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Quem paga a conta?

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Neto garante que tarifa do Saae-VR é uma das menores do país; conta terá reajuste de 14,95%

O anúncio do reajuste de 14,95% nas tarifas de água e esgoto do Saae-VR, previsto para julho, provocou forte repercussão nas redes sociais e foi alvo de críticas dos adversários políticos do Palácio 17 de Julho. O debate é legítimo. Afinal, ninguém gosta de pagar mais caro por um serviço essencial. O problema é que parte das discussões acaba ignorando uma questão fundamental: como garantir investimentos e melhorias no sistema de abastecimento sem recursos para financiá-los?

A discussão vai muito além do valor da conta que chegará à casa do consumidor. Vale lembrar que Volta Redonda possui apenas uma Estação de Tratamento de Água (ETA Belmonte), construída na década de 1970, quando a população da cidade do aço era menor e a demanda por água bastante diferente da atual. Ao longo dos anos, a cidade cresceu, novos bairros surgiram e a necessidade de ampliar a capacidade de produção e distribuição de água se tornou cada vez mais evidente. Isso sem contar que o órgão ainda ajuda no abastecimento de duas cidades: Barra do Piraí e Barra Mansa.

Não por acaso, o Saae-VR vem defendendo a construção de uma nova ETA no Aero Clube, considerada estratégica para garantir a segurança hídrica do município e seus vizinhos nas próximas décadas. A obra também é vista como essencial para reduzir os riscos de desabastecimento que ainda afetam alguns bairros em períodos de maior consumo ou em situações emergenciais. Outro detalhe chama atenção. Muitos dos atores políticos que foram às redes sociais criticar o reajuste costumam ser os primeiros a cobrar explicações da autarquia quando ocorre falta d’água, rompimento de adutoras ou qualquer outro problema no abastecimento.

Em entrevista ao programa de Dário de Paula, o prefeito Neto saiu em defesa do reajuste e reforçou a necessidade de ampliar a capacidade de investimento da autarquia. Além disso, destacou que Volta Redonda possui uma das menores tarifas de água do país. “Volta Redonda está programada para fazer uma ETA junto com o Governo do Estado, lá no Aero Clube. A cidade está crescendo muito. Será um investimento de R$ 90 milhões. Eu não quero que falte água nunca”, justificou, lembrando que, durante o governo Samuca Silva, houve a intenção de privatizar o Saae. “Eu não permiti isso. O Saae é superviável. Mas a gente precisa fazer investimento”, declarou, mantendo sua palavra de ser contra a privatização do Saae-VR.

Na entrevista a Dário de Paula, Neto voltou a destacar que a autarquia cobra uma das menores tarifas do Brasil. Atualmente, o valor cobrado por 10 metros cúbicos de água — faixa que atende cerca de 60% da população — é de R$ 40,50. Com o reajuste, o valor passará para aproximadamente R$ 46,50. Ainda assim, permanece muito abaixo do praticado em cidades como Rio de Janeiro (R$ 129,14), Niterói (R$ 113,08) e Petrópolis (R$ 118,42). O preço também é inferior ao registrado em municípios como Campinas (SP), Juiz de Fora (MG), Caldas Novas (GO), Cachoeiro de Itapemirim (ES) e Poços de Caldas (MG). “No Brasil, não tem quem cobre o nosso preço e entregue com tanta qualidade”, garantiu Neto. 

Questionado sobre a construção da ETA no Aero Clube, o prefeito afirmou que o projeto segue avançando. “Nós vamos fazer, sim. Na próxima semana, vamos realizar um ato no meu gabinete para marcar a licitação da nova ETA. A cidade cresceu muito. Para se ter ideia, teremos agora duas mil novas casas populares”, afirmou, ressaltando que o reajuste busca justamente garantir os investimentos necessários para que o sistema acompanhe o crescimento do município.

Em nota enviada à imprensa, o diretor-presidente do Saae-VR, Paulo Cezar de Souza, ressaltou que toda política de adequação tarifária tem como objetivo preservar a capacidade de investimento da autarquia, garantindo a manutenção da qualidade dos serviços e a preparação da cidade para os desafios futuros. “Os desafios para o saneamento são cada vez maiores, especialmente diante do crescimento populacional, da necessidade de ampliar a infraestrutura e dos impactos provocados pelas mudanças climáticas. Por isso, é fundamental que o Saae mantenha sua capacidade de investir e planejar o futuro”, afirmou.

Investimentos garantem segurança hídrica

Para justificar o reajuste, o Saae-VR divulgou uma série de projetos em andamento. Entre eles está a construção da nova ETA no Aero Clube, obra que vai ampliar a capacidade de produção de água tratada e garantir segurança hídrica para as próximas décadas. Outro investimento importante é a implantação da segunda usina de energia fotovoltaica da autarquia, no bairro Nova Primavera. A medida deverá contribuir para a redução dos custos operacionais e ampliar a capacidade de investimento em saneamento básico.

Para manter esses projetos, o Saae informa que, a partir de julho, será aplicada a nova tarifa, sem que isso altere o fato de Volta Redonda continuar entre as cidades com as menores tarifas de água do Brasil. “Estamos trabalhando para assegurar um serviço cada vez mais eficiente, com planejamento, responsabilidade e investimentos que acompanhem o desenvolvimento de Volta Redonda”, concluiu PC.

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