Por Vinicius de Oliveira
No sábado, 24, o presidente da Fundação Educacional Severino Sombra (Fusve), Antônio Vaz Capute, morreu, aos 70 anos, no Hospital Universitário de Vassouras vítima de um câncer no fígado. Apelidado de ‘pai da cidade’, o engenheiro eletricista, especialista em Marketing e graduado em Ciências Ambientais ajudou a transformar o município através de seu modelo de gestão inovador e graças a ele, a Universidade de Vassouras não só melhorou financeiramente como também se expandiu.
Em nota, a Fundação Severino Sombra enumerou os casos de sucesso liderado por Capute afirmando que “durante a sua gestão foram criados a Faculdade de Miguel Pereira, o Centro Integrado de Saúde e um dos maiores centros de convenções do Brasil, o Centro de Convenções General Sombra. O novo HUV se tornará em breve o maior hospital universitário do país. Além disso, garantiu o nosso crescimento em Maricá e a chegada a Saquarema, na Região dos Lagos. Nesse momento de dor e consternação, a Fundação Educacional Severino Sombra afirma o compromisso de honrar a memória e o legado de Marco Antônio Vaz Capute”, pontuou.
Quem também se manifestou sobre a morte de Capute foi o prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable. “Recebo consternado a notícia do falecimento do amigo Marco Capute, Presidente da Fundação Educacional Severino Sombra, mantenedora da Universidade de Vassouras. Homem singular, de uma capacidade de raciocínio espetacular, com uma visão empreendedora e liderança completamente fora da curva. Sou grato por todas as oportunidades que tive em sua companhia”, homenageou.
A capacidade de Capute era a esperança da comunidade acadêmica de Barra Mansa e do próprio Rodrigo Drable, que mediou negociações de fusão da Fusve com o UBM, iniciadas em setembro. A expectativa era que a negociação tirasse o UBM do buraco no qual se afogava desde 2018, quando passou a atrasar o pagamento dos salários. E que a Fusve abrisse um curso de Medicina em Barra Mansa. Para tanto, Drable chegou desapropriar, por R$ 5 milhões, um terreno da antiga Sobeu, que vai abrigar um parque esportivo municipal.
Desde então, a Fusve vem administrando indiretamente o UBM, redefinindo, inclusive, o modelo de pagamento feito aos professores e funcionários. A folha, por exemplo, passou a ser quitada através de Pix, para que os credores não abocanhassem o dinheiro, deixando os empregados sem salário mais uma vez, apesar de que o FGTS e o 13 continuam em atraso.
Com a morte de Capute, todos passaram a temer pelo pior. Que a Fusve desistisse das negociações com o UBM. Questionada, a assessoria de imprensa da fundação disse que não poderia se manifestar até o ano novo. “Desde sábado, com a morte de nosso presidente, estamos abatidos com ocorrido e demandando forças para resolver questões que não podem esperar. Em até 30 dias precisamos realizar eleições e há uma série de demandas administrativas que precisamos atender para fechar o ano”, explicou.
Tem mais. Garantiu que quaisquer esclarecimentos só seriam dados após uma eleição interna na instituição. “Entendo a inquietude com o tema, que com certeza interessa demais à sociedade barra-mansense, em especial à comunidade acadêmica do UBM. No entanto, todas as atenções de nosso corpo administrativo e dos próprios colegas da Comunicação no momento estão voltadas para a organização do processo eleitoral e das questões administrativas já citadas. Qualquer declaração a respeito do assunto só se dará após a eleição e a posse do novo
presidente”, informou.
O UBM, em nota oficial, avisou que manteve entendimento com a Fusve para prorrogar o MOU (Memorandum of Undestanding – Memorando de Entendimento) para o primeiro período de 2023. Motivo: quer “aprofundar as análises de viabilidade de uma futura incorporação ou forma de aquisição que se fizer mais adequada”. Segundo o UBM, a formalização burocrática só não ocorreu devido ao quadro de saúde do presidente da Fuves, que ‘infelizmente veio a óbito’. “O UBM e a Universidade de Vassouras firmarão também um acordo de cooperação técnica acadêmica com o intuito de formar ações que beneficiem ambas as instituições”, destacou.
Rodrigo Drable, está convicto de que o vice-presidente da Fusve, Gustavo Amaral, assumirá a presidência. “Marco Capute é um ícone da gestão educacional e, portanto, insubstituível. Mas como a instituição precisa de um novo presidente, a sucessão deverá ser feita para o Dr Gustavo Amaral. Tenho plena convicção que ele construirá uma história de sucesso e manterá a Fundação no caminho do crescimento. Quanto a continuidade do processo de transição da UBM, ele já vinha sendo feito pelo Dr Gustavo. Não vejo motivo para não evoluir naturalmente”, tranquilizou Drable.
Enquanto isso, outras instituições também seguem na expectativa. É o caso do Sindicato dos Professores. Sem muitas informações, a entidade torce para tudo seja finalizado e a Fusve finalmente assuma o UBM. “Temos que estar esperançosos, pois não tinha outra saída. O passivo trabalhista é muito grande. Vamos rezar pra dar tudo certo. Apesar da morte de Capute”, resumiu o presidente João Marques.

