Jogando contra!

Logo após subir as escadas do Palácio 17 de Julho, o prefeito Samuca Silva fez questão de dar um recado à sua equipe. Demitiria todos aqueles que pisassem na bola. Que não atingissem as metas estabelecidas por ele. Dito e feito. Com o passar dos meses, dispensou uma penca. A maioria bem que mereceu levar o cartão vermelho. Foi o caso da ex-titular da pasta do Meio Ambiente, Daniela Alvarenga; do presidente da Suser, Wellington Silva, entre outros. Sobrou até para Mauro Campos Pereira, Maurinho, um dos três empresários que Samuca levou para trabalhar na Praça Sávio Gama. Os outros dois foram Rafael Capobiango e Joselito Magalhães.  

 

Dos que sobraram da famosa fotografia na porta do Palácio 17 de Julho, alguns também mereciam ter a mesma ‘sorte’. Mas foram ficando, ficando, mesmo sem ter muito a oferecer ao governo Samuca e, principalmente, à população de Volta Redonda. Outros ficaram e ainda estão lá por conta da teimosia do próprio prefeito, como é o caso do comandante da Guarda Municipal, que não manda em nada. Mas faz questão de atrapalhar o dia a dia do governo fazendo intrigas fora do quartel contra aqueles que julga serem seus desafetos.  

 

Dos que ganharam pastas recentemente, alguns também já merecem ser dispensados. Por razões óbvias. Uma delas é que não são do ‘métier’ (do ramo), como o engenheiro metalúrgico Márcio Lins, levado a comandar o IPPU-VR. Depois de passar décadas no chão da fábrica da CSN, ele teria sido levado a assinar documentos dos quais não entendia nada. E não se sabe se ele teve algum papel – até mesmo de assessorar o prefeito – na questão dos problemas ambientais envolvendo a produção do aço, o pó preto, a escória etc.

 

Poderia, por exemplo, ter dado bons conselhos ao atual secretário de Meio Ambiente, Maurício Ruiz, que deve conhecer bem a região de Miguel Pereira, onde foi candidato a prefeito, tendo saído derrotado da eleição. Um dos melhores conselhos que Lins poderia dar a Ruiz seria o de não praguejar contra a CSN. A não defender uma posição radical, como de fechar a aciaria da Usina Presidente Vargas depois de um acidente que fez muito barulho, e nada mais.

 

Não satisfeito, Ruiz, desde que chegou, só gerou problemas para o governo Samuca. Está envolvido diretamente na concessão de polêmicas licenças ambientais, como a que concedeu à obra do grupo Campos Pereira na Rodovia dos Metalúrgicos. Chegou ao cúmulo de gabar-se de ter plantado mil árvores ao longo de um trecho da via. Pura lorota: foram apenas 40 mudas. Aliás, as árvores foram compradas, pagas e plantadas pelos proprietários do Portal da Saudade.

 

Não satisfeito, Ruiz decidiu atacar o aQui afirmando que seria tudo ‘mentira’ (grifo nosso) o que o jornal publicou na edição passada a respeito da polêmica obra da Rodovia dos Metalúrgicos. Ele só não explicou, no release que fabricou, é que ele foi entrevistado pela reportagem. Teve a chance de dizer ‘as verdades’ que ele acredita deter, que não batem com as informações obtidas pelo aQui junto a quem conhece Volta Redonda como a palma da mão.

 

No seu release, Ruiz tentou desmentir o aQui. E deu a entender que todos os moradores do Jardim Belvedere também seriam mentirosos quando postam nas redes sociais comentários sobre a existência de uma lagoa no terreno terraplanado para a construção de um grande condomínio empresarial ou residencial do grupo CP. Para ele, que nunca deve ter entrado na cidade do aço até ser contratado para trabalhar em Volta Redonda, a lagoa do Belvedere nunca existiu. Era apenas, jura Ruiz do alto da sua árvore, apenas um acúmulo de água. Ou, como ele mesmo definiu, um ‘lago artificial’.

 

Pior. Sem saber que o jornal errou ao não divulgar que a foto extraída do Google para ilustrar a matéria tinha por base o ano de 2004 (fotos anteriores não estão disponibilizadas), Ruiz embarcou em uma canoa furada. Mandou escrever no seu release que a ‘lagoa’ teria sido criada a partir de 2004, como o aQui errou ao noticiar. Ou seja, Ruiz mentiu descaradamente. A criação da lagoa ou do ‘lago artificial’ é anterior a 2004. E, graças a ele, Ruiz, os empresários ganharam licença da sua pasta para enterrá-la.

 

Outra bravata de Ruiz foi quando plantou na imprensa que sua pasta iria contratar várias pessoas das áreas de Direito, Biologia, Arquitetura, Comunicação, Marketing e Agropecuária. Até pedreiros. Chegou a pedir que enviassem currículos. Detalhe: até o dia 22 de fevereiro, 945 voltarredondenses tinham acreditado nele. Hoje, quatro meses depois, todos os 945 continuam à espera de uma resposta do secretário de Meio Ambiente de Volta Redonda, que nunca será dada, pois era apenas ‘fake news’ oficial, que obrigou Samuca, ainda em fevereiro, a abrir as inscrições para um concurso público para preencher 223 vagas. Resumindo: está na hora de Ruiz parar de jogar contra o governo Samuca Silva.

Luiz Vieira
editor 

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