado. “Vários [servidores] tiveram problemas com o 13º salário. São diferenças de valores que vão desde percentuais menores que podem não estar sendo observados pelo servidor até diferenças que totalizam 100%”, completou o órgão.

 

Os sindicalistas dizem que o problema vem se repetindo desde o início do ano passado e nenhuma categoria teria sido poupada. Os afetados, segundo o Sepe, se dividem entre servidores ativos, inativos, contratados e que cumprem dupla jornada nas escolas. “Não deu na imprensa local. Tampouco o Sr. Prefeito fez videozinho para explicitar o fato de vários servidores públicos municipais da ativa e aposentados bem como contratados, estarem SEM SALÁRIOS. A única justificativa dada pelo departamento de Recursos Humanos é ‘PROBLEMA NO SISTEMA, QUE JÁ ESTÁ SENDO RESOL-VIDO’ e que será pago em folha suplementar. Só que as contas não esperam. Tal situação vem se arrastando desde o início do ano 2018”, denuncia a direção do Sepe.

 

Outra reclamação dos servidores diz respeito ao contracheque. Segundo a denúncia do Sepe, ninguém recebe o documento em seu local de trabalho, como é praxe na maioria das prefeituras, nem pela internet, a exemplo do que acontece em Volta Redonda. “Registra-se o fato dos servidores terem dificuldade de ter em mãos seus contracheques. O Prefeito, através de um dos tantos videozinhos, comemorara, lá atrás, o ‘grande feito’ de estar ‘economizando’ com o que chamou de modernização do ‘sistema’ da Prefeitura. Esse mesmo ‘sistema’ outrora aclamado agora ‘carrega a culpa’ dos atrasos nas prestações e dívidas além dos abalos emocionais e os mais diversos transtornos que advêm desse caos”, frisa o Sepe.

 

De acordo com uma professora da rede, caso os funcionários queiram ver detalhes de seu pagamento, precisam ir à sede da prefeitura e solicitar a liberação do contracheque.  “Nem todo mundo tem essa disponibilidade todos os meses. A correria é muito grande. Então, são várias as situações que ficamos sem entender a origem de algum desconto, por exemplo”, reclamou.

 

Ao ser questionado se o sindicato já havia procurado o prefeito, a direção, em nota, disse que a única informação – não oficial – da Prefeitura é que “não se trata de falta de dinheiro nos cofres”. O “é culpa do sistema” soa como desfaçatez, pouco caso e/ou incompetência administrativa por parte do governo. O Prefeito se denuncia quando se omite e não é capaz de vir a público explicitar tal problema. Falar a verdade e dialogar com os servidores, definitivamente, não é a marca desse governo. Um governo que é parte de outro sistema RUDE E OPRESSOR que tem aversão aos trabalhadores públicos e visa tão somente manter seus privilégios à custa da negação dos direitos do funcionalismo público”, completou.

 

O prefeito Rodrigo Drable, ainda em dezembro do ano passado, chegou a publicar em seu perfil oficial no Facebook uma mensagem comemorando o fato de ter conseguido depositar os salários dos servidores que venceriam no quinto dia útil deste mês. “Última ótima notícia de final de ano! Considerando o cenário, as dificuldades e até as previsões, temos muito a comemorar! Acabamos de depositar todos os salários que venceriam no quinto dia útil de janeiro! Agradeço as bênçãos de Deus, a equipe maravilhosa e a todos os que convergem pensamentos positivos para que tudo dê certo! Feliz 2019 e que venha um ano maravilhoso para todos nós!”, postou.

 

Mas o que deveria ser motivo de comemoração e pontos para a imagem já desgastada do governo serviu como gasolina na raiva dos servidores, que aproveitaram a deixa para ‘descascar’ o chefe do Executivo. “Depositado em que conta? Porque a dos servidores não foi, né? Várias pessoas sem receber. Queria saber que conta foi essa”, indagou uma internauta, seguida por outro, que disse: “Fui duas vezes ao banco e meu salário não caiu, nem o meu e de muitos outros servidores”, postou.

 

Outros tantos internautas deram conta de que receberam uma ninharia e lembraram que, até hoje, não teriam recebido o 13º salário de forma integral. “Olha, você tem honrado com os pagamentos de seus funcionários, o que deixou muitas pessoas confusas é que cai RS 31, R$ 35, R$39, R$80, R$ 95, R$ 290, R$ 342 na conta do funcionário. Era melhor nem ter caído”, lamentou uma servidora pelo Facebook, assim como fez outra internauta. “Ter que implorar o que falta do salário e 13° é muito triste, Sr. Prefeito. As horas extras do 13° não foram pagas e está me fazendo muita falta”, reclamou.

 

Entre críticas e acusações de ser mentiroso, Rodrigo Drable chegou a responder um dos comentários. Sem dar detalhes ou mesmo explicar o motivo dos erros, o prefeito disse apenas que os servidores deveriam procurar o departamento de Recursos Humanos. “Olá. Se houve algum erro, será corrigido. Procure o RH”, limitou-se a dizer, ignorando os demais comentários que surgiram a seguir.

 

O aQui procurou a prefeitura através de sua assessoria de imprensa com a intenção de saber se os erros cometidos pelo RH teriam a ver com o novo sistema apresentado pelo prefeito ou se há algum motivo diferente. A equipe de reportagem perguntou também quando os salários serão pagos efetivamente e as diferenças ressarcidas. Mas, até o fechamento desta edição, o governo não havia retornado o contato do jornal. Também não tem perdão!

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