Inea interdita granja em Rio Claro que cria para abate um milhão de frangos por mês

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Pollyanna Xavier             

A poucos dias do Natal, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), como o aQui noticiou com exclusividade nas redes sociais, interditou a granja da empresa Rica, na Fazenda da Grama, no distrito de Passa Três, em Rio Claro, por uma infestação de moscas varejeiras nas casas ao seu redor. Um vídeo que chegou à redação mostra a cozinha de uma residência tomada de insetos. Eles estão por toda parte: mesa, cadeiras, pia, chão, fogão, tábua de carne, paredes, formando uma imensa mancha preta no cômodo. Na terça, 16, o Inea aplicou um embargo cautelar contra a Rica, suspendeu as atividades e deu um prazo de 48 horas para que o problema fosse resolvido. A empresa não se pronunciou. 

A sanção imposta pelo Inea é administrativa e, por enquanto, não inclui multa. Caso não haja o cumprimento das diligências, a empresa poderá ser multada e ter a suspensão das atividades prorrogada por um período indeterminado. Entre as exigências impostas pelo órgão ambiental do Estado, estão a retirada de toda matéria orgânica exposta (fezes das aves, restos de ração, carcaças e outros detritos), a desinsetização do local por empresa credenciada e ainda a instalação de iscas para o controle de vetores. 

Outra medida exigida pelo Inea é o transporte, para um local limpo, coberto e livre de umidade, de toda ração não usada. Concluído esse procedimento, a Rica ainda terá de apresentar o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) – documento obrigatório que acompanha todas as etapas do transporte de resíduos, desde a geração até a destinação final. Para o Inea, a infestação de moscas no entorno da granja representa falhas básicas de manejo químico e biológico previstos tanto no Código Sanitário do Estado do Rio quanto no do município de Rio Claro. 

Pelas regras de vigilância Sanitária, por exemplo, o manejo das aves para fins de abatimento exige o controle rigoroso de pragas, além da remoção adequada de matéria orgânica e o armazenamento correto de insumos. A ausência dessas atividades cria um ambiente propício para reprodução de moscas, que acabam migrando e fazendo das residências ao redor um foco de dispersão. A questão acarreta problemas de saúde pública, porque as moscas podem transmitir doenças. Ainda de acordo com o Inea, o acúmulo de dejetos e a falta de controle de vetores configuram infrações sanitárias que justificam a interdição cautelar.

A reportagem do aQui tentou falar com a Rica, mas a empresa não tem assessoria de imprensa. E, no setor de Marketing, ninguém foi encontrado na quinta, 18, para falar a respeito. A presidente da Associação de Moradores da Fazenda da Grama, Deise Carlindo, também foi procurada pelo jornal. O bairro dela foi o mais afetado pelos insetos. Ao aQui, Deise afirmou que a granja funciona no local há cerca de 40 anos e que o episódio é recorrente. Ela lembrou que no ano passado houve algo semelhante, mas foi resolvido rapidamente. 

A líder comunitária disse que desta vez procurou o prefeito Babton Biondi e o secretário de Meio Ambiente de Rio Claro, José Vicente, para pedir providências. Na segunda, 15, eles teriam conversado com representantes da Rica e exposto o problema enfrentado pelos moradores da Fazenda da Grama. “Eles prontamente me responderam e conversaram com o pessoal da empresa”, contou, garantindo que a denúncia ao Inea não foi feita pela Associação de Moradores. “Alguém denunciou ao Inea, mas não foi ninguém da associação a qual eu represento. O Inea foi até lá e fechou a Rica”, confirmou Deise. 

Para tentar resolver a questão dos moradores, Deise contou que a prefeitura enviou uma empresa de desinsetização à Fazenda da Grama, para aplicar inseticida nas casas afetadas. “Alguns moradores negaram o veneno, mas outros aceitaram. Na minha casa eu aceitei, e as moscas sumiram”, relatou. Ela foi além. Disse acreditar que a prefeitura e a Rica estão empenhadas em resolver o problema, até porque, às vésperas do Natal e do fim do ano, a demanda por aves de corte exige que a empresa restabeleça suas atividades para não perder mercado. 

Asfaltamento da estrada Roma-Getulândia
O trabalho de recuperação da Estrada Roma-Getulândia, que liga o bairro de Volta Redonda ao distrito de Rio Claro, já começou a sair do papel, conforme anúncio feito pelo deputado estadual Munir Neto. As obras iniciaram na terça, terça, 16, e os cerca de sete quilômetros da via, que encurta a viagem até as praias da Costa Verde, vão custar aproximadamente R$ 7 milhões.
De acordo com Munir, irmão do prefeito Neto, a recuperação da estrada atende à demanda da população de Volta Redonda e municípios da região. “A obra vai melhorar significativamente as condições de tráfego, trazendo mais segurança para motoristas, estudantes e trabalhadores que dependem da estrada, que reduz o tempo de deslocamento entre o Sul Fluminense e a Costa Verde”, justificou.