Protegendo as informações

A grande maioria dos consumidores já sofreu tentativa de fraude ou conhece alguém que tenha sido vítima, e está atenta e apreensiva em relação a esses crimes e violações dos seus dados pessoais. Essa é uma das principais conclusões da Pesquisa Observatório Febraban, da Febraban/Ipespe, divulgada neste mês. O levantamento também mostra que, na pandemia, o relacionamento da população com o meio digital tornou mais aguda a preocupação com a segurança, diante do aumento do uso de meios eletrônicos para transações financeiras, trabalho e compras.
De acordo com a pesquisa, 42% das pessoas acreditam que seus dados estão mais seguros após a pandemia; um terço (33%) acredita que estão menos seguros e 22% não identificam alteração. Já para os próximos cinco anos, 54% têm a expectativa de avanço na segurança e apenas 22% apostam que esses dados estarão ainda menos seguros. Percentual similar (19%) acredita que essa realidade não sofrerá alteração.
Presidente do Conselho Científico do Ipespe, o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda (foto) destaca como resultado animador da pesquisa a constatação de que, apesar do medo e da preocupação preponderantes em relação à segurança de dados no país, a grande maioria dos brasileiros confia nas empresas e instituições quando o assunto é proteção de suas informações pessoais. Nesse sentido, os bancos foram citados como os mais seguros (65%), seguidos do comércio ou lojas físicas (61%) e das fintechs (57%).
As atividades ou situações apontadas como mais suscetíveis para que empresas ou instituições acessem seus dados são: compras on-line (35% das citações), sites em geral (33%), pesquisas on-line sobre termos e uso de sites de busca (23%) e serviços bancários on-line ou telefônicos (21%). Abaixo do patamar de 20% estão: postagens e atividades nas redes sociais (17%), uso de aplicativos sobre localização física (15%), cadastros de serviços públicos (13%), e conversas no WhatsApp e outros aplicativos similares (12%). Com os menores percentuais de menção aparecem os jogos on-line (8%) e as compras presenciais (4%).
As fraudes mais comuns citadas pelos entrevistados da região foram as que envolvem recebimento de mensagens ou ligação telefônica com solicitação fraudulenta, seja de dados pessoais ou bancários (43%), seja de depósito ou transferência de dinheiro para amigo ou parente (34%). Além dessas: cobranças fraudulentas ou compras indevidas em seu cartão de débito ou crédito (29%); invasão do e-mail ou das redes sociais, com alguém assumindo o controle sem permissão (18%); clonagem de celular ou WhatsApp (também com 18%); tentativa de abertura de linha de crédito ou solicitação de empréstimo usando seu nome (15%); e invasão e acesso a dados bancários (14%).
A grande maioria dos entrevistados (86%) afirma ter medo de ser vítima de fraudes ou violações dos seus dados pessoais. Apenas 13% expressam pouco ou nenhum medo com essa situação.
Entre as precauções citadas para proteger os dados estão a escolha de senhas fortes (57% fazem sempre uso de senhas fortes) e a biometria (37% sempre usam). Um percentual considerável (36%) sempre ou frequentemente fornece seus dados quando realiza compras em sites ou lojas físicas; 42% fornecem às vezes e 20% nunca ou raramente o fazem.
No ambiente virtual, 33% sempre ou frequentemente aceitam a política de cookies; 36% aceitam às vezes e 27%, raramente ou nunca. Outro comportamento verificado é que 26% geram cartão on-line para uso por tempo determinado; 24% recorrem a esse serviço às vezes e 44% raramente ou nunca.
A maioria considera que a privacidade nos meios eletrônicos virou um mito, e que tudo, ou a maior parte das suas informações, pode ser acessado. Por isso, é grande a cobrança por maior eficiência e endurecimento da legislação que trata da proteção de dados. A pesquisa conclui que o brasileiro está atento ao uso que as empresas privadas fazem dos seus dados pessoais.
A pesquisa
O levantamento foi realizado entre os dias 18 a 25 de junho, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país. Os números comprovam a reação do consumidor diante de um já detectado aumento nas atividades ilícitas ligadas a dados pessoais. Segundo a Febraban, no primeiro bimestre de 2021 os ataques de phishing, a chamada pescaria digital, cresceu 100% em relação ao ano passado, enquanto os golpes da falsa central telefônica e falso funcionário de banco tiveram crescimento ainda maior, de 340%.
“Segurança digital é um tema que a sociedade precisa encarar de frente e já está fazendo, pois diariamente esses crimes afetam pessoas e empresas, ganham espaço no noticiário econômico, político e policial envolvendo não só o cidadão, mas também grandes corporações e instituições públicas e privadas”, diz o presidente da Febraban, Isaac Sidney, que ressalta: “Um bom indicador da pesquisa é que o brasileiro está atento, sobretudo quanto ao uso que as empresas privadas fazem dos seus dados pessoais”.
O Observatório Febraban – pesquisa Febraban Ipespe foi lançado em junho de 2020 com objetivo de se tornar uma fonte de informações sobre as perspectivas da sociedade e o potencial impacto econômico-financeiro, ouvindo a população e estimulando o debate em diversos setores. Com periodicidade trimestral, a iniciativa é parte de uma série de medidas da Febraban para ampliar a aproximação dos bancos com a população e a economia real, de forma cada vez mais transparente.

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