Nasceu a criança

Neto inaugura anexo da FOA como ponto de referência para o tratamento da Covid-19

Batizada há muito tempo de ‘anexo da FOA’ no Hospital do Retiro, ela não demorou nove meses para nascer. Levou sete, já que o parto (inauguração) aconteceu na manhã de quinta, 1 de julho, quando o prefeito Neto cortou o cordão umbilical da unidade, construída ao longo dos últimos anos, com direito a enxoval de tijolos doados por entidades empresariais, políticos e até por CPFs comuns. Quanto custou, ninguém sabe; quem fez as obras, também não, afinal, com o dinheiro arrecadado, a CDL-VR (uma das doadoras) teria contratado uma empreiteira que, por sua vez, teria terceirizado alguns serviços.
Integrado ao corpo do Hospital do Retiro, comandado por Márcia Cury, o anexo da FOA passou a funcionar com 30 leitos de alta complexidade – sendo 10 de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e 20 de UI (Unidade Intermediária). Os novos leitos, até prova em contrário, serão usados para o tratamento da Covid-19. “Julho, mês de aniversário da cidade, vai começar de maneira muito especial, com a entrega de novos 30 leitos”, pontuou o prefeito na manhã de quinta, 1.
Neto não esqueceu nem de disparar farpas, mais uma vez, contra seu desafeto, o ex-prefeito Samuca Silva. “Ao contrário do que foi feito no passado, não alugamos leitos. Construímos e equipamos para que se tornem patrimônio de Volta Redonda. Temos praticamente um novo hospital aqui”, disse, referindo-se aos leitos e equipamentos que Samuca alugou para manter o Hospital de Campanha em 2020.
O anexo da FOA, que já deixou de ser identificado assim nos releases do Palácio 17 de Julho, segundo Márcia Cury será usado para o tratamento da Covid-19 na rede municipal de saúde, concentrando o atendimento dos casos de média e alta complexidade. Ela anunciou que todos os leitos já estão equipados com respiradores e monitores, que darão suporte aos pacientes. E prometeu que, mesmo com a redução dos índices de ocupação de leitos de UTI, a rede municipal continua se reestruturando para atender a demanda. Posteriormente, os novos leitos ficarão como um legado para o município.
“Com a inauguração do anexo do HMMR, que será referência no tratamento da Covid-19, o restante da rede de urgência e emergência será desafogado para atender a demanda de outras doenças. Além disso, o objetivo é o retorno das cirurgias eletivas nos dois hospitais municipais: Munir Rafful e São João Batista, que estão com uma grande demanda reprimida de cirurgias eletivas”, afirmou.
No mesmo dia, pelas redes sociais, Márcia Cury aproveitou para lembrar que tudo (a inauguração) só foi possível graças a uma pessoa: Dauro Aragão, ex-presidente da Fundação Oswaldo Aranha. “Essa conquista é fruto de uma parceria da prefeitura de Volta Redonda com o UniFOA. Portanto, quero deixar registrada minha gratidão ao saudoso Dauro Aragão, pelo carinho que sempre teve com nossa equipe. Agradeço também ao presidente Eduardo Prado, por dar continuidade nesse projeto. Tenho certeza de que essa união continuará trazendo frutos positivos para o município”, escreveu.
Oxigênio
Conforme release enviado aos jornais, Márcia explicou que, além da entrega dos novos leitos, o Hospital do Retiro passou recentemente por reabertura de leitos, ampliação da capacidade de energia elétrica e substituição do sistema de abastecimento de oxigênio, sendo que a qualidade do oxigênio ofertada era inferior e fora das normas legais. “No início do ano abrimos 10 leitos de UTI, 46 de Clínica Médica e outros quatro de unidades intermediárias. Quando assumimos o governo, encontramos uma usina de oxigênio que não comportava a capacidade total da unidade e tivemos que substituir o sistema de abastecimento de oxigênio. Também investimos em mais dois transformadores e, com isso, dobramos a capacidade de gerar energia no hospital atendendo aos novos equipamentos”, disse Márcia.
Vale lembrar que o problema de oxigênio no Hospital do Retiro chegou quase a virar caso de polícia – e ainda estaria sendo investigado pelo MP –, pois o HR teve que transferir pacientes em tratamento de Covid-19 para o Hospital São João Batista. O caso foi revelado pelo aQui na edição e, na época, a secretária de Saúde confirmou a denúncia. Só não disse se algum paciente teria morrido por conta da arriscada transferência de uma unidade para outra.

Sonho de Samuca

Em fevereiro de 2019, o ex-prefeito Samuca Silva já pensava em retomar as obras do anexo (naquela época nem usavam o nome de ‘anexo da FOA’), que, segundo ele, tinha sido idealizado para ser uma unidade materno-infantil”. Na época, conforme arquivos, a retomada das obras foi discutida por Samuca com a direção da unidade e representantes da OS Associação Mahatma Gandhi para que o construtor responsável pelo serviço voltasse ao trabalho.
No release da época, o Palácio 17 de Julho dizia que o edifício (da FOA, grifo nosso) tinha cinco pavimentos e iria abrigar uma unidade materno-infantil, “fruto de uma parceria com o governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio do programa Somando Forças”. Tem mais. Garantia que o município teria a receber mais de R$ 4 milhões, ‘em seis parcelas’, para concluir a obra. “Hoje, 35% da estrutura física estão concluídos”, dizia.
Samuca chegou a discutir a possibilidade da nova unidade hospitalar ampliar a oferta de serviços em Volta Redonda. “Vamos analisar as necessidades da população e definir as prioridades. Talvez o espaço possa ser aproveitado para um Hospital Geral, com serviços de várias especialidades para o cidadão”, explicou. Agora, mais de dois anos depois, o anexo da FOA abre as portas esperando que seja bem utilizado. Amém.

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