Justiça anula assembleias convocadas por Edimar Miguel

0
488

Por Pollyana Xavier

As mudanças na direção do Sindicato dos Metalúrgicos, que desde a semana passada tem um novo presidente – Edimar Miguel foi afastado do cargo e em seu lugar assumiu o vice, Odair Mariano – renderam novos desdobramentos nos últimos dias. Conforme o aQui noticiou com exclusividade na tarde de ontem, sábado, 9, o juiz do Trabalho, Thiago Rabelo da Costa, determinou a anulação das duas assembleias convocadas por Edimar, que ocorreriam amanhã, segunda, 11 de março, em dois horários diferentes, na Praça Juarez Antunes, na Vila.

De acordo com o documento que o aQui teve acesso, o juiz reconheceu Odair Mariano como o atual presidente do Sindicato e decidiu pela nulidade das assembleias, já que Edimar não teria mais legitimidade para fazer tal convocação. Ao ser remanejado do cargo de presidente para diretor de Organização por Local de Trabalho, Edimar publicou dois editais no dia 5 de março convocando os associados para votarem a nulidade da decisão da diretoria executiva, que fez, dentro das normas estatutárias da entidade. Detalhe: Edimar foi notificado pelo oficial de justiça na manhã de ontem, sábado, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em Volta Redonda.

A confusão já era esperada. Afinal, Edimar foi afastado do cargo pelos integrantes do G5 e o vice, Odair, assumiu a cadeira de presidente do maior órgão sindical da região. Não satisfeito, deu início à campanha salarial da CSN. Se a disputa pelo poder não desmoralizar de vez o Sindicato, certamente vai confundir os trabalhadores. É que na quinta, 6, dois boletins oponentes foram distribuídos na passagem superior da UPV. Um feito por Edimar e o outro pelo G5. Ambos disputavam a atenção do metalúrgico, provando, mais uma vez, o racha violento entre eles.

O boletim de Edimar, sem data nem assinatura, convocava os trabalhadores para as assembleias de segunda, 11, que foram anuladas pela Justiça do Trabalho. Na prática, o que o líder sindical queria era mudar, a toque de caixa, o estatuto do Sindicato (o que não passou despercebido pelo juiz do Trabalho). Ainda na publicação, Edmar deu a entender que a mudança no estatuto seria necessária para dar “voz e voto a todos os diretores”, de forma que participassem “democrática e transparente de todos os passos administrativos e políticos que serão tomados daqui pra frente”.  Em seguida, o boletim alfinetou o G5 e evidenciou, ainda que anônimo, que teria partido de Edimar, pelo bordão usado no texto. “Não dá pra um pequeno grupo decidir e encaminhar ações sem a participação e aval de quem está no chão da fábrica (…) Conto com a presença de vocês, homens e mulheres de aço”.

Já a publicação do G5, oficial, foi publicada nas redes sociais do Sindicato e está assinada pelo presidente em exercício, Odair Mariano. O texto traz um resumo do início da campanha salarial e apresenta um QRCode para que o trabalhador acesse e deixe sugestões de valores para o pagamento da PLR. Ainda na publicação, o G5 fala do caos instalado no Sindicato e das mudanças feitas na base. “Não adianta Edimar alimentar essa crise interna, a maioria da diretoria está unida e não vai deixar a crise interferir nas negociações das Campanhas Salariais das empresas!”, garantiram.

A verdade é que na disputa pelo poder, o G5 pode levar a melhor se souber conduzir o Sindicato. É que conforme o aQui apurou, a CSN não deve sentar para negociar a campanha salarial e a PLR/Abono com Edimar Miguel. A dança das cadeiras, que trocou de lugar toda a diretoria executiva (exceto o diretor jurídico, Leandro Vaz, que continua na mesma posição por ser o único advogado do grupo) possui legitimidade jurídica. Quem garante é o próprio estatuto, que teria sido cumprido à risca. O próprio juiz do Trabalho reconheceu isto, mesmo assim Edimar quer mudar o documento, justamente para revogar seu remanejamento e voltar ao comando do órgão.

Nas redes sociais, Leandro Vaz disse que o boletim de Edimar era falso, sem data e numeração. “Isto é fake news. Foi feito e publicado sem autorização da Diretoria de Comunicação do Sindicato”, resumiu, acrescentando que Edimar estaria “fazendo um furdunço” na campanha salarial da CSN, “assim como fez no ano passado”. “O Edimar não tem mais competência para convocar assembleia. Ele é diretor por Local de Trabalho, não é mais presidente. Essa assembleia do dia 11 é nula e a Justiça cancelou tudo. Não tem qualquer validade jurídica e estatutária”, avisou o diretor jurídico.

Os dois boletins – o de Edimar e o do G5 – foram distribuídos, a menos de cinco metros de distância, na passagem superior da CSN, na Vila, na manhã de quinta, 7. O metalúrgico que saía da fábrica ou que chegava para trabalhar não entendia absolutamente nada.

Prestação de Contas – A semana também teve desdobramentos no que diz respeito à prestação de contas do Sindicato, prometida pelo ex-diretor Financeiro, Alex Clemente. Na quarta, 6, ele iria se encontrar com membros do Conselho Fiscal para dar transparência financeira ao grupo e explicar a denúncia feita por Edimar, de 142 saques em espécie, totalizando um rombo de R$ 670 mil nas contas da entidade. A reunião, porém, não aconteceu, porque Alex queria gravar o encontro e transmiti-lo em tempo real nas redes sociais do Sindicato, para ser acompanhado pelos trabalhadores e a imprensa. Mas a ação foi negada pelos conselheiros, que deixaram a sala, se recusando a ver os cálculos.

Para Edimar, Alex coagiu o Conselho Fiscal, ao propor transparência total na prestação de contas. “A verdade vai aparecer e este golpe será revelado”, disse Edimar, reconhecendo que ele mesmo pediu explicações e transparência, mas acabou voltando atrás diante da possibilidade de lisura na apresentação. Já Alex, disse que está à disposição de qualquer trabalhador que queira conferir os documentos fiscais e bancários do Sindicato e lamentou que o Conselho Fiscal tenha recuado no último momento. “Não tenho nada a esconder de ninguém”, avisou. Aguardem os próximos capítulos…