Jari leva Inea para inspecionar lixão da prefeitura

Jari e técnicos do Inea fazem inspeção no antigo lixão da prefeitura de Volta Redonda; Miguel Arcanjo diz que sem recursos nada poderá ser feito

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Por Vinícius de Oliveira

A reportagem veiculada pelo aQui na edição passada sobre o estado de abandono do antigo lixão de Volta Redonda, situado próximo à Casa de Portugal, às margens da Rodovia dos Metalúrgicos, chamou a atenção do deputado estadual Jari Oliveira (PSB), que é presidente da Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa. Resultado: o parlamentar, acompanhado por seus assessores, levou uma equipe técnica do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) na manhã de ontem, sexta, 16, até o local para averiguar de perto as irregularidades ambientais. “Há, de fato, uma espuma minimamente estranha se formando no leito do Rio Brandão. Não é possível, sem uma análise mais técnica, afirmar que essa espuma se formou a partir do chorume que brota da terra. Por isso, o Inea esteve presente, para que possa dar um parecer técnico mais completo”, afirmou Jari, impressionado com a vastidão do antigo aterro.
Questionada, uma das agentes do Inea explicou que dificilmente a água, o solo e qualquer parte daquele local não estarão contaminados pelo chorume armazenado no antigo lixão. “Todas as ‘montanhas’ pelas quais passamos são compostas de lixo. As lagoas aqui presentes possuem água de coloração escura, não só pelo fenômeno da eutrofização (processo de multiplicação excessiva de algas), mas, também, pela contaminação do chorume”, explicou, salientando que o Inea apresentará um relatório com informações mais detalhadas do que foi encontrado durante a vistoria.
O próximo passo, conforme adiantou Jari, é dar encaminhamento ao relatório e cobrar das autoridades competentes a remediação pelos danos ambientais que o solo, o corpo hídrico, a vegetação e até a fauna estão sofrendo por cerca de 40 anos ininterruptos sem qualquer tipo de reparo. “Segundo os técnicos do Inea, esse relatório fica pronto até sexta-feira que vem (dia 23). Tão logo chegue ao meu gabinete, farei os devidos encaminhamentos. Não podemos permitir que nosso ecossistema continue sendo violentado desta forma”, assegurou o deputado.
Quem também esteve no local na hora da vistoria foi o secretário de Meio Ambiente de Volta Redonda, Miguel Arcanjo. Ciente de que a prefeitura terá de arcar com boa parte dos investimentos milionários necessários para, de fato, remediar todo o mal de quatro décadas de chorume, o secretário não pareceu receptivo. “Fiscalizar é fácil, quero ver ter o dinheiro para resolver todos esses problemas”, disparou Arcanjo.
De fato, a remediação não sairá barata. Estudos preliminares desenvolvidos em 2012 mostram que a prefeitura de Volta Redonda deveria desembolsar em torno de R$ 9,1 milhões. O projeto não saiu do papel. Ele previa desde o levantamento topográfico do terreno, passando pela recuperação da área, tratamento do chorume, até o cercamento definitivo do lixão. Para quem não conhece o alcance do desastre ambiental, vale lembrar que as gigantescas lagoas de chorume expelido através da terra e produzido ao longo dos anos pela decomposição do lixo depositado no aterro até 2012 funcionam como uma verdadeira bomba química que escorre pelos cursos d’água presentes na Cicuta, situada a poucos metros do local. O líquido escuro e contaminado oriundo do lixo tomou o solo, correu até o Rio Brandão e inutilizou até uma queda d’água dentro da floresta que poderia ser usada para banho. “Vamos ficar em cima para resolver esse passivo ambiental da melhor forma possível e o quanto antes. Tem a ver com nosso futuro”, completou Jari.