Índice de mortalidade materna assusta autoridades fluminenses

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A Razão de Mortalidade Materna (RMM), um dos principais indicadores globais de saúde, mostra que o número de mortalidade materna no estado do Rio ainda é considerado alto. Muito alto. A RRM – que é calculada pelo número de óbitos por 100 mil nascidos vivos – foi de 66,0, considerando o ano de 2022. A informação fez parte dos dados apresentados pelo coordenador estadual de Saúde das Mulheres, Antônio Braga, durante audiência pública da Comissão de Saúde realizada na Alerj.
Embora tenha havido uma redução quando se compara os dados de 2022 com os de 2020 e 2021, Braga afirmou que o número ainda é elevado. O relatório foi elaborado pela secretaria de Estado de Saúde. Outro fato trazido pelo coordenador demonstrou que períodos de epidemia costumam agravar o quantitativo desse caso. Ele citou a gripe suína (H1N1), em 2009; o vírus da Zica, em 2017; e a Covid-19, em 2020/2021. “Se uma gravidez dura nove meses, é ideal que a mulher tenha os cuidados pré-concepcionais três meses antes de engravidar. É fundamental que a gente consiga articular com a Alerj o eixo estruturante que a SES pretende fazer para enfrentar este problema. Já melhoramos em relação ao período de pandemia, mas ainda há muito o que evoluir. A SES é responsável por levar a política de prevenção à mortalidade materna a unidades estaduais e também municipais”, disse.

DEZ PASSOS
O coordenador da Comissão de Mortalidade Materna da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Marcos Nakamura, elencou a falta de educação sexual e reprodutiva, a ausência de meios de transporte a unidades de saúde especializadas e a falta de acompanhamento adequado como algumas das causas para a mortalidade materna no estado.

Veja os 10 passos de cuidados obstétricos para reduzir a quantidade de óbitos:
1. Pré-natal com informações claras e estímulo à discussão de um plano de parto;
2. Profilaxia para evitar síndromes hipertensivas;
3. Triagem de infecções genito-urinárias;
4. Atenção a sinais de gravidade no quadro de saúde da mulher; 5. Melhor treinamento das equipes médicas;
6. Tratamento imediato de síndromes hipertensivas graves;
7. Tratamento imediato de casos infecciosos;
8. Tratamento imediato de síndromes hemorrágicas;
9. Redução da realização de cesarianas desnecessárias;
10. Vigilância e assistência permanente no período de puerpério.
“A morte materna é uma violação dos direitos humanos, atinge uma mulher jovem, que teria muitos anos de vida. Acomete também mulheres pretas, pobres, com pouco nível educacional. É uma morte decorrente do próprio sistema social. Países como Uruguai, Chile e Argentina possuem indicadores muito menores do que o Brasil. Essas mortes frequentemente são associadas a demoras, que podem ser do usuário em reconhecer seu problema de saúde, relacionada à acessibilidade na chegada ao serviço de saúde; e ao cuidado dentro do sistema hospitalar propriamente dito, seja por falta de estrutura, necessidade de mais profissionais ou falta de medicamentos”, explicou.
Presidente da Comissão de Saúde, o deputado Tande Vieira (PP), ex-secretário de Saúde de Resende, demonstrou otimismo em encontrar soluções para solucionar os problemas apresentados na audiência. “A gente vai se debruçar sobre as informações trazidas e pensar em algumas iniciativas legislativas que possam ajudar nesse trabalho, apresentado hoje pela SES. Um levantamento muito esclarecedor e que trouxe para a gente uma segurança de que há um planejamento coerente, realizável, e uma atenção que já está concentrada nos problemas identificados”, comentou.