Eduardo Paes diz que quer ter relação civilizada com a CSN
Mateus Gusmão
Líder nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado, Eduardo Paes (PSD) fez um périplo pelo Sul Fluminense na quinta, 27. Passou por Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral e Barra do Piraí. Terminou a noite na cidade do aço, em uma sessão solene na Câmara de Volta Redonda, onde representou a esposa, Cristine Paes, que foi condecorada com a Medalha Getúlio Vargas, maior honraria do Legislativo volta-redondense. Nos encontros, Paes fez questão de concentrar sua fala na importância da geração de empregos.
Minutos antes de receber a homenagem em nome da esposa, Paes concedeu uma rápida entrevista exclusiva ao aQui. E falou da importância da CSN para o estado do Rio. “Olha só, a CSN tem uma importância fundamental para o estado do Rio de Janeiro e até para o Brasil, né? É uma empresa muito simbólica e que ainda produz muito. Eu acho que é (teremos) uma relação civilizada, de gente que, enfim, exige da empresa o cumprimento de regras, mas, acima de tudo, sabe da importância dela, como ela gera empregos e impostos para o nosso estado”, comentou Paes, que foi eleito quatro vezes prefeito do Rio de Janeiro.
Tem mais. Questionado acerca da possibilidade de a região voltar a ter um “cinturão do aço”, com empresas beneficiárias do aço produzido pela UPV, Paes afirmou que o Sul Fluminense reúne condições para atrair novos investimentos. “Você tem dois pontos aí importantes, né? Primeiro, a reforma tributária coloca o Rio numa circunstância muito boa, porque os incentivos acabam, né? Portanto, ao terminarem os incentivos no Brasil inteiro, o que as empresas vão procurar é mercado consumidor, estrada, logística e segurança: segurança jurídica, segurança institucional, segurança física, né?”, pontuou.
Paes foi além. Disse que seu esforço, caso seja eleito, será para tornar o Rio de Janeiro mais atrativo aos investimentos. “E que o empresário venha e saiba que vai ter tranquilidade para investir, pouca burocracia, um ambiente econômico que seja aprazível, ou seja, um ecossistema que seja benéfico para o investimento”, completou. O candidato também afirmou que pretende fortalecer a indústria automotiva no estado. “Essa aí vai explodir. Se o Eduardo Paes ganhar a eleição, vai ter todas as grandes montadoras do mundo aqui”, declarou.
Geração de emprego e renda
Na visita ao Sul Fluminense, sempre acompanhada por Pedro Paulo, candidato ao Senado pelo PSD, Paes citou outras propostas para a geração de trabalho e renda nos municípios fluminenses. “Volta Redonda é o berço da industrialização brasileira. Está faltando aqui no Sul Fluminense, assim como em todo o estado, geração de emprego e renda. Principalmente trabalho com carteira assinada para os mais jovens. Tivemos o PIB estadual que menos cresceu no país nos últimos 40 anos”, comparou.
Eduardo Paes também destacou que pretende trabalhar para que o Sul Fluminense volte a receber empresas, criando condições para a atração de novos investimentos. “Estamos aqui, no eixo da Via Dutra, entre os maiores mercados consumidores do país. E, por isso, no meu governo, essa será uma região prioritária em termos de industrialização e geração de muitos empregos”, afirmou, ressaltando que a falta de empregos com carteira assinada e a dificuldade enfrentada pelos jovens para ingressar no mercado de trabalho estão entre os principais problemas da economia fluminense.
Segundo dados apresentados pela campanha, nas periferias, mais de 28% dos jovens estão desempregados – o dobro da média nacional – e 240 mil estão fora da escola na idade em que deveriam estar se qualificando para a primeira vaga. O alto custo e a burocracia para abrir e manter um negócio também são fatores que contribuiriam para a permanência de pequenos empresários na informalidade e, consequentemente, para a menor geração de empregos formais.
Na capital, quando era prefeito, Paes afirma ter tirado a cidade da lanterna. Segundo dados apresentados por sua assessoria, foram gerados cerca de 400 mil postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro de 2021 e junho de 2026, e o Rio passou a registrar uma das menores taxas de desemprego entre as capitais brasileiras. “Falta preparar mão de obra, qualificação. E o Sul Fluminense será prioridade. Porque a posição geográfica e a infraestrutura existente já são muito boas, mas precisa de mais incentivos”, ressaltou.
Enquanto o estado do Rio de Janeiro é o único do Sudeste fora do top 10 do ranking de Competitividade dos Estados, segundo estudo elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), a cidade do Rio avançou 31 posições em relação à edição anterior e atingiu sua melhor colocação desde o início da série histórica do levantamento.
Em 2021, Paes assumiu a Prefeitura do Rio com déficit superior a R$ 5 bilhões e folhas de pagamento atrasadas. Segundo sua campanha, a arrecadação cresceu cerca de 20%, sem aumento de impostos; o endividamento caiu pela metade; e a capacidade de investimento foi multiplicada por cinco. Neste mês, a cidade do Rio alcançou a nota máxima AAA da Fitch, agência internacional de classificação de risco de crédito. A avaliação destacou, segundo a prefeitura, a melhora consistente das contas públicas.

