terça-feira, maio 24, 2022
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“Nada de concreto’

Reunião com Sindicato não avança e negociação fica para a semana que vem

As negociações para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos funcionários da CSN não avançaram nada na tarde de quinta, 14. A reunião durou mais de quatro horas e por volta das 20 horas a direção do Sindicato dos Metalúrgicos estava disposta a ir embora para casa sem ter uma contraproposta em cima da pauta de reivindicação que Silvio Campos tinha apresentado. “Depois de quatro horas de espera, a direção da empresa não apresentou nada de concreto”, desabafou. “Pura embromação”, sentenciou outro sindicalista, pedindo anonimato. Aos leitores do aQui, a atualização dessa reportagem, com o desfecho da reunião, pode ser encontrada na página do jornal no Facebook. Acesse e confira.
O engraçado é que se a reunião de quinta, às vésperas do feriado de Páscoa, foi de pura enrolação, sem grandes resultados, não se pode dizer o mesmo da semana – recheada de notícias e novidades sobre o acordo coletivo da CSN. A começar pela segunda, 11, com uma rodada de negociação entre a empresa e o Sindicato. O encontro, virtual, serviu para que Silvio apresentasse a sua pauta de reivindicações, contendo 37 itens diversos, elaborada a partir de uma pesquisa feita na UPV e na CSN Porto Real.
No documento foi pedido um reajuste salarial com base no INPC, acrescido de aumento real para reposição das perdas sofridas nos anos anteriores, bonificação de 1,62 salário, PPR 2021 equiparada ao valor distribuído aos acionistas da empresa e ainda um cartão-alimentação mensal no valor de R$ 800,00. Nos itens não econômicos, foram incluídos pedidos de melhoria nos planos de saúde e odontológico.
A reunião, também virtual como na quinta, 14, mostrou que o clima não era dos melhores. É que no final de semana a CSN teria demitido 16 funcionários envolvidos nas manifestações dentro e fora do chão de fábrica. Os operários teriam chegado para trabalhar e sido impedidos de entrar na usina. O grupo estaria ligado à oposição sindical e reivindicava substituir a direção do Sindicato para negociar o acordo coletivo 2022 diretamente com a CSN. Em nota, a CSN repudiou a atitude dos manifestantes e disse que seguiria negociando com o Sindicato dos Metalúrgicos – único com legitimidade para esse fim.
As demissões foram denunciadas ao Ministério Público do Trabalho, que recomendou à CSN que promovesse a reintegração imediata dos funcionários. E ainda que a empresa se abstivesse de demitir e admitir novos empregados enquanto durassem as negociações do acordo salarial. Assinada pelo procurador Elcimar Reis Bitencourt, a nota do MPT ressaltava que as demissões “constituem ato abusivo e de má-fé”, uma vez que “utiliza indevidamente do direito potestativo de dispensa de empregados para impingir temor na categoria que está lutando por melhores condições de trabalho”. O MPT informou ainda que, caso a Notificação Recomendatória fosse ignorada, iria ajuizar uma Ação Civil Pública contra a CSN.
Assim que as demissões – a oposição chegou a falar em 50 dispensas – tomaram conta das redes sociais, Silvio Campos colocou o departamento jurídico do Sindicato à disposição dos demitidos. E justificou dizendo que, embora os protestos tenham acontecido independentemente do Sindicato, uma vez que ocorreram sob a liderança da oposição, os trabalhadores não poderiam ser punidos por reivindicarem seus direitos. “Estamos do lado dos operários, independentemente da posição política. O nosso trabalho é apoiar o metalúrgico, e quem quiser pode procurar a nossa diretoria jurídica”, destacou.
Quem também ofereceu apoio aos trabalhadores foi o bispo D. Luiz da Silva Brito. Em papel que um dia já foi de D. Waldyr Calheiros, o atual líder religioso emitiu uma nota lamentando as demissões na CSN. “Não é lícito obter o lucro à custa da dignidade do trabalhador, da sua humilhação e da violação dos seus direitos”, escreveu. “Os trabalhadores devem participar, de modo justo, daquilo que eles mesmos produziram. A Igreja não condena o lucro, desde que seja partilhado por todos aqueles que ajudaram a gerá-lo, o que comumente se chama participação nos lucros e resultados”, completou, fazendo um apelo à siderúrgica para que reintegre os demitidos.
CSN recorre à Justiça
Na terça, 12, a CSN conseguiu na Justiça do Trabalho uma decisão, em ação de interdito proibitório, para que a oposição sindical – liderada por Edimar Miguel Pereira Leite e por Tarcísio Xavier – se abstenha de impedir que operários da UPV entrem na usina para trabalhar. A decisão também determina que os dois sejam impedidos de praticar atos que resultem em ameaça ou dano ao patrimônio da CSN ou aos próprios funcionários que não aderiram ao movimento que lideram. A decisão é da juíza da 2ª Vara do Trabalho de Volta Redonda, Monique Kozlowski, que fixou multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Na ação, a CSN citou as ocupações irregulares que estariam acontecendo no interior da usina, prejudicando o funcionamento de equipamentos importantes e colocando em risco a segurança da Siderúrgica. De acordo com a empresa, o setor mais afetado é o da Superintendência de Oficinas Mecânicas (SOM), cujas mensagens que chegaram através de aplicativo usado pelos manifestantes falam de uma possível sabotagem aos equipamentos do setor. Junto a essas mensagens, consta um manual ensinando a fabricar coquetel molotov. Todo o material foi apresentado à Justiça pela CSN.

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