Neto pode vir a disputar as eleições de 2028

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Munir ou Faria – um deles deverá ser o herdeiro político de Neto

Por Mateus Gusmão

O meio político voltaredondense já anda debatendo – de forma precoce – as eleições de 2028. Sem o prefeito Neto na disputa – um recordista de mandato no estado do Rio de
Janeiro –, muitos sonham com o Palácio 17 de Julho. Como Neto está no seu segundo mandato consecutivo, tendo sido reeleito em 2024, ele não poderá concorrer na eleição de 2028. É que a legislação eleitoral não permite que um político tenha três mandatos
consecutivos a um cargo no Executivo (prefeito, governador e presidente).

Só que, em Brasília, há uma articulação que pode embaralhar o jogo político. Trata-se da emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) à chamada PEC do Fim da Reeleição, que poderá abrir caminho para que prefeitos reeleitos em 2024 disputem
um terceiro mandato consecutivo em 2028, o que é proibido atualmente. Se aprovada, a proposta vai beneficiar Neto, que venceu a eleição de 2020 e acaba de se reeleger para mais quatro anos à frente do Palácio 17 de Julho.

A emenda foi incluída na PEC 12/2022, que tramita no Senado Federal. O texto principal propõe o fim da reeleição para cargos executivos (presidente, governadores e prefeitos), com mandatos únicos de cinco anos, além da unificaçã das eleições. No entanto, a emenda de Ciro Nogueira cria uma regra de transição: prefeitos eleitos em 2020 e reeleitos em 2024 teriam o direito de disputar novamente em 2028, como forma de adaptação ao novo sistema. Caso essa transição seja mantida no texto final da PEC — que ainda precisa
ser aprovada no plenário do Senado e depois na Câmara dos Deputados —, Neto poderá tentar seu terceiro mandato consecutivo, o sétimo de sua carreira política. A mudança permitirá que ele fique à frente da Prefeitura de  Volta Redonda por 14 anos seguidos: de 2021 a 2034.

A proposta já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e agora aguarda a votação em plenário. A articulação da emenda tem apoio de prefeitos de diferentes regiões do país, especialmente os que estão em segundo mandato consecutivo e desejam manter projetos de longo prazo em andamento. Lideranças da AMEG (Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande), em Minas Gerais, por exemplo, têm defendido a emenda publicamente.  O senador Ciro Nogueira (Progressistas) esteve reunido na terça, 15, com uma comitiva de prefeitos do Piauí, abordando, entre outros assuntos, projetos e benefícios que chegarão à população e também a PEC 12 / 2022.

Ciro destacou que apresentou a emenda à PEC atendendo pedido de diversos prefeitos. “É sempre um prazer receber esses prefeitos, que representam a população e sempre nos trazem demandas que podem beneficiar cada uma de suas cidades. Tratamos sobre a emenda à PEC 12, passando a envolver estes gestores no debate relacionado às novas regras eleitorais. Tenho buscado me dedicar a esta questão, inclusive conversando com outros colegas no Congresso”, afirmou Ciro.

A posição de Neto

Procurado para falar a respeito da PEC da reeleição, o prefeito Neto foi sincero. Garantiu não estar preocupado com o projeto, que afirmou desconhecer, e, como era dia de festa pelos 71 anos da cidade do aço, aproveitou para falar do futuro e de quem poderá ser o seu herdeiro político.

aQui: Como o senhor avalia a emenda que pode garantir um terceiro mandato
consecutivo para os prefeitos que já foram reeleitos?
Neto: Não li o projeto ainda, vou até pedir para meus advogados olharem com cuidado o que diz o texto. No momento, estou muito focado em garantir o aumento da participação de Volta Redonda na divisão do “bolo do ICMS”. Essa é a prioridade total, pois seguimos perdendo receita, principalmente para municípios que têm envolvimento com a produção de petróleo. A divisão está muito desigual.

aQui: Caso a emenda à PEC seja aprovada, o senhor consideraria disputar a eleição para prefeito em 2028? Por quê?
Neto: Quando entrei como prefeito pela primeira vez, em 1997, logo em seguida criaram a emenda da reeleição. Lembro que nem pensava nessa hipótese e de repente ela estava em discussão nos corredores e salões de Brasília. A aprovação daquela proposta mudou completamente o jogo político, na época e agora. Como antes, não penso nisso agora. Me cabe apenas concluir este mandato, entregando as grandes obras e deixando um bom legado para quem vier em seguida.

aQui: A PEC 12/2022 também garante o fim da reeleição a partir das eleições
de 2030. O senhor é a favor do fim da reeleição? Por quê?
Neto: Não sou eu que faço as regras do jogo e não tenho poder algum de influenciar estas decisões. Um dos argumentos de quem se coloca contra é que a reeleição torna o pleito desigual. Quem está com a máquina na mão, teoricamente, estaria em vantagem. Tomando Volta Redonda como exemplo, isso não ocorreu no governo que ficou de 2017-2020. Eu estava fora do governo e ganhei no primeiro turno. Mas não sei dizer se em outros locais isso acontece ou aconteceu. Não tenho essa estatística de cabeça. Eu acho que, se uma pessoa faz um bom governo, ela acaba reeleita.
Se não faz, a urna pune e o povo dá o recado. Com reeleição ou sem reeleição, temos sempre de assegurar que a palavra final seja do povo.

aQui: O senhor considera se aposentar da política? A partir de quando?
Neto: Eu pensei seriamente em parar depois do quarto mandato. Só que quem entrou depois de mim decidiu, em vez de governar, ficar tentando criar narrativas contrárias ao meu governo e minha pessoa. Voltei para reconstruir o que fizeram de errado e para mostrar que com honestidade e competência é possível pagar salários em dia, tocar grandes obras, manter hospitais abertos.

aQui: Boatos dão conta que o nome do senhor estaria sendo apontado como provável candidato ao governo do Estado – caso a candidatura de Rodrigo Bacellar seja detonada ou caso o nome de Bacellar vingue como pré-candidato a vice-governador. O que o senhor tem a dizer diante dos boatos?
Neto: Fico feliz pela lembrança, mas amo Volta Redonda e quero ficar aqui. Eu nasci aqui, fui criado aqui e moro aqui. Penso em concluir meu mandato. Sem dúvida, fico feliz de ver isso, pois é sinal que nossa gestão e nossos projetos estão sendo bem avaliados lá
fora.

aQui: Quem o senhor pensa em fazer como herdeiro político? Por quê?
Neto: Cada um deve construir sua história. Veja só o Munir. Ele em dois anos e pouco como deputado estadual e está fazendo muita coisa. Não tenho dúvidas que o ajudamos a se eleger, mas ele está caminhando firme com as próprias pernas. O que esse cara tem
feito por Volta Redonda merece nosso reconhecimento. Já tinha um belo trabalho como secretário de Ação Comunitária, mas faz muito como deputado. Está com uma bagagem enorme. Em outro caso, temos o Faria, com uma história já sólida, um cara que está comigo desde 97 atuando nos governos e nas minhas funções no Estado. Temos ainda excelentes nomes em nossa cidade, e não classifico nenhum como meu herdeiro. São pessoas com histórias próprias, vontades próprias e sonhos próprios.