Mateus Gusmão
Os eleitores que se preparem para as ‘sopas de letrinhas’ que vão invadir os noticiários dos jornais pelas próximas semanas. É que a partir de quinta, 3, começa a contar o prazo da janela partidária, que irá durar pouco menos de um mês. É nesse período que acontece um verdadeiro troca-troca entre os políticos. Calma, gente. É troca de partidos. Quem quiser ser candidato na eleição de outubro tem esse prazo para trocar de legenda, procurando uma com mais verbas e chances de se eleger, sem perder o mandato eletivo que ocupa.
Segundo o TSE, o prazo da janela partidária vai até 1º de abril. “A janela partidária ocorre todo ano em que há eleições. E nada mais é do que um prazo de 30 dias para que parlamentares possam mudar de legenda sem perder o mandato vigente. Esse período acontece seis meses antes do pleito”, explica o TSE. Detalhe: não só quem está com mandato que irá agitar os bastidores da política. Quem quiser se candidatar em 2022 também tem que se filiar a uma legenda até 1º de abril.
Um dos partidos que deve ocupar o noticiário político é o União Brasil – legenda criada com a fusão do PSL e DEM. Dono do maior tempo de TV e do cobiçado Fundo Partidário, o partido deve filiar o vereador Betinho Albertassi, hoje no PSD, para lançá-lo como pré-candidato à Alerj. O ex-vereador Granato, que está no Solidariedade, também deve migrar para o União Brasil, mas sua candidatura é uma incógnita. Vai depender de Waguinho, prefeito de Belford Roxo, que comanda o partido.
O União Brasil deve ganhar o reforço do empresário Guto Nader, de Barra Mansa, possível pré-candidato à Assembleia Legislativa. Ele está indo para a legenda pelas mãos da família Brazão e com apoio de Waguinho. Os dois, inclusive, estiveram juntos no último fim de semana, quando teriam sacramentado a filiação do político barra-mansense à legenda.
Para a Câmara Federal, o União Brasil deverá ter dois volta-redondenses como candidatos. Um deles é o ex-prefeito e ex-deputado federal Paulo Baltazar, que ainda está no PSD, onde concorreu a prefeito em 2020. O outro é Geraldinho do Gelo, que deve migrar para a legenda, deixando seu atual partido, o Podemos. Mário Esteves, prefeito de Barra do Piraí, também pode se filiar ao União Brasil, pois sonha sair como candidato a federal.
Outra legenda que tem tudo para movimentar os bastidores da política é o PSD, comandado pelo prefeito Eduardo Paes. Uma das principais aquisições deverá ser Munir Francisco, irmão do prefeito Neto e secretário de Ação Comunitária. Ele está no PTB, de malas prontas para a nova legenda. Quem também pode se filiar ao PSD é Deley de Oliveira, ex-deputado federal, atualmente no PTB. Quem já se filiou ao PSD é Fátima Lima, vice-prefeita de Barra Mansa, que foi levada ao partido com as bênçãos de Paes. Ela está sendo incentivada a sair como candidata a deputada federal. O ex-deputado Nelson Gonçalves, há anos no PSD, deve permanecer no partido e tentar voltar à Alerj.
Quem mudou de legenda foi o ex-vereador de Barra Mansa Thiago Valério. Ele assumiu, como o aQui divulgou, a presidência municipal do PDT. Já o atual deputado estadual Marcelo Cabeleireiro conseguiu aparar as arestas no DC e deve mesmo ser candidato à reeleição pela legenda, contando com o apoio do prefeito Rodrigo Drable (DEM). Outro pré-candidato de Barra Mansa, o empresário Bruno Marini, largou o PSD e está de malas prontas para desembarcar no PRTB, partido que tem como estrela o vice-presidente general Hamilton Mourão. Marini é nome certo nas listas de pré-candidatos à Alerj pela PRTB.
Em Barra Mansa, outros dois políticos que sonham em sair como candidatos em outubro ainda precisam escolher suas legendas. Um deles é o presidente da Câmara, Luiz Furlani, que foi eleito pelo PSDB em 2020, mas não deve ficar na legenda. O segundo é o ex-deputado Ademir Melo, sem partido (estava no DC).
Outros políticos aguardam a hora ‘H’ para se filiarem a algum novo partido para disputarem as eleições de outubro. O vereador e comunicador Renan Cury, eleito pelo Solidariedade, é um deles. Bem cotado na disputa para a Alerj, Renan pode ir para o Progressista, do seu padrinho político, o deputado federal Doutor Luizinho. O vereador Neném, que está brigando nos bastidores para sair candidato a deputado federal, também terá que trocar de partido. Só que seu novo ninho ainda não está definido.
Há, entretanto, quem já tenha legenda garantida para sair como candidato. É o caso do deputado/vereador Jari Oliveira, do PSB, que tentará se reeleger pelo partido socialista. O presidente da Câmara, Sidney Dinho (Patriotas), também anunciou que será candidato a deputado federal pela legenda que comanda com mãos de ferro na cidade do aço. Os próximos 30 dias, entretanto, ainda podem gerar muitas sopas de letrinhas. E, é claro, troca-troca.



