Por Mateus Gusmão
O recado das urnas internas do PT de Volta Redonda foi claro: a militância quer um partido forte, enraizado nas comunidades e preparado para 2026 — incluindo, claro, o maior deles, derrotar a direita na cidade do aço. Afinal, nas duas últimas eleições, Jair Bolsonaro se deu muito bem nas urnas. A missão petista foi entregue a Marcos Araujo, eleito presidente do diretório municipal com 315 votos, no Processo de Eleições Diretas (PED 2025), realizado no domingo, 6. Marcos venceu o professor Alexandre Habibe, que obteve 243 votos. A chapa “Resistência e Luta”, liderada por Araujo, também foi a mais votada para a formação
do diretório municipal, com 295 votos. As outras duas chapas receberam 176 (de Habibe) e 67 votos (da militante Natália). A nova executiva assume com a tarefa de reorganizar os núcleos de bairro, formar politicamente a militância e modernizar a comunicação do partido. Tudo isso com um objetivo bem definido: voltar a ser protagonista na política de Volta Redonda.
Em entrevista exclusiva ao aQui, Marcos Araujo destacou que sua eleição foi fruto da articulação com as principais forças políticas internas do partido. “Conseguimos reunir lideranças comunitárias, sindicais, excandidatos a vereador e diversos filiados que,
inclusive pelas redes sociais, se engajaram com a nossa candidatura. Esse apoio se consolidou pelas propostas contidas no nosso manifesto, amplamente divulgado
durante o processo”, destacou o agora novo presidente do PT. Segundo ele, com o fim da disputa eleitoral interna, a sua intenção é conduzir a legenda não de forma isolada, mas, sim, como o coletivo. “Atuaremos junto aos membros da nossa chapa e também com
representantes das outras, já que a composição do diretório será proporcional. Sempre defendi a unidade e a pluralidade no PT”, comentou Marcos Araujo.
Entre as primeiras medidas a serem adotadas por Araujo será organizar a legenda. “Em primeiro lugar, tomaremos posse e definiremos os titulares das secretarias (Geral, Sindical, Finanças, Comunicação, Organização, Movimentos Populares e Formação). Na sequência, vamos convocar uma reunião ampliada para construirmos nosso planejamento de ações”, afirmou, pontuando que as primeiras iniciativas estão a realização de um curso de Formação em Comunicação Digital; a retomada dos núcleos de base; a reorganização dos comitês de luta; a criação de um jornal do partido; e a articulação de um grande encontro com os diretórios do Sul Fluminense.
A respeito da relação que tem com Diego Zeidan, presidente eleito para o diretório estadual do PT, Marcos Araujo destacou ser a melhor possível. “Diego é filho do prefeito de Maricá (Quaquá, grifo nosso), um jovem cheio de energia, com ideias consistentes e determinação para conduzir a reeleição do presidente Lula em 2026. Pretendemos dialogar com ele especialmente sobre a interiorização da campanha e buscar apoio concreto para as ações nos municípios do interior do estado”, pontuou. Sobre a possibilidade de o partido em Volta Redonda ter candidatos a deputado estadual e federal, ele garante que isso ainda não foi discutido. “O momento é de reorganização interna e fortalecimento da base”, disse, sem deixar claro se a legenda terá candidato próprio à prefeitura em 2028.
“Como já afirmei, temos nomes à altura para representar o partido em uma eventual candidatura própria em 2028. No entanto, nosso foco agora está na reeleição do presidente Lula em 2026. Somente após essa etapa iniciaremos o debate sobre a participação do PT nas eleições municipais, seja por candidatura própria ou compondo uma aliança progressista”, concluiu o novo presidente petista. O novo diretório do PT, diz Marcos, assume com a promessa de valorizar os militantes históricos, atrair novas lideranças e reforçar o papel do partido como instrumento de transformação social. Em tempos de conservadorismo crescente, diz ele, o PT quer mostrar que ainda tem muito a dizer em Volta Redonda. E tem mesmo.

