Semop e Meio Ambiente são responsáveis pelo corte de mais de 140 árvores ao longo do Rio Brandão, na Vila
A secretaria de Meio Ambiente de Volta Redonda e a poderosa secretaria de Ordem Pública, que, recentemente, eliminaram mais de 140 de um total de 300 árvores existentes ao longo do Rio Brandão, na Vila, denunciadas pelo aQui em várias edições, bem que poderiam ler o texto abaixo, com carinho, é claro, para que entendam a gravidade do erro que cometeram. Não é para menos. A capacidade das árvores de climatizar naturalmente áreas urbanas, como na poluída cidade do aço, é um tema que tem chamado cada vez mais a atenção de pesquisadores e urbanistas.
No Distrito Federal, a questão da arborização tem sido objeto de estudo para promover o uso sustentável dos recursos naturais como políticas públicas. Estudante de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Júlia Almeida mensurou as influências da microclimática da vegetação na escala residencial de Brasília, comprovando o poder da vegetação na qualidade de vida.
A estudante partiu da análise de elementos como a disposição da vegetação no meio urbano e sua influência na temperatura e umidade relativa do ar. A metodologia combinou revisão bibliográfica e estudo de campo em espaços com áreas verdes. Para a aferição de temperaturas dos microclimas analisados, a estudante do CEUB adotou as Superquadras 508 Sul, 308 Sul e 508 Norte, ambas localizadas no centro de Brasília.
De acordo com o estudo, na Superquadra 308 Sul a vegetação favorece a geração de microclima no local devido à distribuição das árvores e jardins de maneira uniforme. Na quadra, a relação é 59,11% de área permeável e 40,58% de área arborizada. A temperatura fica entre 25,5 a 27oC em agosto, contrastando com os 29 a 30oC das superfícies pavimentadas. Em setembro, as temperaturas são mais elevadas, de 30 a 32oC na presença de vegetação e 32 a 34oC nas superfícies pavimentadas.
Já na quadra 308 Norte, a distribuição da vegetação não é uniforme, a área reservada para a vegetação é significativa- mente menor, agravada pelo percentual de super- fície impermeável, que favorece o surgimento das ilhas de calor. A pesquisa concluiu que o problema está na má distribuição da vegetação nos centros urbanos, a exemplo do Plano Piloto de Brasília. A Asa Sul conta com maior quantidade de área verde, diferente da Asa Norte, com maior percentual de área impermeabilizada. Como conclusão, nos espaços com mais vegetação, a temperatura tende a ser cerca de 2,5 a 3o C mais baixa do que lugares expostos ao sol direto. “O planejamento urbano é fundamental para que possamos priorizar a vegetação nos espaços. É necessário plantar mais nas cidades de forma organizada, para que se possa desfrutar do conforto térmico e todos os benefícios na geração de microclimas agradáveis, “, completa Júlia.
Ar-condicionado natural
Orientador do projeto acadêmico, o professor de Arquitetura e Urbanismo do CEUB Dr. Gustavo Cantuária, que pesquisa o tema dos benefícios da vegetação urbana há mais de 25 anos, afirma que o refrescamento passivo das habitações pode ser alcançado por meio do ar fresco, resultante de maneira natural do processo de evapotranspiração, sem a necessidade de uso de ar- condicionado ou outros elementos mecânicos. A vegetação, por sua vez, deve ser vista como um grande ar-condicionado natural, eficiente e capaz de refrescar espaços constantemente.
“O uso da vegetação como ar-condicionado natural não apenas evita o uso de energia, mas contribui para a redução do aquecimento urbano, já que os equipamentos mecânicos geram calor no ambiente externo. Portanto, a incorporação da vegetação na área urbana é uma estratégia importante para garantir a sustentabilidade ambiental e o conforto das pessoas”. Segundo ele, uma árvore com folhagem encorpada pode refrescar como um ar- condicionado em uso contínuo. Além disso, a copa da árvore oferece sombreamento, inibindo a radiação solar direta no espaço abaixo dela. Os raios solares que incidem sobre a vegetação são absorvidos pela folhagem, o que contribui para a fotossíntese e a regulação da temperatura. “Em Brasília, onde as temperaturas são elevadas o ano inteiro, e a seca dura seis meses, esse processo de modificação do ar é altamente benéfico e necessário para garantir qualidade de vida”, ressalta Cantuária. O urbanista do CEUB considera que o planejamento urbanístico da cidade deve andar junto com a natureza, plantando árvores ao mesmo tempo em que se constroem edifícios, para garantir que o espaço urbano seja mais agradável.
Cenário nacional
De acordo com o levantamento de arboriza- ção realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), das capitais brasileiras, Goiânia é a cidade mais arborizada, com 89,5% de vegetação presente, seguida de Cam- pinas, com 88,4% e Belo Horizonte com 83%. Porto Alegre aparece em quarto lugar, com 82,9% de arborização. Com 36,9% Brasília possui 200 espécies de árvores catalogadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Quanto a Volta Redonda, oque se pode dizer é que a arborização não é uma questão prioritária.

