Na palma da mão

 

Entender os números e planilhas dos contratos públicos para construção de praças, escolas e obras é uma tarefa para especialista e uma missão quase impossível para o cidadão comum. Mas a parceria entre o Poder Público e um grupo de programadores resultou em um aplicativo para celular que pode mudar tudo isso. Vencedor de um concurso promovido pelos ministérios da Justiça, do Planejamento e pela Controladoria-Geral da União, o aplicativo ‘As Diferentonas’ permite que todos comparem o uso dos recursos destinados pelo governo Federal à sua cidade.

 

“O mote do aplicativo é o de ajudar o cidadão a comparar o uso da verba do município dele com a de outros parecidos. A pessoa digita o município que interessa e o aplicativo usa dados socioeconômicos para descobrir os mais parecidos e já mostra os resultados com as ‘diferentices’”, explicou o professor da Universidade Federal de Campina Grande, Nazareno Andrade, responsável pelo aplicativo. E ele explica que a ideia surgiu de um meme que viralizou na internet, a partir de uma brincadeira com o termo ‘diferen-tona’. “Queríamos pegar essa ideia do meme para quebrar a formalidade dos dados do governo Federal, aproximar das pessoas e elas descobrirem se a cidade delas é a ‘diferentona’ das outras”, destacou.

 

Uma das formas de despertar o interesse das pessoas pelo aplicativo, e pelos dados públicos, é o humor. Nazare-no contou que um dos desenvolvedores do aplicativo nasceu na cidade de Emas, município de 13 mil habitantes do sertão da Paraíba. “Descobrimos que Emas é a ‘diferentona’, porque ela recebeu R$ 1 milhão para convênio de esporte e lazer que nenhuma outra cidade do tamanho dela recebeu na Paraíba”, exemplificou o professor.

 

Diretora adjunta da Secretaria de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça, Carolina Yumi de Souza, que coordenou o concurso para a escolha do aplicativo, fala sobre a ferramenta. “O aplicativo tem esse aspecto de não só fazer o cidadão se envolver, mas ajudar o Estado na fiscalização, evitar e diminuir a corrupção e cobrar do Pode Público que providências sejam tomadas se uma obra não for concluída”, disse.

Além de acompanhar o andamento de obras, o aplicativo permite que o cidadão questione o ritmo de construção do empreendimento e denuncie eventuais suspeitas de irregularidade. O aplicativo foi disponibilizado em uma versão de teste no portal do Ministério da Justiça para as pessoas baixarem. Em fevereiro será disponibilizado nas lojas online.

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