Na segunda 7, venceu o prazo dado pela Justiça para que o Clube Umuarama desocupasse voluntariamente o imóvel que ocupa na Vila e devolvesse as chaves para a CSN, proprietária da área. Apesar da sentença, dada pelo juiz da 3ª Vara Cível de Volta Redonda, o clube continuou funcionando normalmente. Ontem, sexta, por exemplo, o restaurante servia PFs (pratos feitos) por R$ 10,00 e um carro de som rodava pelo bairro tentando atrair clientes para aumentar o faturamento do clube. Ou seja, a ordem do juiz Claudio Gonçalves Alves não foi acatada.
Segundo informações de uma fonte da empresa, a CSN já teria entrado com um pedido para a execução da sentença. “A reintegração do imóvel por meio coercitivo está sendo requerida, já que não houve a desocupação no prazo dado pela Justiça”, revelou, não descartando o uso de força policial para garantir a desocupação do imóvel. “Tudo isso apenas reforça a dificuldade de se implantar empreendimentos na cidade do aço”, acrescentou a fonte, mostrando que a CSN já descartou qualquer acordo amigável com a direção do Umuarama.
Ela vai além. Garante que o assunto – reintegração do imóvel de forma pacífica – foi tratado com paciência. “O dono do clube está empreendendo uma cruzada contra a empresa, mesmo tendo ficado com o imóvel por décadas, de forma gratuita, por meio do comodato. Não há mais razão para a manutenção dessa relação”, disparou, referindo-se a Prieto, presidente do clube que postou um vídeo nas redes sociais para tentar obter apoio do prefeito Neto na sua cruzada contra a CSN.
Aliás, o assunto foi bastante comentado nas redes sociais. E uma nova questão surgiu. Funcionários do Clube Umuarama se mostram preocupados com o futuro de seus empregos e, principalmente, com o recebimento das verbas rescisórias. “Umuarama demitiu vários funcionários antigos e não os pagou. Todos têm família, todos têm seus direitos”, escreveu Denise Vieira Sil, nos comentários da última reportagem do aQui sobre o assunto, no Facebook. Outra internauta postou que funcionários com mais de 20 anos de casa, perto de se aposentarem, teriam sido demitidos.
O aQui foi atrás desses rastros para tentar descobrir o passivo trabalhista do clube, mas não foi possível. Nenhum ex-funcionário foi encontrado para falar a respeito e as pesquisas no site da Justiça do Trabalho exigem número de processo ou nome completo do autor da ação.
No processo de reintegração de posse, que tramita na 3ª Vara Cível contra o clube, houve uma movimentação no dia 25 de fevereiro, referente a uma juntada de documentos. Acredita-se que o advogado do Umuarama tenha entrado com algum recurso – possivelmente o que pede a anulação da sentença com base na ideia (ventilada por ele) de que há vício na ação. A hipótese explicaria o fato de não ter ocorrido a devolução do imóvel à CSN.
Para Thalles de Almeida, advogado que defende o clube, o juiz do caso – Claudio Gonçalves Alves – errou ao mandar desocupar o Umuarama e não chamar o Colégio Manoel Marinho, construído na área da CSN, ao lado do clube, cuja administração escolar está nas mãos do Estado, para ser parte integrante da ação. A CSN considerou essa tese completamente descabida, uma vez que a área do colégio foi doada ao Estado na década de 1940 e que o pedido de reintegração, expresso no processo, atinge apenas ao clube. A conferir.

