Conhecer, compartilhar e valorizar. É com esses princípios que a secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e Direitos Humanos (SMDH) lançou o projeto “Se Liga no Papo”, que vai contar histórias de moradores de Volta Redonda que lutam pela Igualdade de Direitos e Direitos de Oportunidade. A iniciativa conta com apoio da secretaria de Cultura e da Fundação CSN. As duas primeiras personagens a participarem do projeto foram Mãe Célia Morais, que mantém um terreiro de Umbanda na cidade do aço, e a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Sul Fluminense, Jorgina dos Santos.
A ideia é convidar lideranças de diversos movimentos populares ligados à comunidade negra para que possam contar suas histórias de vida, e como o racismo afeta a vida de cada uma no seu dia a dia. Tem mais. Como fazem para superar o preconceito na sociedade brasileira. Os depoimentos serão dados e registrados em vídeo, com a presença de público, no Memorial Zumbi, na Vila, espaço representativo de resistência e valorização da cultura negra em Volta Redonda. Em seguida, eles serão divulgados em ações nos bairros, escolas e em equipamentos públicos e privados. O foco é atingir os jovens.
Resistência e luta pela igualdade
Mãe Célia e Jorgina são duas pessoas com histórias semelhantes. Mulheres pretas e nascidas em Volta Redonda, filhas de mineiros que chegaram à cidade para trabalhar no início da instalação da CSN. Em comum na vida de ambas está a luta contra o preconceito, desigualdade e a favor da integridade social. “A maioria das trabalhadoras domésticas, mais de 90%, é de mulheres negras. Eu trabalhei como doméstica desde os 15 anos, tendo sido a primeira presidente eleita do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas, e tenho orgulho dessa luta. É maravilhosa a iniciativa da secretaria com o apoio fundamental da CSN, ajudando na igualdade social”, destacou Jorgina.
Para Mãe Célia, o projeto vai servir de reflexão para a juventude. “O mundo não quer guerra, o mundo quer compartilhar conhecimentos, sabedoria. Este acontecimento é importante por reconhecer e valorizar as mulheres; mulheres pretas, porque tanto eu como a Jorgina somos pilares da sociedade brasileira. É a força da religiosidade de uma matriz africana com a cidadania”, enfatizou.
‘Se Liga no Papo’
Prefeitura lança projeto que conta a história dos moradores da cidade do aço

