Em contato com a direção da CSN na manhã de ontem, sexta, 7, o prefeito Neto recebeu algumas boas notícias a respeito de como a siderúrgica pretende agilizar os procedimentos de combate à poluição gerada na Usina Presidente Vargas, em especial no tocante ao pó preto. As peças e equipamentos que vão permitir a modernização da Sinterização 2 (Sinter-2) da UPV, responsável pela produção do aço, já estão sendo construídas pelo grupo Monto Ambiental, de Sertãozinho, no interior de São Paulo. A previsão é de que os primeiros equipamentos sejam entregues e remetidos em breve para o interior da UPV.
A CSN também informou que implantará sistemas de geração de neblina artificial para impedir a propagação das partículas (pó preto) que saem dos altos-fornos. Isso será feito através dos denominados canhões de névoa, que são usados para reter partículas, formando uma espécie de barreira de proteção nas áreas mais vulneráveis. Similar a uma turbina de avião (ver foto), o equipamento funciona lançando uma névoa úmida a uma distância de 50 a 150 metros sobre pilhas e outras fontes potenciais de emissão de material particulado. O canhão é usado para controlar efetivamente a poeira e os odores em indústrias ao redor do mundo e deve chegar à Usina Presidente Vargas até o final de agosto deste ano.
Neto e o deputado estadual Munir Neto foram informados das novidades e, em contato com o vice-governador Thiago Pampolha, confirmaram a liberação das licenças para obras no interior da Usina Presidente Vargas. Neto aproveitou para afirmar que a prefeitura tem cumprido sua parte no que diz respeito à questão envolvendo a CSN. “Queremos que a CSN produza mais e polua menos. Sabemos que isso é possível, e esses equipamentos são um passo crucial para que isso se torne realidade. Eu e todos os nossos moradores queremos ver isso em prática o mais rápido possível”, disse.
Munir foi além. “A população de Volta Redonda não pode mais suportar a baixa qualidade do ar e, por isso, estamos trabalhando para garantir que o TAC seja implementado o mais rápido possível. Depois de lidar com a questão das licenças, buscamos informações sobre os próximos passos para cumprir o acordo. Temos fotos e relatórios do que já foi e do que ainda será feito. Vamos monitorar e supervisionar tudo, de maneira proativa, sempre em busca de soluções”, afirmou.
As peças em produção em Sertãozinho são de grande porte, como a maioria dos componentes relacionados à sinterização da CSN. O investimento é da ordem de R$ 250 milhões. Detalhe: o Grupo Monto está fabricando novos dutos de entrada e saída para o precipitador primário, que também receberá um novo defagulhador (que atua como um pré-coletor de material). A sinterização secundária será equipada com um novo “filtro de mangas” e uma nova rota de dutos de captação.
De acordo com informações do Inea, das 35 ações previstas no TAC com a CSN, duas serão responsáveis por solucionar o problema das partículas de pó preto que são frequentemente liberadas na atmosfera pela siderúrgica gica. A instalação de equipamentos modernos de controle de emissão nas sinterizações e o enclausuramento das correias que transportam materiais particulados na Usina impedirão a liberação das partículas de pó preto. “Vamos monitorar isso de perto, pois a população não merece mais sofrimento. As medidas anunciadas a curto e médio prazo devem ter um impacto imediato, mas a solução está na modernização do processo de produção”, defende Munir.
CURTO PRAZO
A CSN também garantiu a Neto que começará a usar máquinas de varrição e sucção novas e automatizadas nos pátios da UPV, onde existe maior acúmulo de poeira. Além disso, a empresa se comprometeu a adquirir novos canhões de água para evitar a elevação de poeira em situações de aumento na frequência de ventos fortes na cidade, por exemplo.
REPERCUSSÃO
A polêmica sobre o pó preto da CSN não incomodou apenas ao prefeito Neto. Como não poderia deixar de ser, caiu como um prato cheio para os políticos e ambientalistas. Tanto na Câmara de Volta Redonda quanto na Assembleia Legislativa, vários parlamentares passaram a cobrar providências para resolver o problema da poluição que a Usina Presidente Vargas provoca na cidade do aço. Que nunca terá uma solução definitiva, a não ser que fechem a UPV.
O presidente da Câmara, Paulo Conrado, esteve, por exemplo, conversando com os dirigentes da CSN na manhã de terça, 4. “A CSN diz que, neste período do ano, ocorre um fenômeno climático natural denominado inversão térmica. É um fenômeno que ocorre em período de estiagem e clima seco e frio. O ar quase não se dispersa. Com isso, as concentrações de partículas se acumulam sobre a região onde o fenômeno ocorre. Mas é claro que isso não justifica o pó preto”, afirmou, em nota aos jornais. “A CSN me disse que, fora a questão do clima, a empresa vem investindo em equipamentos modernos, como filtros de despoeiramento. Estes filtros, porém, são solução a médio prazo. Por isso, indaguei quais soluções seriam a curto prazo”, completou.
Conrado entende que o seu papel de presidente da Câmara de Volta Redonda foi devidamente cumprido. “Fui (até a CSN) cumprir minha missão como presidente do Poder Legislativo. Fiquei esperançoso com o queouviecomofatode que o Alexandre, que está como diretor da CSN há poucos meses, se mostrou muito sensível à questão das emissões de pó na cidade. Mas não vamos deixar de vigiar. Acompanharemos e cobraremos até que haja uma solução definitiva para a questão do pó preto e da fumaça vermelha. Vou aguardar com esperança, mas pronto para cobrar, se não virmos resultados concretos”, pontuou.
Veja algumas das providências
imediatas que a CSN prometeu adotar na Usina Presidente Vargas: – Instalação de filtros de controle da poluição já
adquiridos e compra de novos equipamentos;
– Uso de máquinas novas e modernas de varrição, com uso diário nas áreas próximas à Coqueria e Sinterização;
– Uso de canhões de névoa de água para evitar o levantamento da poeira, especialmente nos dias de ventos fortes sobre a cidade do aço;
– Redução e regulagem da produção da Usina Presidente Vargas;
– Fazer mais paradas de manutenção;
– Reparo de seis fornos da Coqueria;
– Reparo na área de sinterização;
– Controle da sucata que é jogada na Aciaria, evitando o uso de produto contaminado que só é detectado em análises rigorosas quando chegam à UPV adquiridas de terceiros; e
– Aumentar limpeza das panelas e conversores de Aciaria

