A eleição do representante da Comissão de Trabalhadores do consórcio modular da Volks, em Resende, terminou com a vitória de Zaquel de Souza Jesus, funcionário da empresa Kroschu, que recebeu 370 votos para representar, daqui em diante, todos os operários do consórcio pelos próximos dois anos. A representação, porém, poderá ser interrompida a qualquer momento. É que o Ministério Público do Trabalho apura denúncias de irregularidades que teriam ocorrido no processo eleitoral e que, se forem verdadeiras, podem anular o pleito. A principal delas seria a participação direta do Sindicato dos Metalúrgicos na convocação e organização da eleição – o que é vedado por lei.
Essa irregularidade não teria sido a única. Funcionários de Resende, que pediram anonimato, confirmaram a existência de um boato dando conta que representantes do Sindicato teriam dispensado o pessoal da mesa coletora dos votos antes mesmo do término da votação, marcado para as 17h30 do dia 17 de abril – e teriam transportado as caixas
para o local de apuração, sem nenhuma fiscalização. “A galera do Sindicato ficou com a posse da urna até o local de apuração sem nenhum fiscal. Podem ter trocado a urna, porque a vitória do Zaquel foi uma surpresa geral”, comentou um deles.
Zaquel é uma pessoa conhecida no meio metalúrgico. Seu nome consta como membro suplente da Chapa 1, de Jovelino José Juffo, nas eleições de 2022. Ele era visto no consórcio modular como um braço direito da antiga diretoria do Sindicato. Com a vitória de Edimar, Zaquel teria se juntado a ele. “O resultado surpreendeu, porque o Zaquel participou da eleição da Cipa e não obteve nem 20 votos. Surpreendentemente, ele teve todos esses votos na comissão da fábrica, sendo que a maioria dos votantes foi da empresa onde ele trabalha”, contou a fonte.
Pelo que o jornal apurou, o MPT abriu a investigação sobre o boato no dia 14 de abril. Os procuradores teriam até falado em suspender o pleito, o que não aconteceu. A eleição foi realizada nas empresas modulares no dia 17 de abril, das 10 às 17h30min, com sete candidatos participantes. Juntos, eles obtiveram 1.489 votos. Não foram divulgados votos brancos ou nulos.
As denúncias envolvendo a falta de fiscalização das urnas, a liberação de mesários antes do horário e o transporte irregular das caixas já foram encaminhadas ao MPT e incluídas na NF aberta para apurar a questão. Devido ao sigilo, não foi possível ao jornal saber os procedimentos adotados pelo MPT.
O aQui tentou falar com a empresa Kroschu, por telefone, na quinta, 20, mas ninguém atendeu. E a reportagem enviou um e-mail ao Sindicato dos Metalúrgicos pedindo que confirmassem ou não os boatos a respeito da possibilidade de a eleição ser anulada. Mas até o fechamento desta edição não houve retorno. Quanto ao MPT, o órgão não comentou o assunto por se tratar de uma Notícia de Fato (NF) conduzida em sigilo.
Irregular
Comissão de Trabalhadores é eleita na Volks, mas eleição pode ser anulada

