Medalha para Vini

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Vinícius Júnior, craque do Real Madrid e da Seleção Brasileira, recebeu na tarde desta quarta, 5, a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio, em cerimônia realizada no Estádio do Maracanã. No evento, o vice-governador Thiago Pampolha (União) sancionou a Lei 10.053/2023, aprovada na Alerj, que estabelece a Política Estadual Vini Jr. de Combate ao Racismo nos Estádios e Arenas Esportivas.

As iniciativas foram propostas após o jogador ser alvo de insultos racistas, em maio, durante partida do Campeonato Espanhol. Emocionado, Vini falou sobre as homenagens. “Eu espero que minha família esteja orgulhosa de mim. Sou muito jovem e não esperava que, tão novo, estivesse no Maracanã, um lugar muito especial para mim, recebendo essas homenagens. Às vezes fico me perguntando se mereço tanto”, disse, visivelmente emocionado.

Autora do Projeto de Resolução 148/23, que concedeu a Medalha Tiradentes a Vini, a deputada Verônica Lima (PT) elogiou a luta do craque no combate ao racismo. “É um momento de muita alegria para nós, combatentes do racismo estrutural. Vini Jr. merecia muito essa medalha. Ele não fingiu que nada estava acontecendo ou baixou a cabeça. O Vini Jr. enfrentou os racistas e disse que aquilo ali não era normal. Com isso, ele se tornou exemplo para muitas crianças”, afirmou.

Política Estadual Vini Jr.
Autor original do projeto que estabeleceu a Política Estadual Vini Jr. de Combate ao Racismo nos Estádios e Arenas Esportivas, que recebeu a coautoria de diversos parlamentares da Assembleia Legislativa, o deputado Professor Josemar (PSol) espera que a lei seja seguida em todo o país. “É um orgulho ter um jogador gonçalense enfrentando mundo afora o racismo estrutural e original, aquele que veio nos navios negreiros. Estou feliz em participar da sanção dessa lei que deve se tornar referência em todo Brasil. Com racismo não tem jogo nem mediação”, destacou.

Também foi sancionada a Lei 10.052/2023, de autoria da deputada Verônica Lima e do deputado Felipinho Ravis (SDD), com coautoria de diversos parlamentares, que cria o Dia da Resposta Histórica contra o Racismo no Futebol a ser comemorado em 7 de abril. A data foi escolhida em alusão à manifestação do Vasco, no dia 7 de abril de 1924, quando o clube teve sua inscrição recusada pela Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA). A entidade só permitiria a filiação do clube caso todos os 12 jogadores, negros e operários, fossem dispensados sob a acusação de que teriam “profissão duvidosa” e que não apresentavam “condições sociais apropriadas para o convívio esportivo”.

Vini Jr. também foi contemplado com a Medalha Pedro Ernesto, entregue pela vereadora do Rio de Janeiro, Mônica Cunha (PSol), e com o título de Cidadão Carioca, concedido pelo presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, vereador Carlo Caiado (PSD). Além disso, o jogador gravou seus pés na “Calçada da Fama” do Maracanã.

Entenda o caso de racismo contra Vini Jr.
No jogo entre Real Madrid e Valencia, no Estádio Mestalla, em maio, a torcida valenciana gritou insultos como “macaco” direcionados a Vini Jr. A partida foi interrompida e até o locutor do estádio teve que pedir para os torcedores pararem de insultar o atacante, a fim de que o jogo pudesse ser reiniciado.
Já nos minutos finais da partida, o goleiro do Valencia, Mamardashvili, partiu para cima de Vini Jr, iniciando uma confusão generalizada dentro de campo. Vinícius sofreu uma espécie de “mata-leão” do jogador Hugo Duro, foi empurrado e, ao reagir, acabou sendo expulso após análise do VAR. Nada aconteceu com os jogadores do Valencia.
Entre os outros casos de racismo envolvendo o atleta brasileiro na Espanha, um de grande repercussão ocorreu em janeiro deste ano, quando torcedores do Atlético de Madrid penduraram em uma ponte da capital espanhola um boneco com a camisa de Vini Jr. e uma faixa escrita “Madri odeia o Real”.