Por Pollyanna Xavier
A menos de quatro meses da data base dos trabalhadores da CSN – 1º de maio –, o Sindicato dos Metalúrgicos não vai conseguir negociar o pagamento de uma PPR para os operários. A notícia, nada boa, tem uma explicação muito simples: o ex-presidente Edimar Miguel não teria criado a comissão para discutir o assunto com a direção da CSN. Para quem não se lembra, no ano passado o G5 negociou o acordo coletivo com a empresa e o retorno da PPR entrou na pauta. Na época, a CSN prometeu que voltaria a pagar o benefício em 2025, mas impôs uma condição: a criação de uma comissão para negociar os valores. Pelo acordo entre G5 e CSN, 15 dias após a assinatura do ACT 2024, o Sindicato deveria apresentar a comissão e dar início às negociações da PPR. O problema é que, antes do prazo se esgotar, Edimar conseguiu uma liminar na Justiça e voltou à presidência do Sindicato, não dando andamento aos assuntos iniciados pelo G5. Um dos projetos parados foi justamente o da PPR. “Infelizmente, não conseguiremos retomar as negociações para o pagamento da PPR este ano, porque os valores deveriam ter sido apresentados em 2024, para entrar na previsão orçamentária da CSN para 2025. Agora não dá mais tempo de fazermos isto para pagamento em maio”, explicou a advogada do Sindicato, Ana Paula Martins.
Segundo Ana Paula, o fato de a CSN aceitar voltar com o pagamento da PPR foi uma conquista do G5, quando Odair Mariano assumiu a presidência do Sindicato pela primeira vez, em fevereiro de 2024. Na ocasião, Edimar foi remanejado para a secretaria ‘Por Local de Trabalho’ e a gestão da entidade passou às mãos de Odair e dos diretores que compõem a Executiva do órgão. Poucos meses depois, Edimar conseguiu uma liminar e voltou a presidir o Sindicato. “Nada do que foi negociado pelo Odair foi levado adiante pelo Edimar. Ele deveria ter dado prosseguimento ao tema PPR para que os trabalhadores recebessem este ano, mas não deu”, comentou Ana Paula.
Ainda de acordo com a advogada, o G5 vai incluir na pauta do ACT 2025 o pagamento de um abono financeiro para compensar a perda da PPR. “Esse assunto não morreu, o G5 vai retomar essa discussão para que em 2025 a empresa pague o benefício”, avisou. Por outro lado, Ana Paula ressaltou que a PPR é um programa de participação de resultados e que, se o resultado financeiro da CSN não for bom, acaba refletindo negativamente no pagamento do benefício. “A CSN fechou o último trimestre do ano passado com um prejuízo enorme, então, não sabemos o quanto isso iria impactar negativamente na PPR. De qualquer maneira, a gestão do Sindicato na época tinha que ter prosseguido com o que já estava negociado”, avaliou.
ACT 2025
Odair Mariano, atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, ainda não deu início à construção da pauta do acordo coletivo dos trabalhadores da CSN. A questão deve ficar para março, mas o líder sindical confirmou ao aQui que vai buscar um diálogo com a CSN, com o objetivo de compensar os operários pela perda da PPR. “Vamos negociar o pagamento de um abono”, prometeu o presidente.

