Paes reúne vereadores de Volta Redonda e chama Neto para ficar ao seu lado; prefeito ainda não declarou seu voto
Mateus Gusmão
Eduardo Paes (PSD) não precisa provar que está liderando, bem à frente, a corrida pelo Palácio Guanabara. Líder em todas as pesquisas de intenção de voto, o ex-prefeito do Rio agora trabalha para transformar a vantagem eleitoral em alianças políticas. E sabe que, no interior, cada apoio pode pesar na conta. Foi com esse espírito que Paes chegou na noite de quarta, 9, a Volta Redonda, reunindo centenas de lideranças políticas de toda a região no Clube Náutico. Teve ao seu lado a grande maioria dos vereadores da cidade do aço e políticos de cidades vizinhas. Ensaiou até uns passos de bom carioca com o desajeitado Neném, presidente da Câmara, em vídeo que repercute nas redes sociais.
Mas, mais do que sambar ou falar com quem já está ao seu lado, Paes aproveitou a presença para cortejar quem ainda observa a disputa pelo Palácio Guanabara do alto do muro: o prefeito Neto. O chefe do Executivo volta-redondense, que ainda não declarou publicamente seu voto para governador, recebeu elogios de Paes durante o encontro. Nada muito por acaso. Afinal, Neto continua sendo um dos principais cabos eleitorais da região e, até aqui, mantém o suspense sobre de que lado estará na eleição.
Durante um discurso que durou cerca de 20 minutos, Paes citou o prefeito Neto e o seu irmão, o deputado estadual Munir Neto. Detalhe: pediu salva de palmas para ambos e garantiu, em alto e bom som, que os dois políticos gostariam de estar participando do evento. Munir, hoje no Solidariedade, está “oficialmente” apoiando o deputado Douglas Ruas (PL) ao governo do Estado. “Tem dois caras que queriam estar aqui com a gente. Um deles é o Munir. Salva de palmas para o Munir”, disparou.
Eduardo Paes foi além. Garantiu que outra pessoa que gostaria de estar no Clube Náutico, ao lado dele, é óbvio, seria o prefeito Neto que, pela sexta vez, comanda a Prefeitura de Volta Redonda. “Eu sou tetra, fui prefeito do Rio por quatro mandatos. Mas o Neto é imbatível, está no seu sexto mandato. Ele se confunde com Volta Redonda: é Volta Neto, Volta Redonda, Volta Neto… Enfim, meu querido amigo é um sujeito em quem eu confio muito. É o meu prefeito Neto. Uma salva de palmas para ele”, pontuou, sendo atendido, é claro.
Apoio dos vereadores
Como a candidatura do adversário, Douglas Ruas, foi construída com o apoio do ex-governador Cláudio Castro, Eduardo Paes sempre considerou que teria pouco espaço e apoio dos prefeitos fluminenses, que vivem pressionados a apoiar o candidato da máquina. “Eu estou construindo essa candidatura desde que fui reeleito prefeito do Rio, em 2024. E, como eu achava que não teria muito apoio dos prefeitos, fui procurar quem está diretamente em contato com a população, fui atrás dos vereadores. Os vereadores sabem como ninguém o sofrimento do povo. O papel do vereador é fundamental. Ter esse apoio dessa absoluta maioria dos vereadores de Volta Redonda, de um time tão forte, me deixa muito honrado. Muito obrigado a cada um de vocês”, comentou o ex-prefeito do Rio, referindo-se à presença da maioria dos parlamentares da Câmara de Volta Redonda.
Ao falar para a plateia, formada em sua maioria por cabos eleitorais dos vereadores, Paes destacou que o futuro do Estado vai passar pelo Sul Fluminense. “Não podemos deixar essa oportunidade passar”, completou. “A região está no meio dos três maiores polos consumidores do Brasil. A Via Dutra passa por aqui. Por aqui, passa 50% do PIB brasileiro. E qual risco a gente está correndo? É que, com o nível de corrupção que chegou o Estado, o nível de desgoverno, com pouco investimento, temos medo que essa região perca a oportunidade da história”, completou.
“Nós estamos sendo governados neste momento por um desembargador. O governador foi cassado por corrupção, o vice-governador – seguinte na linha sucessória – foi compelido a abandonar a vice-governadoria para ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Parem para pensar um minuto. O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, está preso por ligações com o Comando Vermelho. Esse cara seria o meu adversário na eleição. Ele seria meu adversário. Um cara que dialogava com o Comando Vermelho. Ou a gente para e reflete sobre isso, ou, com todo respeito, a gente é incompetente. Não é possível”, afirmou.
Ao se dirigir aos políticos presentes, Paes destacou que o grupo que estava unido no entorno de sua candidatura está na política para melhorar a vida das pessoas. “Eu sei que quem está aqui hoje é a turma que trabalha diretamente com vocês, é quem pede voto, quem elegeu vocês vereadores. Ou seja, é quem tem voto, opinião e molda a política na região”, disse. “Nós precisamos pensar em nome de nossas famílias, do futuro dos nossos filhos, dos nossos netos, dar um basta nessa história. E nós fazemos isso olhando para essa eleição e não aceitando mais ser enganados. E não aceitando votar em gente que a gente nem sabe de onde veio, o que faz, como se compromete… Não é possível”, completou.
Paes ainda destacou que está na vida pública há 30 anos e que todos os eleitores conhecem sua trajetória. “Há 20 anos, eu estava aqui em Volta Redonda pela primeira vez pedindo voto para governador. Eu não tinha a menor chance de ganhar. Mas eu estava aqui na luta. Eu sempre defendi que neste Estado, por ser potente, as coisas não precisam ser como são. Aqui está o momento da mudança. E não é a mudança pela mudança. É uma mudança com segurança, com previsibilidade, sabendo o que será feito no dia seguinte. O Rio de Janeiro é possível, este Estado – e, em especial, o interior”, completou.

