Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, o tabuleiro do jogo político em Volta Redonda está tão quente quanto o alto-forno da CSN, também usado para queimar drogas apreendidas pela Polícia Federal. E, já assumidos como pré- candidatos ao Palácio 17 de Julho, o atual prefeito Neto – que buscará seu sexto mandato – tenta atrair pesos pesados dos meios conservadores e lideranças evangélicas. Já o empresário Mauro Campos Pereira, o Maurinho, representante da direita local, busca quem queira sair de vice em sua chapa. Já teria tentado convencer Márcia Cury, diretora do Hospital do Retiro, e Luciano Mineirinho, vereador. Ouviu dois ‘nãos’.
Na empreitada, Maurinho, que assumiu a presidência do diretório do PL em Volta Redonda, logo de cara procurou o União Brasil, partido comandado no Rio pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que tem o objetivo de lançar candidatos a prefeito e vice por todo o estado. “Quanto ao União Brasil, já conversamos. Um vice do partido será muito bem-vindo, principalmente se for um vereador honesto e capaz, que pode fazer muito mais pela cidade”, disse.
A tarefa de Maurinho, entretanto, não será fácil. O vereador Luciano Mineirinho, aliado de Rodrigo Bacellar, chegou a revelar ao aQui que foi procurado pela direção estadual do partido (UB) para saber da possibilidade de ser o vice na chapa de Maurinho. “Houve esse contato, sim”, garantiu. “Me perguntaram se havia chance de ser candidato a
vice (de Mauro). Fiquei muito feliz e honrado com o convite. Mas esse não é o momento. Hoje faço parte da base do governo e tenho compromisso (com Neto) que vou cumprir. Eu tenho palavra”, destacou Luciano, bem ao estilo dos mineirinhos, tanto que, segundo uma fonte ligada ao meio político, se o UB insistir na aliança com Maurinho, ele deverá desistir de assumir o controle da legenda que lhe foi oferecida. “O União Brasil ia ficar com Mineirinho, mas a direção estadual do partido estaria propensa a apoiar o Mauro. Com isso, Mineirinho disse que não quer o partido. Só pega se for caminhar com Neto”, garantiu a fonte, pedindo anonimato.
Como não de Luciano, a tarefa de Maurinho de conseguir um vice no Poder Legislativo ficará mais difícil. Dos 21 vereadores, apenas 3 não são da base do governo, sendo que dois deles são de partidos de esquerda: Walmir Vitor, queédoPT,eRaone Ferreira, do PSB. O terceiro, Rodrigo Furtado, é aliado de Maurinho, deve se filiar ao PL, mas prefere não arriscar seu futuro. “O caminho deve ser eu ser candidato a vereador pelo PL, meu objetivo é esse, sou pré-candidato a vereador. Não fui convidado para ser vice”, comentou o parlamentar.
O aQui chegou a conversar com interlocutores de Raone e Walmir Vitor. O primeiro, que é amigo de Maurinho e chegou a receber doação do empresário para a sua campanha de deputado federal, continuará no PSB e tem dito que disputará a
eleição para vereador novamente. É o mesmo caso de Walmir Vitor, que continuará no PT e será candidato à reeleição.
Talvez por isso Maurinho tenha procurado Marcia Cury, hoje diretora do Hospital do Retiro, para lhe oferecer a vaga de vice na sua chapa para 2024. “O Maurinho foi ao Hospital do Retiro chamar a Márcia Cury para ser vice dele, mas se deu mal”, conta a fonte. “Ela não quer deixar a equipe do Neto para se aventurar na política partidária”, acrescentou. Procurada para falar a respeito, Marcia bem que tentou desconversar, dizendo que era amiga de Maurinho e que gostava muito do empresário. Depois, não titubeou e disparou: “Sou Neto sempre”.
REAÇÃO DE NETO
Enquanto Maurinho busca quem aceite a missão de sair como seu vice nas eleições de 2024, o prefeito Neto decidiu buscar mais apoio entre as lideranças evangélicas locais, afinal, o segmento foi aliado do bolsonarismo, defendido por Maurinho. E na quarta, 16, anunciou a adesão de Laydson Cruz, um ex- vereador e bispo da Igreja Projeto Vida, que teria a missão de montar a nominata do PL para 2024. Como a legenda foi parar nas mãos de Maurinho, ele desistiu da empreitada. Será acompanhado pelo vereador Rodrigo Nós do Povo, que também vai sair do PL. Os dois poderão ter a companhia de Edson Quinto, que dá mostras de que não quer se indispor com o prefeito Neto.
“O Laydson resolveu ficar com o Neto”, comentou a fonte, lembrando que o pastor foi aliado do ex-prefeito Samuca, chegou a ensaiar uma tentativa de se lançar à prefeitura de Volta Redonda, mas, como é ligado à família Reis, do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, atual secretário de estado de Transporte, teria optado por caminhar com o grupo do Palácio 17 de Julho. “Os Reis vão apoiar a reeleição de Neto”.
Laydson, como destacou Neto, vai trabalhar na subprefeitura do Retiro, onde terá um escritório para mapear e apoiar projetos sociais desenvolvidos pela comunidade. Ele terá um papel ainda de ajudar outros líderes religiosos a conseguir regularizar a situação documental de suas igrejas. Principalmente para conseguirem alvará de funcionamento. Oficialmente, o objetivo do bispo da Projeto Vida será estreitar laços entre a prefeitura e organizações que fazem projetos sociais na cidade.
Laydson citou, por exemplo, que muitas igrejas e templos possuem programas assistenciais e precisam de ajuda para legalizar as ações. “Temos problemas documentais, questões de alvará e outras necessidades que são comuns. Vamos conhecer as demandas e intermediar as soluções. São milhares de pessoas atendidas dentro de projetos que hoje são tocados pela própria comunidade, mas que podem ser incentivados pelo Poder Público”, afirmou.
Outras lideranças evangélicas também estão sendo recebidas no Palácio 17 de Julho. Na semana passada, o ex-policial civil e pastor evangélico Sérgio Costa, o Serjão, e ainda o pastor Marcos Rogério, líder da Igreja Família Viva, se reuniram com Neto. “Discutimos pontos importantes para o futuro de Volta Redonda, e sou muito grato por ter eles por perto. Estamos convictos de que nossa união, com muito diálogo, forma a receita certa para continuarmos reconstruindo nossa Volta Redonda”, comentou o prefeito nas redes sociais.
Vale destacar que Neto já conta com o apoio de outras lideranças evangélicas, como é o caso do ex- deputado estadual Edson Albertassi, dono da Rádio 88 FM, voltada para os ‘crentes’. Tem ainda o apoio do pastor Rinaldo Silva Dias, líder da Assembleia de Deus, e do seu braço-direito, o ex-vereador Fernando Martins. Amém!

