A semana começou com a CSN e a prefeitura de Volta Redonda anunciando que a siderúrgica daria início a uma série de ações de controle da poluição, previstas e documentadas em uma carta aberta entregue pelo diretor-executivo da UPV, Alexandre Lyra, ao prefeito Neto na terça, 11. Uma das primeiras medidas seria a aplicação de jatos de polímeros biodegradáveis nas áreas mais sensíveis à dispersão de poeira e sobre as pilhas de material particulado. O primeiro setor a receber o produto seria a sinterização – considerada a área mais poluente da usina. A ideia era criar uma camada de proteção – um grande tapete verde – reduzindo a dispersão do pó preto pelo ar em 90%, o que impediria a lixiviação (escoamento de dejetos com a água da chuva).
O problema é que Neto e Lyra não contavam, para azar deles, com os ventos de um ciclone extratropical que jogou tudo por terra na manhã de quinta, 13. Ou melhor, pelo ar. A própria Usina Presidente Vargas chegou a ficar totalmente coberta, por volta das 11h30min, pelo pó levantado pelos ventos que atingiram a velocidade de 80 km/h ao passar por Volta Redonda. Foi uma festa para os internautas. Dezenas de fotos e vídeos logo tomaram conta das redes sociais. Políticos de todas as legendas se posicionaram contra a CSN, é claro. Os internautas também. Um deles chegou ao cúmulo de escrever que o vendaval era culpa de Benjamin Steinbruch, presidente da CSN.
Outro, um jornalista, foi além. Escreveu que os ventos levaram pânico à população. “Uma cortina de poeira se formou sobre o céu de Volta Redonda após a cidade ser atingida por uma ventania nesta quinta-feira (13). O vento forte fez aumentar a poluição provocada pela Companhia Siderúrgica Nacional, chegando a níveis alarmantes, trazendo pânico entre os moradores da cidade”, postou, mostrando não conhecer bem a realidade na cidade do aço.
Até o bispo D. Luiz Henrique se posicionou, contra, depois dos ventos sujarem os imóveis da Cúria Diocesana e de quem mora nos bairros localizados no entorno da UPV, como Vila e Conforto, entre outros. Em nota, o líder católico pediu a união de todos para enfrentar a poluição da CSN. “A população pede socorro! Escutemos, pois, o seu pedido”, pontuou. Detalhe: o pó preto levantado pelos ventos na manhã de quinta, 13, chegou a poluir a região do shopping Park Sul.
Das janelas do Palácio 17 de Julho, o prefeito Neto pôde ver a poluição provocada pelos ventos que atingiram a cidade pela qual é apaixonado (ver páginas 6 e 7). P… da vida, ligou para o Inea, órgão ambiental que parece não saber onde fica a cidade do aço, e exigiu providências. Conseguiu. Logo depois do almoço, por ordem do vice- governador, Thiago Pampolha, uma equipe do Inea chegou, trazendo uma Estação Móvel de Monitoramento da Qualidade do Ar. A unidade deverá ficar um mês na cidade para acompanhar as ações anunciadas pela CSN para reduzir o pó preto que tem caído sobre Volta Redonda. “A ventania de hoje deu mais uma dimensão do problema”, avaliou Neto, indo além.
“Com esta estação móvel, vamos ter dados independentes da qualidade do ar antes e depois das medidas (da CSN). O melhor termômetro é o nosso povo, a opinião da população é que nos importa”, justificou, anunciando que irá se encontrar com o vice- governador, Thiago Pampolha, e dirigentes da CSN na próxima segunda, às 11 horas, no Palácio 17 de Julho. Se não ventar forte no meio do caminho, né?
USINA
Entre as providências que a CSN prometeu adotar de forma imediata, a do jateamento de polímeros biodegradáveis (à base de celulose) começou a ser aplicada logo na segunda, 10, com auxílio de caminhões e mangueiras tanto nas sinterizações quanto nas áreas ao redor delas. Muito usada em processos industriais em todo o mundo, a técnica é eficaz e realmente ajuda no controle de dispersão de partículas – o famoso pó preto. Além do jateamento de polímeros, a CSN pretende implantar outras medidas de controle do pó, como a contratação de mais funcionários para manutenção e limpeza, além da aquisição de máquinas e equipamentos para ajudar na lavagem e varrição no interior da UPV.
A aspersão de névoa com o auxílio de canhões é outra técnica prevista para ser aplicada nas próximas semanas na área das sinterizações. Além dela, a CSN garante realizar manutenções preventivas de equipamentos para otimização e distribuição de fluxo e sistema de limpeza de placa e a contratação de uma equipe de rapel industrial para a limpeza nas partes mais altas da UPV, como telhados e grandes tubulações de gás – tudo coberto pelo pó preto. As medidas não estão previstas, diretamente, no último TAC que a empresa assinou com o Inea, condicionado à renovação de licenças ambientais. Mas há uma relação indireta, porque o documento prevê, entre outras, a limpeza de áreas poluentes e a diminuição das emissões de material particulado no ar. O TAC tem vigência até agosto do ano que vem e possui um cronograma de atividades com prazo para ser cumprido.

